Yellen: Inflação acima de 2% nos EUA nos próximos 5 anos
Janet Yellen, ex-presidente do Fed e ex-secretária do Tesouro dos EUA, afirmou que a inflação americana deve ficar acima de 2% nos próximos cinco anos. O diagnóstico foi feito na Expert XP 2026, apontando tarifas de Trump, guerra no Oriente Médio e data centers como causas.
Yellen: inflação acima de 2% nos EUA nos próximos 5 anos
Janet Yellen, ex-presidente do Fed e ex-secretária do Tesouro dos EUA, afirmou que a inflação americana deve ficar acima de 2% nos próximos cinco anos. O diagnóstico foi feito na Expert XP 2026, apontando tarifas de Trump, guerra no Oriente Médio e data centers como causas. O Fed está 'on hold', mas pronto para elevar juros se a escalada persistir.
Por que Yellen projeta inflação acima de 2% nos próximos 5 anos?
A pressão das tarifas impostas pela administração de Donald Trump sobre os preços internos tem durado mais que o esperado. Isso se soma às disrupções causadas pela guerra no Oriente Médio e aos efeitos dos grandes investimentos em data centers, criando um quadro inflacionário mais desafiador para os Estados Unidos.
O diagnóstico foi feito nesta quinta-feira (23) por Janet Yellen, ex-presidente do Fed e ex-secretária do Tesouro dos EUA, durante painel na Expert XP 2026. "Num horizonte de cinco anos, estamos contando com inflação mais alta que 2% [a meta buscada pelo Fed]", disse.
O papel do Fed: 'on hold' mas pronto para agir
Yellen afirmou que, no momento, o Fed está "on hold", mas que "estão prontos para elevar as taxas" se a nova escalada da guerra contra o Irã persistir. Ela não vê pressão inflacionária vinda do mercado de trabalho na forma de salários, mas alerta para outros efeitos colaterais.
"Se fosse membro do Fed, adoraria ponderar sobre esses choques de abastecimento e esperar um arrefecimento. Eu ficaria preocupada com o risco da inflação, olharia com muito cuidado", completou.
Expert XP 2026: o palco do debate
Yellen foi entrevistada no painel "Perspectiva Econômicas dos EUA e Globais: Desafios de Curto Prazo e Tendências de Longo Prazo" pelo economista-chefe da XP, Caio Megale, numa disputada Expert Session no maior evento de investimentos do mundo.
Lições de 2024 e os choques da pandemia
Ela traçou paralelos e diferenças entre o atual momento e o de 2024, quando assumiu a principal cadeira do Federal Reserve logo após a grande crise financeira global. "A crise financeira teve efeito devastador sobre a economia, a inflação cresceu e subiu para quase dois dígitos. Reduzimos os Fed Funds para zero. Mas a economia não se recuperou tão rápido", lembrou.
Yellen também lembrou que, à medida que os anos passavam, com o desemprego ainda alto, os diretores do Fed se depararam com um segundo elemento sensível: o nível da taxa de juros neutra.
Depois, veio a pandemia, que mudou tudo mais uma vez, trazendo como desafios os choques de abastecimento e as mudanças nos padrões de gastos, com os consumidores passando a gastar mais com bens do que com serviços.
O que muda para o investidor brasileiro?
A inflação americana acima da meta impacta diretamente os mercados globais. Juros mais altos nos EUA tendem a fortalecer o dólar e pressionar economias emergentes, incluindo o Brasil. impacto da inflação americana no Brasil Para o investidor, o cenário exige cautela com ativos de risco e atenção à renda fixa atrelada à inflação.
No Brasil, o IPCA registrou variação de 0,16% em junho de 2026, segundo o Banco Central, acumulando 0,58% em maio e 0,67% em abril. A trajetória doméstica, embora sob controle, também merece monitoramento.
Perguntas Frequentes
O que Yellen disse exatamente sobre a inflação?
Yellen afirmou que, num horizonte de cinco anos, a inflação nos EUA deve ficar acima de 2%, a meta do Fed.
Quais fatores estão pressionando a inflação nos EUA?
As tarifas de Trump, a guerra no Oriente Médio e os investimentos em data centers são os principais fatores citados.
O Fed vai subir os juros?
O Fed está "on hold", mas pronto para elevar as taxas se a escalada da guerra contra o Irã persistir, segundo Yellen.
Como isso afeta o Brasil?
Juros mais altos nos EUA fortalecem o dólar e pressionam economias emergentes, impactando investimentos e câmbio.
O que Yellen disse sobre o mercado de trabalho?
Ela não vê pressão inflacionária vinda de salários, mas alerta para outros efeitos colaterais.