Economia

EUA confirmam tarifa de até 12,5% sobre Brasil e outros parceiros comerciais

ResumoOs Estados Unidos confirmaram tarifa adicional de até 12,5% sobre importações do Brasil, substituindo tarifa temporária de 10%. A medida, baseada em investigação sobre trabalho forçado, entra em vigor na sexta-feira (23). O Brasil classificou a decisão como arbitrária e anunciou acionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os EUA anunciaram tarifa adicional de até 12,5% sobre importações do Brasil, com base em investigação sobre trabalho forçado. A medida substitui tarifa temporária de 10% e entra em vigor na sexta-feira (23). O Brasil classificou a decisão como arbitrária e acionará a OMC.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 23 de julho de 2026
EUA confirmam tarifa de até 12,5% sobre Brasil e outros parceiros comerciais

EUA confirmam tarifa de até 12,5% sobre Brasil e outros parceiros comerciais

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma tarifa adicional de até 12,5% sobre importações do Brasil e de outras economias investigadas por falhas na proibição e fiscalização da entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. A medida entra em vigor exatamente no momento em que uma tarifa global temporária de 10% chega ao fim.

Os EUA impõem tarifa de 12,5% sobre o Brasil com base em investigação sobre trabalho forçado. A medida substitui tarifa temporária de 10% e entra em vigor na sexta-feira (23), com isenção para mercadorias em trânsito até 28 de julho. O governo brasileiro classificou a decisão como 'arbitrária e injustificada' e acionará a OMC.

O que motivou a nova tarifa dos EUA sobre o Brasil?

A medida é a mais recente iniciativa da Casa Branca para reformular a política comercial dos Estados Unidos. Segundo o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), as investigações concluíram que as práticas dos 60 países e economias analisados relacionadas ao combate ao trabalho forçado representam uma prática comercial considerada desleal e que restringe o comércio americano.

As investigações foram abertas em março deste ano e incluíram audiências públicas, consultas com governos estrangeiros e a análise de milhares de manifestações antes da decisão final anunciada nesta quinta-feira.

Como ficam as tarifas: três faixas diferentes

O USTR estabeleceu três faixas de tarifas, variando conforme o nível de compromisso dos países com a proibição de produtos feitos com trabalho forçado:

  • Tarifa de 10%: países que já adotam ou se comprometeram a implementar proibições à importação de produtos feitos com trabalho forçado, como Argentina, Canadá, México, Índia e Reino Unido.
  • Tarifa de 10% ou 12,5%: determinados produtos da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Suíça pagarão uma das duas alíquotas, conforme o caso.
  • Tarifa de 12,5%: as demais economias investigadas, entre elas o Brasil, terão a alíquota mais alta.

O que está isento da nova tarifa?

As novas tarifas isentarão petróleo e gás e certos recursos naturais, bem como bens já abrangidos pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) ou pelas tarifas relacionadas à segurança nacional que Trump impôs sobre carros, aço e outros produtos.

A cronologia da medida

A decisão desta quinta-feira é o desfecho de uma sequência de movimentos comerciais dos EUA:

  1. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas "recíprocas" de 10% a 50% impostas no ano passado sob uma lei de emergência nacional.
  2. Trump respondeu impondo uma tarifa temporária de 10% por 150 dias, que expira às 00h01 (horário da costa leste dos EUA) de sexta-feira (1h01 no horário de Brasília), invocando a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.
  3. As novas tarifas entrarão em vigor exatamente nesse mesmo momento, com isenção para mercadorias em trânsito até às 00h01 do dia 28 de julho.

A medida agora tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, legislação destinada a conter práticas comerciais consideradas desleais.

Reação do governo brasileiro

O governo brasileiro classificou como "arbitrária e injustificada" a decisão dos Estados Unidos. Em nota, afirmou que o país cumpre compromissos internacionais no combate ao trabalho forçado e apresentou informações às autoridades americanas durante a investigação.

Como resposta, o Brasil informou que acionará a Lei de Reciprocidade e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O que esperar da estratégia comercial americana?

A tarifa faz parte de uma estratégia mais ampla da Casa Branca para reformular a política comercial dos Estados Unidos. Para sustentar juridicamente novas barreiras, o governo Trump tem aberto diferentes investigações comerciais. Além da apuração sobre trabalho forçado, outra investigação avalia se determinados parceiros comerciais mantêm excesso de capacidade industrial que possa prejudicar a indústria americana.

Perguntas Frequentes

O que é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974?

É uma legislação americana que permite ao governo dos EUA impor tarifas ou outras restrições comerciais contra países considerados responsáveis por práticas comerciais desleais que prejudiquem o comércio americano.

Quais produtos brasileiros serão afetados pela tarifa de 12,5%?

A tarifa adicional de 12,5% incide sobre importações do Brasil investigadas por falhas na proibição e fiscalização da entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. Petróleo, gás e certos recursos naturais estão isentos, assim como bens abrangidos pelo USMCA ou tarifas de segurança nacional.

O Brasil pode recorrer da decisão?

Sim. O governo brasileiro informou que acionará a Lei de Reciprocidade e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Quando a nova tarifa entra em vigor?

As novas tarifas entram em vigor na sexta-feira (23), às 00h01 (horário da costa leste dos EUA), substituindo a tarifa temporária de 10%. Mercadorias em trânsito até 28 de julho estão isentas.

O que muda para o consumidor brasileiro?

A tarifa pode encarecer produtos brasileiros exportados aos EUA, afetando setores como calçados, têxteis e alimentos. O impacto no bolso do consumidor brasileiro dependerá da capacidade das empresas de absorver o custo ou repassá-lo aos preços.

entenda o impacto das tarifas americanas no comércio global como o Brasil pode usar a Lei de Reciprocidade contra os EUA

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