Economia

Mercado descarta corte da Selic em setembro com disparada dos juros globais

ResumoO mercado financeiro descarta corte da Selic em setembro devido à disparada dos juros globais. A taxa básica de juros permanece em 14,25% ao ano. A curva de juros futuros reflete a expectativa de manutenção da política monetária restritiva, influenciada pelo cenário internacional adverso e pela necessidade de controle inflacionário.

O mercado praticamente zerou as apostas de corte na Selic em setembro, em meio à disparada dos juros globais. A taxa básica está em 14,25% ao ano. Entenda os motivos e os impactos na curva de juros futuros.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 23 de julho de 2026
Mercado descarta corte da Selic em setembro com disparada dos juros globais

Por que o mercado descartou novo corte da Selic em setembro?

Na curva de juros futuros, o mercado praticamente zerou as apostas de corte na Selic em setembro nesta quinta-feira (23), em meio a uma forte disparada dos juros globais. A taxa básica de juros está em 14,25% ao ano.

O que mudou nas expectativas para a Selic?

Até a semana passada, os agentes financeiros precificavam mais uma redução na taxa básica de juros na decisão de setembro. Esse movimento era alimentado por dados de inflação mais benignos no Brasil e nos Estados Unidos.

Na última atualização, em 22 de agosto, as Opções do Copom, negociadas na B3, apontavam 52% de chance de algum corte na Selic no mês seguinte. Já na curva a termo, o mercado precificava um corte de 5 pontos-base para setembro.

O impacto dos juros globais e do Fed

A virada de expectativa veio com a disparada dos juros globais. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio e o retorno do barril do petróleo Brent, referência mundial da commodity, ao nível de US$ 100 foram os principais catalisadores.

Os investidores ampliaram as apostas de alta nos juros dos Estados Unidos nos próximos meses. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de elevação nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) em setembro superou 80%.

Nos EUA, o retorno do título de dez anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, atingiu o maior nível desde janeiro de 2025, a 4,714% pela manhã, superando a máxima intradia de 4,687% registrada em maio deste ano.

O que aconteceu com a curva de juros no Brasil?

Por aqui, as taxas de Depósito Interfinanceiro (DI) voltaram a se aproximar de 15%, com avanço de mais de 20 pontos-base nos vértices de médio prazo.

  • A taxa de DI para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 14,045%, ante 13,950% do fechamento anterior, uma alta de quase 10 pontos-base.
  • A taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, subiu 21 pontos-base e encerrou as negociações em 14,705%, ante 14,490% do fechamento da véspera.
  • A taxa de DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 14,825%, ante 14,685% do fechamento de ontem, avanço de 14 pontos-base.

E a reunião do Copom em agosto?

A curva a termo mantém a chance de corte na Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 5 de agosto. Há cerca de 68% de chance de redução de 25 pontos-base, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, ante a manutenção de 32%.

Nos Estados Unidos, o mercado também precifica manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. No fechamento do pregão regular, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 66,3% de juros inalterados pelo Federal Reserve na decisão de 29 de julho, ante 33,7% de chance de alta de 25 pontos-base e nenhuma probabilidade de corte.

O que esperar para os próximos meses?

O cenário de juros globais elevados e tensões geopolíticas deve continuar pressionando a curva de juros brasileira. A Selic em 14,25% ao ano reflete um ambiente de aperto monetário que pode se prolongar, dependendo da evolução dos fatores externos.

Impacto dos juros americanos no Brasil Como funciona a curva de juros futuros

Perguntas Frequentes

O que é a Selic?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom do Banco Central. Atualmente está em 14,25% ao ano.

Por que o mercado descartou o corte da Selic em setembro?

Devido à disparada dos juros globais, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio e alta do petróleo, que elevou os rendimentos dos títulos americanos e pressionou a curva de juros no Brasil.

O que são as Opções do Copom?

São instrumentos financeiros negociados na B3 que permitem ao mercado apostar na direção da Selic. Em 22 de agosto, apontavam 52% de chance de corte em setembro, probabilidade que depois caiu a zero.

Qual a diferença entre a curva a termo e as Opções do Copom?

Ambas refletem expectativas do mercado para a Selic, mas as Opções do Copom são derivativos específicos, enquanto a curva a termo é calculada a partir dos contratos futuros de DI.

O que é o FedWatch?

É uma ferramenta do CME Group que mede as probabilidades de mudanças na taxa de juros do Federal Reserve, o banco central dos EUA.

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