FMI elogia Pix e cobra autonomia financeira do Banco Central em relatório
O FMI elogiou o Pix como transformador do sistema financeiro brasileiro, mas alertou que o Banco Central precisa de autonomia financeira para manter a supervisão. Relatório do Fundo aponta desafios como falta de pessoal e riscos cibernéticos, enquanto o Senado analisa a PEC 65/20
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o Pix como um dos pilares da transformação do sistema financeiro brasileiro, mas fez um alerta direto: o Banco Central (BC) precisa de autonomia financeira e orçamentária para seguir supervisionando o setor de forma eficaz. As conclusões constam no relatório de Avaliação da Estabilidade do Sistema Financeiro (FSSA), divulgado nesta quinta-feira (23).
O FMI elogiou o Pix como um dos principais responsáveis pela transformação do sistema financeiro brasileiro, destacando seu papel na inclusão financeira e na ampliação da concorrência. No entanto, o relatório FSSA alertou que o Banco Central precisa de autonomia financeira e orçamentária para manter a capacidade de supervisão diante da expansão do setor.
O que diz o relatório do FMI sobre o Pix
O documento, elaborado em parceria com o Banco Mundial após missões técnicas no Brasil entre dezembro de 2025 e março de 2026, afirma que o sistema financeiro nacional é resiliente. Na avaliação do FMI, o Pix consolidou-se como um importante instrumento de inclusão financeira, ampliação da concorrência e digitalização do mercado bancário brasileiro.
"Os bancos digitais emergentes reduziram a concentração do setor bancário e continuam a fomentar a concorrência e a eficiência, resultando também em taxas de crédito mais baixas", destaca o relatório. O sistema de pagamentos instantâneos acelerou a transformação digital do setor financeiro e impulsionou o crescimento dos bancos digitais.
Ao mesmo tempo, o Fundo alerta para o aumento dos riscos cibernéticos e das fraudes digitais, defendendo o fortalecimento da governança do sistema. Entre as recomendações, está a formalização da política de supervisão do Pix e a separação entre as funções operacionais e fiscalizatórias desempenhadas pelo Banco Central.
A cobrança por autonomia financeira do Banco Central
Além dos elogios ao Pix, o FMI afirma que é urgente fortalecer a estrutura do Banco Central para garantir a estabilidade do sistema financeiro. Segundo o relatório, o Brasil deve adotar "medidas para superar as restrições de pessoal nos órgãos supervisores, a concessão de plena autonomia orçamentária ao Banco Central do Brasil", além de ampliar a proteção jurídica dos servidores e atualizar a legislação sobre resolução de instituições financeiras.
Na avaliação do organismo, os avanços registrados desde a última revisão, em 2018, foram relevantes, mas persistem obstáculos que limitam a atuação da autoridade monetária. "As autoridades demonstraram avanços substanciais, mas ainda enfrentam desafios - principalmente decorrentes de restrições de pessoal, falta de proteção jurídica e limitações de autoridade legal", aponta o FMI.
O Fundo afirma que essas limitações reduzem a intensidade da supervisão bancária e podem ampliar a dependência de entidades autorreguladoras no mercado de capitais.
PEC 65/2023: o que muda com a autonomia financeira do BC
A recomendação ocorre enquanto o Senado analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que concede autonomia financeira ao Banco Central. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em junho e aguarda votação no plenário. A proposta transforma o BC em uma entidade pública de natureza especial e é defendida pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo.
O projeto, entretanto, divide governo e servidores. Entidades representativas de auditores e gestores do BC apoiam a mudança. No entanto, o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) defende uma alternativa apresentada pelo governo que amplia a autonomia orçamentária, mas mantém a natureza jurídica atual da autarquia.
Sistema financeiro brasileiro ainda é sólido, diz FMI
Apesar das recomendações, o FMI conclui que o sistema financeiro brasileiro permanece sólido e capaz de absorver choques econômicos. O relatório destaca a importância da manutenção do regime de metas para a inflação, de instituições robustas e da continuidade das reformas estruturais para preservar a estabilidade financeira do país.
Em nota, o Banco Central afirmou que recebeu o relatório com satisfação e avaliou que o documento contribui para o aprimoramento das políticas econômicas e financeiras. "O BC agradece aos corpos técnicos do FMI e do Banco Mundial pela qualidade dos trabalhos desenvolvidos, pelo diálogo construtivo mantido durante todo o processo e pelo elevado nível técnico das análises apresentadas nos relatórios."
A autarquia também destacou que o FMI reconheceu a evolução do sistema financeiro brasileiro desde 2018, o papel transformador do Pix e a necessidade de fortalecer o arcabouço institucional para garantir recursos, recompor o quadro de servidores e preservar a capacidade de supervisão.
Impacto na economia: PIB e projeções do FMI
O Ministério da Fazenda também emitiu uma nota para destacar que o Brasil teve a segunda maior revisão positiva de crescimento entre as economias do G20. O FMI espera que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça 2,4% em 2026. Para o ano que vem, a previsão também foi revisada para cima, chegando a 2,2%.
A Fazenda destacou ainda que o relatório reconhece que a trajetória de consolidação fiscal proposta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias apresentado em abril levará à estabilização da dívida pública. O relatório divulgado nesta quinta repetiu as projeções do FMI para a economia brasileira apresentadas no início de julho.
Perguntas Frequentes
O que o FMI disse sobre o Pix?
O FMI elogiou o Pix como um dos principais responsáveis pela transformação do sistema financeiro brasileiro, destacando seu papel na inclusão financeira, ampliação da concorrência e digitalização do mercado bancário.
Por que o FMI cobra autonomia financeira do Banco Central?
O FMI alerta que o Banco Central precisa de autonomia financeira e orçamentária para manter a capacidade de supervisão diante da expansão do setor, além de enfrentar desafios como restrições de pessoal e falta de proteção jurídica.
O que é a PEC 65/2023?
É a Proposta de Emenda à Constituição que concede autonomia financeira ao Banco Central, transformando-o em uma entidade pública de natureza especial. O texto foi aprovado pela CCJ em junho e aguarda votação no plenário do Senado.
O sistema financeiro brasileiro está em risco?
Não. O FMI conclui que o sistema financeiro brasileiro permanece sólido e capaz de absorver choques econômicos, mas recomenda fortalecer a estrutura do Banco Central para garantir a estabilidade.
Qual a previsão do FMI para o PIB do Brasil em 2026?
O FMI espera que o PIB brasileiro cresça 2,4% em 2026, com revisão para cima também para 2027, chegando a 2,2%.