Dólar sobe a R$ 5,08 com disparada dos juros globais; entenda
O dólar à vista interrompeu a sequência de três quedas consecutivas e fechou a R$ 5,0839 nesta quinta-feira (23), com alta de 0,64%. A moeda ganhou força com a escalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, que dispararam os juros globais e o petróleo Brent de volt
Dólar sobe a R$ 5,08 com disparada dos juros globais
O dólar à vista subiu a R$ 5,0839 nesta quinta-feira (23), com alta de 0,64%, interrompendo a sequência de três quedas consecutivas. O movimento foi puxado pela escalada das tensões geopolíticas e pela disparada dos juros globais, em meio ao crescente temor de novos choques inflacionários com o petróleo de volta a US$ 100 o barril.
O dólar PTAX de venda fechou em R$ 5,0807 no mesmo dia (Banco Central, 23/07/2026), acima dos R$ 5,0638 registrados na véspera (Banco Central, 22/07/2026).
O que mudou no cenário para o dólar subir?
O principal gatilho foi a nova rodada de ofensivas entre Estados Unidos e Irã pelo 12º dia consecutivo. Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu uma "forte retaliação militar" contra o Irã e seus aliados houthis do Iêmen, depois que combatentes do grupo militante iemenita atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho.
O ataque estendeu a guerra no Oriente Médio a um segundo importante ponto estratégico para o transporte marítimo, elevando a aversão a risco no mercado internacional.
Petróleo a US$ 100 e o impacto nos juros globais
Com a tensão crescente no Oriente Médio, os preços do petróleo dispararam. O barril do Brent, referência mundial, voltou a ser cotado no nível de US$ 100. O movimento reacendeu temores inflacionários, conforme explicou Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad: "O cenário reacendeu temores inflacionários, reforçando a busca por proteção".
Os investidores ampliaram as apostas de alta nos juros dos Estados Unidos nos próximos meses. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de elevação nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) em setembro superou 80%.
Para a próxima reunião, na quarta-feira (29), a chance majoritária ainda é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Dólar no exterior e DXY em alta
O dólar acompanhou o fortalecimento da divisa no exterior ao longo da sessão. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, subia 0,31%, aos 101.438 pontos.
A alta do índice DXY reflete a busca global por proteção em meio ao aumento da aversão a risco, movimento típico em momentos de tensão geopolítica.
Histórico recente do dólar: de R$ 5,11 a R$ 5,08
Nos dias anteriores, o dólar PTAX de venda havia oscilado: em 17/07/2026, estava em R$ 5,1176 (Banco Central); em 20/07/2026, caiu para R$ 5,0894 (Banco Central); e em 21/07/2026, fechou a R$ 5,0780 (Banco Central). A sequência de quedas foi interrompida nesta quinta.
O que esperar para o câmbio nos próximos dias?
A trajetória do dólar dependerá da evolução das tensões no Oriente Médio e das decisões de juros do Fed. Com a probabilidade de alta em setembro acima de 80%, o mercado já precifica um aperto monetário que pode manter o dólar pressionado. impacto dos juros americanos no Brasil
Para quem investe em ativos brasileiros, o cenário exige atenção: a alta dos juros globais tende a atrair capital para os EUA, pressionando moedas emergentes como o real. como proteger a carteira em cenário de juros altos
Perguntas Frequentes
Por que o dólar subiu hoje?
O dólar subiu com a escalada das tensões entre EUA e Irã, que elevou os juros globais e o petróleo a US$ 100, reacendendo temores inflacionários.
Qual foi a cotação do dólar nesta quinta-feira (23)?
O dólar à vista fechou a R$ 5,0839, com alta de 0,64%. O dólar PTAX de venda foi R$ 5,0807.
O que é o DXY?
O DXY é o índice que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra. Na quinta, subiu 0,31%, aos 101.438 pontos.
O que o Fed deve fazer com os juros?
Para a reunião de quarta-feira (29), a chance majoritária é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Para setembro, a probabilidade de alta superou 80%.
O petróleo influencia o dólar?
Sim. A alta do petróleo a US$ 100 reacende temores inflacionários, o que eleva os juros globais e fortalece o dólar como proteção.