Vendas do Tesouro Direto atingem segundo melhor resultado da história em junho
As vendas do Tesouro Direto atingiram R$ 14,76 bilhões em junho, o segundo maior volume da história, atrás apenas do recorde de março. O novo título Tesouro Reserva e a Selic a 14,25% ao ano puxaram a demanda. Entenda o que esse movimento significa para o seu bolso.
Vendas do Tesouro Direto atingem segundo melhor resultado da história em junho
As vendas de títulos públicos a pessoas físicas pelo Tesouro Direto somaram R$ 14,76 bilhões em junho, o segundo maior volume da série histórica, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira (28). O valor perde por apenas R$ 30 milhões para o recorde de março, quando as vendas atingiram R$ 14,79 bilhões. O resultado foi impulsionado pelo novo título Tesouro Reserva e pelo patamar elevado da Taxa Selic, que está em 14,25% ao ano.
Por que as vendas do Tesouro Direto dispararam em junho?
O volume de vendas em junho foi 44,51% superior ao de maio (R$ 10,22 bilhões). Na comparação com junho do ano passado, o crescimento foi de 156,03%. O Tesouro Nacional atribui o movimento a dois fatores principais: a atratividade dos títulos indexados aos juros básicos, com a Selic em 14,25% ao ano, e a expectativa de alta da inflação oficial nos próximos meses, que torna os papéis corrigidos pelo IPCA igualmente interessantes.
O papel do Tesouro Reserva
O Tesouro Reserva, novo título indexado aos juros básicos que funciona como as caixinhas de reserva de bancos digitais, respondeu por R$ 2,09 bilhões em vendas, o equivalente a 14,2% do total. O produto foi lançado pelo Tesouro Nacional para competir com os depósitos de liquidez diária oferecidos por fintechs e bancos tradicionais.
Títulos mais procurados
Os papéis vinculados aos juros básicos (Selic) lideraram a preferência, com 54,5% de participação nas vendas. Dentro desse grupo, as tradicionais Letras Financeiras do Tesouro (LFT) somaram R$ 4,16 bilhões (28,2% do total). Os títulos corrigidos pela inflação (IPCA) corresponderam a 34,3% das vendas, enquanto os prefixados representaram 16,7%.
Como os juros altos afetam seus investimentos?
A Selic em 14,25% ao ano é o principal motor da demanda por títulos públicos. Com esse patamar, os papéis pós-fixados (LFT e Tesouro Reserva) oferecem rentabilidade elevada e baixo risco de marcação a mercado. Para quem busca proteção contra a inflação, os títulos IPCA também ganham atratividade diante das projeções de alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
O que esperar para os próximos meses?
Se a Selic permanecer nesse nível ou subir, a tendência é de manutenção da demanda. O Tesouro Nacional já sinaliza que o estoque total do programa atingiu R$ 262,47 bilhões no fim de junho, alta de 4,57% em relação a maio (R$ 251,01 bilhões) e de 45,53% ante junho de 2025 (R$ 180,35 bilhões). Esse crescimento reflete tanto a correção dos títulos pelos juros quanto o fato de as vendas superarem os resgates em R$ 10,1 bilhões no mês.
Quem está comprando títulos públicos?
O Tesouro Direto segue atraindo pequenos investidores. Em junho, 261.877 novos participantes ingressaram no programa, elevando o total de cadastrados para 35.853.678. Nos últimos 12 meses, o número de investidores cresceu 9,53%. Os investidores ativos (com operações em aberto) chegaram a 3.689.486, alta de 21,19% no mesmo período.
Perfil das aplicações
As operações de até R$ 5 mil representaram 75,4% do total de 1.530.276 vendas realizadas em junho. Apenas as aplicações de até R$ 1 mil corresponderam a 50,7% do volume de operações. O valor médio por operação ficou em R$ 9.648,34. Esses números indicam que o programa cumpre seu papel de popularizar o investimento em títulos públicos entre pessoas físicas.
Qual o prazo preferido dos investidores?
Os investidores estão optando por papéis de médio prazo. As vendas de títulos com vencimento entre cinco e dez anos representam 45,7% do total. As operações com prazo de até cinco anos correspondem a 37,9%, enquanto os papéis de mais de dez anos somaram 16,4% das vendas. A preferência por prazos intermediários sugere uma busca por equilíbrio entre rentabilidade e liquidez.
Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+: desempenho modesto
Os títulos temáticos, voltados para objetivos específicos, ainda têm participação pequena. O Tesouro Renda+, destinado ao financiamento de aposentadorias e lançado no início de 2023, respondeu por 4,6% das vendas. Já o Tesouro Educa+, criado em agosto de 2023 para financiar poupança para ensino superior, atraiu apenas 2% das vendas.
O que é o Tesouro Direto e como funciona?
Criado em janeiro de 2002, o Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos federais pela internet, sem intermediação de agentes financeiros. O investidor paga apenas uma taxa para a B3, a bolsa de valores brasileira, descontada nas movimentações. A venda de títulos é uma forma de o governo captar recursos para pagar dívidas e honrar compromissos. Em troca, o Tesouro se compromete a devolver o valor com um adicional que pode variar conforme a Selic, índices de inflação, câmbio ou uma taxa prefixada.
Perguntas Frequentes
O Tesouro Direto é seguro?
Sim. Os títulos públicos federais são considerados o investimento mais seguro do país, pois contam com a garantia do Tesouro Nacional. O risco de calote é praticamente nulo.
Qual título do Tesouro Direto rende mais em 2026?
Depende do cenário. Com a Selic a 14,25%, os títulos pós-fixados (LFT e Tesouro Reserva) tendem a render mais no curto prazo. Para prazos mais longos, os títulos IPCA podem ser mais vantajosos se a inflação superar as expectativas.
Preciso pagar imposto de renda no Tesouro Direto?
Sim. Os rendimentos são tributados pelo Imposto de Renda, com alíquotas regressivas que variam de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias). Há também a taxa de custódia da B3 de 0,25% ao ano sobre o valor dos títulos.
Como investir no Tesouro Direto?
Basta ter um cadastro no site do Tesouro Direto e uma conta em uma corretora ou banco habilitado. O valor mínimo de investimento é de cerca de R$ 30, dependendo do título.
O Tesouro Reserva substitui as LFT?
Não. Ambos são títulos pós-fixados indexados à Selic, mas o Tesouro Reserva tem liquidez diária e funciona como uma reserva de emergência, enquanto as LFT são mais indicadas para prazos mais longos.
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