Morgan Stanley vê correção em IA como oportunidade para ações do Brasil
A queda recente das ações de inteligência artificial abriu uma janela de oportunidade, segundo o Morgan Stanley. Em relatório global, o banco reafirma visão positiva para infraestrutura de IA e inclui ações brasileiras na tese, com destaque para Petrobras, Vale, WEG e elétricas.
Morgan Stanley vê correção em IA como oportunidade - e ações do Brasil entram na tese
A recente queda das ações ligadas à inteligência artificial (IA) criou uma janela de compra para investidores, na avaliação dos estrategistas do Morgan Stanley. Em relatório de estratégia global, o banco reafirma visão positiva para todo o ecossistema de infraestrutura de IA e argumenta que a demanda por capacidade computacional deve superar a oferta por muitos anos, sustentando um novo ciclo de investimentos em tecnologia, energia e data centers.
Resposta direta: O Morgan Stanley vê a correção recente em ações de IA como oportunidade de compra, mantendo visão positiva para infraestrutura. A demanda por computação deve superar a oferta por anos, e ações brasileiras como Petrobras, Vale, WEG, Copel, Auren e Axia entram na tese, beneficiadas pelo ciclo de energia e mineração.
O que motivou a correção e por que o banco não se preocupa
Segundo os estrategistas, parte relevante da correção recente foi motivada por fatores técnicos e realização de lucros, não por deterioração dos fundamentos. O relatório revisita preocupações como o avanço dos modelos chineses, limites de gastos corporativos com IA, gargalos de energia e possíveis restrições regulatórias - e conclui que nenhuma delas altera a tese estrutural de crescimento.
A principal convicção do banco é que a procura por computação continuará crescendo em ritmo acelerado à medida que os modelos se tornam mais poderosos. Para os analistas, a melhoria contínua das capacidades dos modelos de IA aumenta o valor econômico da chamada "inteligência digital", estimulando investimentos em chips, data centers, energia e redes de transmissão.
Por que os gastos com IA ainda são baixos
O Morgan Stanley também rebate uma preocupação crescente no mercado: a de que empresas venham a limitar o uso de IA por funcionários para controlar despesas com tokens. Segundo os estrategistas, os gastos corporativos atuais ainda são muito baixos em relação ao benefício econômico gerado. O relatório cita estimativas segundo as quais uma tarefa corporativa pode gerar economia de US$ 55 para a empresa a um custo de apenas US$ 2 a US$ 5 em processamento.
Modelos chineses: ameaça ou motor?
Outro debate abordado envolve a rápida evolução dos modelos chineses de IA. Embora reconheça o avanço competitivo de plataformas como o Kimi K3 e outros modelos de código aberto, o banco argumenta que isso não reduz a necessidade de investimentos em computação. Pelo contrário: quanto mais eficientes forem os modelos, mais aplicações surgirão, ampliando o consumo total de recursos computacionais - fenômeno que os analistas relacionam ao Paradoxo de Jevons, segundo o qual ganhos de eficiência tendem a aumentar a demanda total por um recurso.
Os três gargalos da infraestrutura
Se a demanda por IA segue robusta, o desafio passa a ser construir a infraestrutura necessária. O Morgan Stanley vê três obstáculos principais para a expansão dos data centers: escassez de mão de obra especializada, dificuldades de acesso à rede elétrica e resistência política em algumas regiões dos Estados Unidos.
O banco estima um déficit potencial de 38 gigawatts de energia para atender os data centers norte-americanos até 2028. Isso fortalece a tese de investimento em empresas ligadas à geração e armazenamento de energia, além de soluções que acelerem o acesso à eletricidade - turbinas a gás, células de combustível, projetos nucleares e reaproveitamento de áreas antes usadas por mineradoras de bitcoin.
Na visão dos analistas, esse cenário transforma a energia em uma das peças mais valiosas da cadeia de inteligência artificial.
Brasil e América Latina: a nova fronteira do ciclo de IA
Embora a América Latina não esteja na linha de frente do desenvolvimento dos modelos, a região aparece no relatório como beneficiária importante do novo ciclo de investimentos globais. Para o Morgan Stanley, a exposição latino-americana à IA ocorre principalmente por meio do fornecimento de minerais, energia e infraestrutura.
O banco destaca que a região concentra cerca de 30% da produção mundial de cobre e 60% das reservas globais de lítio, além de abundantes recursos energéticos - insumos considerados fundamentais para a expansão da infraestrutura de IA.
Entre os nomes preferidos na América Latina estão Axia (AXIA3), Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), Copel (CPLE3), Auren (AURE3) e WEG (WEGE3), além de empresas ligadas à geração de energia e mineração em outros países da região.
O banco destaca especialmente o potencial das elétricas. Segundo os estrategistas, o crescimento dos data centers pode elevar a demanda por eletricidade ao longo dos próximos anos, favorecendo geradoras de energia em mercados com custos competitivos, como o Brasil. A tese também inclui empresas expostas à modernização da infraestrutura elétrica e à expansão de sistemas de transmissão.
O paralelo com o superciclo chinês dos anos 2000
Para a equipe do Morgan Stanley, o ciclo global de investimentos em IA pode representar para a América Latina um impulso semelhante ao observado durante o superciclo de commodities liderado pela China nos anos 2000, com efeitos positivos para crescimento econômico, fluxo de capitais e mercado acionário.
Big techs e semicondutores: onde o banco aposta
Entre as big techs americanas, o banco mantém recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para Meta, Alphabet, Microsoft e Amazon, argumentando que essas empresas possuem escala suficiente para monetizar os elevados investimentos em IA e capturar retornos atrativos sobre o capital empregado.
A instituição também segue otimista com Nvidia, considerada sua principal escolha no setor de semicondutores, além de Broadcom e Micron, diante da expectativa de que a demanda por chips e memória continue crescendo em ritmo superior à capacidade de oferta da indústria.
"A demanda por computação provavelmente excederá a oferta por muitos anos", resume o banco, reforçando sua visão de que a recente correção abriu uma janela atrativa para investidores que buscam exposição ao ciclo estrutural de expansão da inteligência artificial.
Perguntas Frequentes
O Morgan Stanley recomenda comprar ações de IA agora?
Sim, o banco vê a correção recente como oportunidade de compra, mantendo visão positiva para infraestrutura de IA, big techs e semicondutores.
Quais ações brasileiras estão na tese do Morgan Stanley?
Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), WEG (WEGE3), Copel (CPLE3), Auren (AURE3) e Axia (AXIA3) estão entre os nomes preferidos na América Latina.
Por que o Brasil se beneficia do ciclo de IA?
O país tem cerca de 30% da produção mundial de cobre e 60% das reservas de lítio, além de energia competitiva, insumos essenciais para data centers.
Qual o principal risco para a tese de IA, segundo o banco?
Os gargalos de infraestrutura - escassez de mão de obra especializada, acesso à rede elétrica e resistência política - são os principais obstáculos.
O que é o Paradoxo de Jevons citado no relatório?
É o fenômeno pelo qual ganhos de eficiência no uso de um recurso tendem a aumentar a demanda total por ele, não reduzi-la - aplicado à computação de IA.