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B3 prepara stablecoin e vê tokenização como próximo salto do mercado financeiro

ResumoA B3 prepara o lançamento da B3RL, stablecoin lastreada em real, para expandir a infraestrutura de ativos digitais. A tokenização é apontada como o próximo salto do mercado financeiro, impulsionada por regulação e tecnologia, conforme debatido por executivos da B3, XP Inc. e Parfin na Expert XP 2026.

A B3 prepara o lançamento da B3RL, stablecoin lastreada em real, para ampliar a infraestrutura de ativos digitais. Executivos da B3, XP Inc. e Parfin debateram o futuro da tokenização durante a Expert XP 2026, apontando a regulação e a tecnologia como motores do próximo salto do

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 23 de julho de 2026
B3 prepara stablecoin e vê tokenização como próximo salto do mercado financeiro

B3 prepara stablecoin e vê tokenização como próximo salto do mercado financeiro

A B3 prepara o lançamento da B3RL, uma stablecoin lastreada em real que deve chegar ao mercado nos próximos meses. O ativo digital integra a estratégia da Bolsa para ampliar a infraestrutura de ativos digitais no Brasil e servir de base para que corretoras e bancos desenvolvam novos serviços. A B3RL funcionará como uma representação digital do real e permitirá liquidação praticamente instantânea das operações.

O tema foi debatido durante o painel "O futuro já tem preço: o mercado trilionário de ativos digitais", realizado na quinta-feira (23) durante a Expert XP, em São Paulo. Executivos da B3, XP Inc. e Parfin defenderam que a combinação entre tecnologia, regulação e infraestrutura pode acelerar a tokenização de ativos financeiros no país.

O que é a B3RL e como vai funcionar

A B3RL é uma stablecoin lastreada em real, ou seja, cada unidade emitida terá lastro de um real mantido em reserva. Diferente de criptomoedas voláteis, seu valor permanece atrelado à moeda nacional. A stablecoin permitirá liquidação praticamente instantânea das operações, reduzindo o tempo de processamento de dias para segundos.

Segundo Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes e pessoa física da B3, o mercado amadureceu desde os primeiros experimentos com blockchain realizados há cerca de cinco anos. O setor passou da fase de testes para um momento de adoção em escala, impulsionado pelo avanço regulatório e pelo interesse crescente das instituições financeiras. "A gente viu que era hora de participar desse movimento", afirmou Paiva durante o painel.

Tokenização: o próximo salto do mercado financeiro

Embora as stablecoins tenham surgido no universo das criptomoedas, os participantes do painel defenderam que seu principal potencial está na modernização da infraestrutura do mercado financeiro tradicional. A tecnologia pode facilitar a negociação de ativos tokenizados - versões digitais de ações, debêntures, títulos públicos e privados, entre outros instrumentos -, o que reduz custos operacionais, simplifica processos e acelera a liquidação das operações.

Na prática, a tokenização transforma ativos financeiros em representações digitais registradas em blockchain. Entre as vantagens estão a possibilidade de fracionar investimentos, reduzir o tempo de liquidação das operações e facilitar negociações no mercado secundário. "Você pode comprar apenas uma fração de um ativo", explica Marcos Viriato, CEO da Parfin, ao destacar que a tecnologia amplia o acesso a produtos antes disponíveis apenas para investidores com maior capacidade financeira.

Testes de tokenização previstos para 2027

Como parte dessa estratégia, a B3 pretende iniciar, no começo de 2027, testes para tokenização de ativos. A expectativa é que a tecnologia permita ampliar o horário de negociação de investimentos, reduzir fricções operacionais e facilitar o acesso de investidores a diferentes produtos financeiros.

Na avaliação de Paiva, essa transformação deve acontecer de forma praticamente invisível para o investidor. "Eu vejo um futuro em que a pessoa nem vai saber que aquele ativo é um token", acredita. O executivo diz ainda que a evolução desse mercado depende de um ambiente regulatório sólido. "O Brasil está bem posicionado na questão de tokenização de ativos, tanto em regulação quanto em infraestrutura e segurança", afirmou.

Regulação como chave para a adoção em escala

Para Marcos Viriato, da Parfin, um dos principais obstáculos para o crescimento dos ativos tokenizados sempre foi a ausência de uma infraestrutura baseada em moedas digitais lastreadas em real. Com o lançamento da stablecoin da B3, esse cenário pode mudar. "Com o surgimento da stablecoin da B3 e de outras iniciativas semelhantes, o mercado de ativos tokenizados vai crescer muito nos próximos anos", afirma.

Hoje, a tokenização já é utilizada principalmente em operações de crédito estruturado, como recebíveis que lastreiam CRIs e CRAs. Mas a expectativa é que a tecnologia avance para praticamente todas as classes de ativos. Gestoras globais, como a BlackRock, lançaram fundos tokenizados de renda fixa de curto prazo, que já vêm sendo utilizados como garantia em operações financeiras.

Apesar do avanço tecnológico, Viriato afirmou que a consolidação desse mercado depende da conclusão do arcabouço regulatório brasileiro. Para o executivo, a tecnologia já foi validada, possui capacidade de operar em escala e conta com avanços importantes decorrentes dos projetos conduzidos pelo Banco Central, como os pilotos do Drex. "A tecnologia já existe, foi validada e tem escala para ser usada. Agora estamos fechando os pontos regulatórios e a infraestrutura de liquidação", afirmou.

O estágio atual do mercado de ativos digitais

Para Marcos Horie, head de produtos digitais da XP Inc., o mercado de ativos digitais vive hoje um estágio semelhante ao da internet nos anos 1990: a infraestrutura está sendo construída, enquanto as aplicações ainda começam a surgir. "Hoje a gente está no que era a internet discada. Estamos criando aplicações e arcabouços. Quando isso estiver maduro, será como atualmente também em relação à internet: as pessoas nem vão saber que estão usando essa tecnologia", comparou.

Na avaliação dos participantes, esse será justamente o principal sinal da maturidade da tokenização: quando blockchain, stablecoins e ativos digitais deixarem de ser percebidos como inovação e passarem a funcionar apenas como parte da infraestrutura do sistema financeiro, tornando investimentos mais acessíveis, eficientes e disponíveis praticamente em tempo integral.

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Perguntas Frequentes

O que é a B3RL?

A B3RL é uma stablecoin lastreada em real que a B3 prepara para lançamento nos próximos meses. Ela funcionará como representação digital do real e permitirá liquidação praticamente instantânea das operações.

Quando a B3 iniciará os testes de tokenização?

A B3 pretende iniciar os testes de tokenização de ativos no começo de 2027.

Quais as vantagens da tokenização de ativos?

A tokenização permite fracionar investimentos, reduzir o tempo de liquidação das operações e facilitar negociações no mercado secundário, ampliando o acesso a produtos antes restritos a investidores com maior capacidade financeira.

Como a regulação impacta o mercado de ativos digitais?

A consolidação do mercado depende da conclusão do arcabouço regulatório brasileiro, incluindo a regulamentação dos prestadores de serviços de ativos digitais e a definição da infraestrutura de liquidação.

O que são ativos tokenizados?

São versões digitais de ativos financeiros tradicionais, como ações, debêntures, títulos públicos e privados, registradas em blockchain. A tecnologia reduz custos operacionais e acelera a liquidação das operações.

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