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Ibovespa recua com aversão ao risco global, apesar da alta do petróleo

ResumoIbovespa fechou a quinta-feira (23) em queda de 0,46%, aos 176.723,62 pontos, pressionado pela aversão ao risco global. A alta do petróleo Brent acima de US$ 100 não sustentou o índice, pois perdas de bancos e ações cíclicas superaram ganhos de Petrobras e Vale.

O Ibovespa fechou a sessão desta quinta-feira (23) em queda de 0,46%, aos 176.723,62 pontos, em meio a aversão ao risco global que elevou o petróleo Brent acima dos US$ 100. Perdas de bancos e ações cíclicas prevaleceram aos ganhos de Petrobras e Vale.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 23 de julho de 2026
Ibovespa recua com aversão ao risco global, apesar da alta do petróleo

Ibovespa recua com aversão ao risco global, apesar da alta do petróleo

O Ibovespa fechou a sessão desta quinta-feira (23) em queda de 0,46%, aos 176.723,62 pontos, inserido no contexto de aversão ao risco que dominou os ativos globais. O petróleo Brent retornou para cima dos US$ 100, mas as perdas de bancos e ações cíclicas em meio à escalada dos juros futuros prevaleceram aos ganhos das ações da Petrobras e da Vale.

O que explica o movimento do Ibovespa hoje?

A sessão foi marcada por uma combinação de fatores externos e internos. As ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de punição aos houthis do Iêmen e de ataque massivo ao Irã reforçaram as preocupações sobre a interrupção do fluxo de navios de petróleo nos Estreitos do Golfo Pérsico. Isso catapultou o Brent de volta aos US$ 100, na quinta sessão de alta consecutiva.

Além disso, os balanços de Alphabet e Tesla, divulgados na quarta (22), levantaram temores sobre o nível de gastos com inteligência artificial (IA), que se espalharam por outras companhias. O Dow Jones fechou em baixa de 0,97%, o Nasdaq caiu 2,15% e o S&P 500 recuou 1,21%.

Como a alta do petróleo impacta os mercados?

O economista-chefe de Mercados da Capital Economics, Jonas Goltermann, aponta que a contínua alta nos preços de energia está começando a pressionar os mercados financeiros de forma mais ampla, para além do segmento de títulos. "Enquanto os bancos centrais continuam adotando uma abordagem cautelosa em relação ao novo aumento nos preços de energia, ainda há muito espaço para que a turbulência nos mercados aumente se o conflito entre os EUA e o Irã continuar a escalar", afirma.

Goltermann destaca que os mercados globais de ações, que até agora haviam lidado com a retomada das hostilidades no Oriente Médio de forma relativamente tranquila, também caíram significativamente hoje. Para ele, pesou contra as bolsas a "resposta desfavorável" ao balanço da Alphabet.

Juros futuros sobem e derrubam ações cíclicas

Junto com os preços do petróleo, cresceram os receios com o cenário inflacionário global e, consequentemente, as apostas de aperto monetário. Segundo a ferramenta do CME Group, a probabilidade de alta de juros pelo Federal Reserve já supera 80%. O pessimismo com a política monetária também foi visto na curva de juros local, cujas taxas até o trecho intermediário subiram em torno de 20 pontos-base.

"A perspectiva de queda mais lenta da Selic afeta em cheio ações cíclicas, como varejo e incorporadoras imobiliárias", relata Marcel Lima, especialista da Valor Investimentos. Não à toa, Hapvida (-8,08%), Totvs (-6,37%), Assaí (-4,52%) e MRV (-4,27%) lideraram as quedas do Ibovespa.

A alta dos DIs também puxou uma realização de lucros no setor financeiro, que ontem havia exibido avanço firme. Itaú Unibanco PN caiu 0,79% e Bradesco PN recuou 1,32%.

Exportadoras e petróleo impulsionam as altas

A lista das mais valorizadas era composta em boa medida por exportadoras, favorecidas pela alta do dólar, e relacionadas à cadeia do petróleo. Vibra (+1,77%), Petrobras ON (+1,67%), Braskem PNA (+1,65%), Prio ON (+1,29%) e Brava ON (+1,03%) lideraram os ganhos.

Vale ON, que subiu 0,77%, também ajudou a conter as perdas do índice. O papel continuou reagindo aos dados operacionais divulgados na terça-feira (21), tendo ainda suporte do avanço do minério de ferro.

O que esperar para os próximos dias?

Para Lima, da Valor Investimentos, o que se viu hoje pode ter um caráter mais conjuntural do que estrutural, com a volatilidade sendo reduzida à medida em que o mercado encontrar soluções para a questão da oferta de petróleo. "É necessário avaliar se haverá danos mais sérios às infraestruturas, mas o mercado é dinâmico. A Arábia pode abrir rotas alternativas, por exemplo", disse.

Num dia como hoje, ter uma carteira com grande participação de empresas de commodities deu certa blindagem ao Ibovespa, que caiu bem menos do que os pares no exterior.

Números finais da sessão

O Ibovespa fechou em queda de 0,46%, aos 176.723,62 pontos. Na máxima, atingiu 177.896 pontos (+0,20%) e na mínima caiu 0,71%, aos 176.293 pontos. O giro financeiro somou R$ 21,15 bilhões. O índice acumula valorização de 2,73% em julho. Em 2026, apura avanço de 9,68%.

Perguntas Frequentes

Por que o Ibovespa caiu com a alta do petróleo?

A alta do petróleo elevou os juros futuros, derrubando bancos e ações cíclicas, como varejo e incorporadoras, que têm maior sensibilidade à política monetária.

Quais ações subiram no Ibovespa hoje?

Exportadoras e empresas ligadas ao petróleo subiram, como Vibra (+1,77%), Petrobras ON (+1,67%) e Vale ON (+0,77%).

O que explica a alta dos juros futuros?

O receio inflacionário com a alta do petróleo aumentou as apostas de aperto monetário pelo Federal Reserve, com probabilidade de alta de juros superior a 80%.

O movimento de hoje é estrutural ou conjuntural?

Para analistas, pode ter caráter mais conjuntural, com a volatilidade sendo reduzida conforme o mercado encontrar soluções para a oferta de petróleo.

Como o Ibovespa se saiu em relação aos pares globais?

O Ibovespa caiu menos que os pares no exterior, beneficiado pela blindagem das empresas de commodities na carteira.

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