Juros globais podem frear cortes da Selic, diz Santander
Juros globais podem frear cortes da Selic, diz Santander
O Santander Brasil alerta que o ciclo de cortes da Selic pode ser limitado pelo cenário internacional de juros em alta. Em avaliação após a decisão do Copom de quarta-feira (5), o banco vê espaço para uma nova redução em setembro, mas com riscos crescentes vindos do exterior.
O que diz o Santander sobre os juros globais e a Selic?
Segundo Marco Antonio Caruso, economista-chefe de política monetária do Santander, é difícil um país emergente sustentar cortes de juros enquanto as principais economias desenvolvidas caminham na direção contrária. "É difícil ir contra a maré", afirmou.
As curvas de juros dos países desenvolvidos mostram pressão de alta. O Banco Central Europeu subiu juros, e as curvas do Japão estão pressionadas. Nos Estados Unidos, o Fed trocou seu presidente, e o novo comando adotou comunicação mais dura.
Como os juros americanos podem impactar o Brasil?
O cenário-base do Santander contempla duas altas de juros pelo Fed ainda em 2026. Se os juros externos subirem mais do que o esperado, a pressão sobre o dólar pode aumentar. Isso afetaria diretamente as projeções de inflação usadas pelo Banco Central.
Uma moeda brasileira mais depreciada poderia piorar as projeções de inflação do modelo do BC. O modelo do Copom, que parece otimista aos olhos do Focus, pode mostrar uma "carinha um pouco pior" e forçar o fim do ciclo de cortes.
O que esperar da Selic em setembro e no 4º trimestre?
Apesar dos riscos, Caruso vê espaço para uma nova redução da Selic em setembro. O modelo do BC projeta inflação de 3,20% no primeiro trimestre de 2028, enquanto o Focus aponta para cerca de 4,10%.
Dependendo dos dados, pode haver cortes também no quarto trimestre. A comunicação cautelosa do Copom pode ser deliberada para evitar que o mercado antecipe uma série de reduções.
Por que a inflação corrente e a atividade são decisivas?
A combinação entre desaceleração da atividade e surpresas da inflação corrente é central. Os dados de curto prazo surpreendem para baixo, e a atividade perde ímpeto. Esses fatores são favoráveis à continuidade dos cortes.
O principal obstáculo segue sendo a desancoragem das expectativas de inflação. Ainda assim, o Copom parece se pautar mais pelo modelo do que pelas expectativas.
Qual é a projeção do Santander para a Selic em 2026?
O Santander trabalha com Selic de 13,75% ao fim de 2026, considerando mais um corte e depois uma pausa. Se a foto de dezembro for igual à de agosto, o banco admite Selic de 13,25%.
A pausa projetada reflete menos a ausência de espaço doméstico e mais os riscos que podem ganhar força até o fim do ano. "Eu preciso realmente esperar", disse Caruso.
O que isso significa para você?
Se os juros globais subirem mais que o esperado, a Selic pode parar de cair. Isso afeta renda fixa, crédito e investimentos. Acompanhar os próximos passos do Fed e do Copom é essencial para ajustar sua estratégia.
Perguntas Frequentes
O Copom vai cortar a Selic em setembro?
Segundo o Santander, há espaço para um corte em setembro, com base no modelo do BC. A decisão dependerá dos dados de inflação e atividade.
Por que os juros globais afetam a Selic?
Juros globais mais altos pressionam o dólar e a inflação, o que pode levar o BC a interromper os cortes para conter a alta de preços.
Qual a projeção do Santander para a Selic no fim de 2026?
O banco projeta Selic de 13,75%, com possibilidade de 13,25% se a inflação corrente continuar surpreendendo para baixo.
O que é desancoragem das expectativas de inflação?
É quando o mercado projeta inflação acima da meta para os próximos anos, o que dificulta a política monetária e pode limitar cortes de juros.