Ouro tem queda com Treasuries em alta e petróleo acima de US$ 100
Contrato mais líquido do ouro fechou em queda de 0,44% na Comex, a US$ 4.332,80 por onça-troy, pressionado pelo avanço dos Treasuries e do petróleo. Mercado precifica 82,3% de chance de alta de 25 pontos-base do Fed.
O contrato mais líquido do ouro fechou em queda nesta terça-feira (15), ampliando o movimento baixista da sessão anterior. O metal foi pressionado pelo avanço dos preços do petróleo e dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA.
Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro para dezembro encerrou em queda de 0,44%, a US$ 4.332,80 por onça-troy. A prata para o mesmo mês recuou 0,44%, a US$ 65,85 por onça-troy.
A alta do barril do petróleo Brent para o nível próximo de US$ 110 reforçou as perspectivas de uma política monetária dos Estados Unidos mais rígida para lidar com a inflação. Com isso, os juros dos Treasuries tiveram mais um dia de ganhos, o que pressionou o ouro, já que o metal precioso não gera rendimentos.
O que explica a resiliência do ouro
O Commerzbank aponta dois fatores por trás do comportamento do metal. "A renovação das tensões no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo e, consequentemente, as expectativas de taxas de juros de forma mais ampla, não apenas nos Estados Unidos. Nesse cenário, causa certa surpresa o fato de os preços do ouro não terem sofrido pressões mais significativas até o momento", afirma o banco.
"Além das preocupações fiscais persistentes, refletidas em rendimentos substancialmente mais elevados dos Treasuries de longo prazo, o recente aumento dos riscos políticos nos EUA também pode ajudar a explicar a relativa resiliência do ouro", acrescenta.
Decisão do Fed na mira
Nesta quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) divulga nova decisão de política monetária. A aposta majoritária do mercado é de alta de 25 pontos-base.
Hoje, o mercado precifica 82,3% de chance de o Fed elevar os juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. A probabilidade de manutenção no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano é de 7,7%.
Para quem acompanha ouro, a leitura é direta: enquanto o rendimento dos Treasuries sobe, o custo de oportunidade de carregar um ativo que não paga juros aumenta. A questão é se o mercado já precificou esse movimento ou se a decisão do Fed ainda reserva surpresa.