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Juros globais podem frear cortes da Selic, diz Santander

ResumoO Santander alerta que juros globais mais altos podem pressionar o dólar e a inflação brasileira, reduzindo o espaço para cortes da Selic. O banco projeta cenário de cautela na política monetária do Banco Central, com impacto direto em renda fixa e investimentos atrelados à taxa básica. A instituição recomenda monitorar o cenário externo para ajustar estratégias de alocação.

O Santander vê risco de juros globais mais altos pressionarem o dólar e a inflação, o que pode frear os cortes da Selic. Entenda os impactos para seus investimentos.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 06 de agosto de 2026
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Juros globais podem frear cortes da Selic, diz Santander

O Santander Brasil alerta que o ciclo de cortes da Selic pode ser limitado pelo cenário internacional de juros em alta. Em avaliação após a decisão do Copom de quarta-feira (5), o banco vê espaço para uma nova redução em setembro, mas com riscos crescentes vindos do exterior.

O que diz o Santander sobre os juros globais e a Selic?

Segundo Marco Antonio Caruso, economista-chefe de política monetária do Santander, é difícil um país emergente sustentar cortes de juros enquanto as principais economias desenvolvidas caminham na direção contrária. "É difícil ir contra a maré", afirmou.

As curvas de juros dos países desenvolvidos mostram pressão de alta. O Banco Central Europeu subiu juros, e as curvas do Japão estão pressionadas. Nos Estados Unidos, o Fed trocou seu presidente, e o novo comando adotou comunicação mais dura.

Como os juros americanos podem impactar o Brasil?

O cenário-base do Santander contempla duas altas de juros pelo Fed ainda em 2026. Se os juros externos subirem mais do que o esperado, a pressão sobre o dólar pode aumentar. Isso afetaria diretamente as projeções de inflação usadas pelo Banco Central.

Uma moeda brasileira mais depreciada poderia piorar as projeções de inflação do modelo do BC. O modelo do Copom, que parece otimista aos olhos do Focus, pode mostrar uma "carinha um pouco pior" e forçar o fim do ciclo de cortes.

O que esperar da Selic em setembro e no 4º trimestre?

Apesar dos riscos, Caruso vê espaço para uma nova redução da Selic em setembro. O modelo do BC projeta inflação de 3,20% no primeiro trimestre de 2028, enquanto o Focus aponta para cerca de 4,10%.

Dependendo dos dados, pode haver cortes também no quarto trimestre. A comunicação cautelosa do Copom pode ser deliberada para evitar que o mercado antecipe uma série de reduções.

Por que a inflação corrente e a atividade são decisivas?

A combinação entre desaceleração da atividade e surpresas da inflação corrente é central. Os dados de curto prazo surpreendem para baixo, e a atividade perde ímpeto. Esses fatores são favoráveis à continuidade dos cortes.

O principal obstáculo segue sendo a desancoragem das expectativas de inflação. Ainda assim, o Copom parece se pautar mais pelo modelo do que pelas expectativas.

Qual é a projeção do Santander para a Selic em 2026?

O Santander trabalha com Selic de 13,75% ao fim de 2026, considerando mais um corte e depois uma pausa. Se a foto de dezembro for igual à de agosto, o banco admite Selic de 13,25%.

A pausa projetada reflete menos a ausência de espaço doméstico e mais os riscos que podem ganhar força até o fim do ano. "Eu preciso realmente esperar", disse Caruso.

O que isso significa para você?

Se os juros globais subirem mais que o esperado, a Selic pode parar de cair. Isso afeta renda fixa, crédito e investimentos. Acompanhar os próximos passos do Fed e do Copom é essencial para ajustar sua estratégia.

Perguntas Frequentes

O Copom vai cortar a Selic em setembro?

Segundo o Santander, há espaço para um corte em setembro, com base no modelo do BC. A decisão dependerá dos dados de inflação e atividade.

Por que os juros globais afetam a Selic?

Juros globais mais altos pressionam o dólar e a inflação, o que pode levar o BC a interromper os cortes para conter a alta de preços.

Qual a projeção do Santander para a Selic no fim de 2026?

O banco projeta Selic de 13,75%, com possibilidade de 13,25% se a inflação corrente continuar surpreendendo para baixo.

O que é desancoragem das expectativas de inflação?

É quando o mercado projeta inflação acima da meta para os próximos anos, o que dificulta a política monetária e pode limitar cortes de juros.

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