Selic a 13,75%: Copom corta e deixa próximo passo em aberto
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (16). A decisão foi unânime e amplamente esperada pelo mercado.
Se o corte não surpreendeu, a comunicação do Banco Central deixou uma pergunta no ar: o ciclo de redução dos juros continua ainda em 2026? O comunicado manteve a avaliação de que a atividade econômica passa por moderação gradual, enquanto a inflação desacelerou, embora siga acima da meta. A projeção do BC para o IPCA no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante, permaneceu em 3,2%.
O que o comunicado do Copom sinaliza
A leitura do mercado se dividiu. Mirae Asset e Lifetime enxergam espaço para a continuidade do ciclo. BV e Santander esperam uma pausa.
Para Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, a comunicação deixa portas abertas para novos cortes, que dependerão da evolução dos dados. A probabilidade de corte na próxima reunião é maior que a de manutenção, caso a dinâmica atual de inflação e atividade se mantenha. O câmbio, porém, deve ganhar peso diante das incertezas externas e do cenário eleitoral doméstico.
O BV tem leitura mais cautelosa. Para o economista-chefe Roberto Padovani, as poucas mudanças no comunicado reforçam a postura dependente de dados do BC. O banco projeta Selic de 13,75% no fim de 2026, com retomada dos cortes em 2027.
O Santander também projeta pausa, mas classificou o comunicado como marginalmente dovish e destacou que não houve sinalização de encerramento do ciclo. Para Marco Antonio Caruso, economista do banco, a manutenção da projeção de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028 chama atenção diante da piora de condicionantes como câmbio, petróleo e expectativas para 2027.
Riscos que podem reverter a melhora
Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, avalia que a melhora da inflação abre espaço para o BC continuar reduzindo os juros, ainda que com cautela. Já José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, alerta que parte da melhora recente veio de fatores pontuais, que podem se reverter. Entre os riscos estão um El Niño mais intenso, com possíveis impactos sobre os alimentos, e o petróleo acima dos US$ 100 diante da guerra no Oriente Médio. Para Camargo, o fato de o Copom não ter dado maior destaque a esses fatores sugere comunicação mais suave sobre a política monetária.
Na prática, o mercado vê um Copom que ainda não colocou ponto final no ciclo de cortes. Inflação, atividade, câmbio e cenário externo devem definir se a Selic cai novamente ou permanece em 13,75%. Para quem depende de renda fixa, o juro composto não perdoa: cada reunião mexe direto no retorno dos títulos pós-fixados e na marcação a mercado dos prefixados. Vale acompanhar Tesouro Direto e Selic e como a Selic afeta o CDB.