SP: Milton Leite é alvo de operação contra PCC nos transportes
Ex-presidente da Câmara de SP, Milton Leite é alvo de pedido de prisão na 3ª fase da Operação Vectura Corrupta, que apura infiltração do PCC em 12 empresas de ônibus. Ele afirma que está em viagem e vai se apresentar em até 24 horas.
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram nesta quinta-feira (17) nova fase da operação que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo da capital. Um dos alvos é o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil), que ficou 27 anos no Legislativo da cidade.
Os agentes cumprem 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Leite é alvo de pedido de prisão e não foi encontrado em sua casa na região de Interlagos, na zona sul. A princípio, foi considerado foragido. Horas depois, comunicou-se com agentes públicos, informou que estava fora da cidade, em viagem, e que se apresentaria em 24 horas.
"Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações", declarou o ex-vereador.
A terceira fase da Operação Vectura Corrupta mira o controle financeiro e operacional do PCC sobre 12 empresas de ônibus com indícios de fraudes sistemáticas em licitações. Segundo a investigação, as 12 empresas seriam controladas direta ou indiretamente pela facção: Viação Transcap, Alfa Rodobus, Transwolff, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes.
A investigação aponta que decisões estratégicas relacionadas a empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite. A conclusão, segundo os investigadores, é sustentada pela análise de interceptações envolvendo operadores e por elementos de outras investigações sobre o papel decisório do ex-vereador.
No pedido que embasou a operação, Leite é citado como responsável direto pela operação de algumas das empresas que, segundo a investigação, seriam controladas pela facção. O documento menciona declarações de policiais militares, prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais ele seria o dono de fato da Transwolff. O caso está em segredo de Justiça.
Também foram presos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual. A operação investiga ainda a chamada "Sintonia dos Gravatas", núcleo de advogados que, segundo a polícia, atuaria em benefício da organização criminosa, ultrapassando os limites do exercício profissional. Entre os investigados estão Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu.
O principal investigado apontado nesta fase é José Daniel Satilite, conhecido como Alemão. A Polícia Civil afirma que ele integra o PCC e funcionaria como intermediário entre empresários, advogados, políticos, pessoas próximas a políticos e integrantes da facção. A apuração teve início em agosto de 2024, com a Operação Decurio, e já passou pela Operação Contaminatio, em abril de 2026, focada em uma fintech que teria movimentado cerca de R$ 8 bilhões.
O GLOBO tenta contato com os citados. O espaço segue aberto.