Mercado Valor 🔍
Mercado Valor
Editorias
Institucional
Economia

Renan Santos admite usar emendas como moeda de troca

Renan Santos admite usar emendas como moeda de troca com Congresso

O candidato à presidência pelo Missão, Renan Santos, admitiu nesta terça-feira (4) que pretende usar o desembolso das emendas parlamentares como moeda de troca para garantir governabilidade com o Congresso. Segundo ele, a estratégia permitiria aprovar reformas e cortar gastos em um ajuste fiscal.

A declaração foi dada durante sabatina organizada por G4 e O Antagonista. Renan Santos defendeu que o ajuste fiscal passe por um gatilho, com a redução de gastos condicionada às emendas.

"O ajuste fiscal vai passar por gatilho, com a redução de gastos condicionada às emendas. Emendas por corte de gastos. Para reformas, tem de ter habilidade para negociar, usar instrumentos, inclusive as emendas, de maneira republicana, para conseguir aprová-las", afirmou.

O que muda na prática para o ajuste fiscal

A proposta de Renan Santos inverte a lógica tradicional: em vez de simplesmente liberar emendas para obter apoio, ele condiciona a liberação a cortes efetivos de despesas. Isso significa que cada emenda paga teria uma contrapartida em redução de gastos.

Na visão do candidato, a medida daria previsibilidade ao ajuste e criaria um incentivo claro para o Congresso aprovar reformas. A governabilidade, nesse modelo, viraria uma negociação explícita entre Executivo e Legislativo.

Críticas a incentivos fiscais e defesa do agronegócio

Renan Santos afirmou que é preciso "cortar muito incentivo fiscal e fazer muita adequação" para ampliar a receita. Mas ele poupou o agronegócio, um dos setores mais beneficiados por subsídios.

"O agro funciona e se tornou muito mais competitivo com o mundo, com menos incentivo fiscal e é um modelo que funciona", disse.

Zona Franca de Manaus e o caso Honda

O candidato também criticou a Zona Franca de Manaus. "A Zona Franca de Manaus não funciona. Só a Honda tem R$ 16 bilhões por ano para ficar levando equipamento daqui para lá, uma distorção precisa ser corrigida", completou.

A declaração reforça a posição do candidato de revisar subsídios regionais, mas sem tocar no agronegócio.

Vida pregressa e experiência como gestor

Renan Santos, que se candidata pela primeira vez a um cargo público por um partido criado há menos de um ano, foi questionado sobre o que entregou, com números e resultados, na vida. Ele respondeu que sua "vida pregressa passou por administrar empresas, pegar empresas quebradas" e reconstruí-las.

O candidato, porém, não deu exemplos sobre quais companhias reergueu.

"Ao me tornar líder político, e líder político tem que tomar decisão com ética da responsabilidade, as maiores ações foram as maiores manifestações do País e foi o impeachment da Dilma Rousseff", disse, lembrando que é líder do Movimento Brasil Livre (MBL).

Críticas aos Bolsonaro e ao lulismo

Renan Santos afirmou que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro e o lulismo são "duas faces da mesma moeda" porque "são terríveis para o futuro". Ele também criticou a "elite política brasileira, que se baseia em dinheiro e prazer sexual" nas negociações.

"Criei partido político algo que o ex-presidente Jair Bolsonaro falhou miseravelmente, e tentou colocar filhos, e que não conseguiu por causa de suas baixas inteligências", completou.

O que esperar de uma eventual gestão

Se eleito, Renan Santos promete um ajuste fiscal com gatilhos claros e negociação explícita com o Congresso. A proposta de usar emendas como moeda de troca, porém, levanta dúvidas sobre os limites éticos e legais da prática.

O candidato defende que o uso seja "republicano", mas a estratégia expõe o jogo de poder que marca a relação entre Executivo e Legislativo no Brasil. como funciona a negociação de emendas no Congresso

Para o eleitor, a promessa de cortar gastos com base em emendas pode significar mais transparência ou mais barganha, dependendo de como for implementada. entenda o impacto das emendas no orçamento público

Perguntas Frequentes

Renan Santos confirmou que vai usar emendas para aprovar reformas?

Sim. Durante sabatina, ele admitiu usar o desembolso das emendas como moeda de troca para garantir governabilidade e aprovar reformas.

O que ele disse sobre o agronegócio?

Renan Santos defendeu o setor, afirmando que o agro funciona e se tornou competitivo com menos incentivo fiscal.

Qual foi a crítica à Zona Franca de Manaus?

Ele disse que a Zona Franca não funciona e citou a Honda, que receberia R$ 16 bilhões por ano, como exemplo de distorção.

Qual a experiência de Renan Santos para governar?

Ele afirmou que administrou empresas quebradas e as reconstruiu, mas não deu exemplos concretos. Também citou sua atuação no MBL e no impeachment de Dilma Rousseff.

Como ele vê a família Bolsonaro e o lulismo?

Para o candidato, ambos são "terríveis para o futuro" e representam "duas faces da mesma moeda".

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
Ver todos os artigos →