Economia

Renan Santos admite usar emendas como moeda de troca

ResumoRenan Santos, candidato do Missão, admitiu em sabatina usar emendas parlamentares como moeda de troca com o Congresso para aprovar reformas e cortar gastos. A declaração expõe prática de negociação legislativa condicionada a interesses orçamentários. A fala de Santos revela estratégia de governabilidade baseada em barganha institucional, sem detalhar limites éticos ou legais da manobra.

Renan Santos, candidato do Missão, admitiu usar emendas parlamentares como moeda de troca com o Congresso para aprovar reformas e cortar gastos. A declaração foi dada em sabatina.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 04 de agosto de 2026
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Renan Santos admite usar emendas como moeda de troca com Congresso

O candidato à presidência pelo Missão, Renan Santos, admitiu nesta terça-feira (4) que pretende usar o desembolso das emendas parlamentares como moeda de troca para garantir governabilidade com o Congresso. Segundo ele, a estratégia permitiria aprovar reformas e cortar gastos em um ajuste fiscal.

A declaração foi dada durante sabatina organizada por G4 e O Antagonista. Renan Santos defendeu que o ajuste fiscal passe por um gatilho, com a redução de gastos condicionada às emendas.

"O ajuste fiscal vai passar por gatilho, com a redução de gastos condicionada às emendas. Emendas por corte de gastos. Para reformas, tem de ter habilidade para negociar, usar instrumentos, inclusive as emendas, de maneira republicana, para conseguir aprová-las", afirmou.

O que muda na prática para o ajuste fiscal

A proposta de Renan Santos inverte a lógica tradicional: em vez de simplesmente liberar emendas para obter apoio, ele condiciona a liberação a cortes efetivos de despesas. Isso significa que cada emenda paga teria uma contrapartida em redução de gastos.

Na visão do candidato, a medida daria previsibilidade ao ajuste e criaria um incentivo claro para o Congresso aprovar reformas. A governabilidade, nesse modelo, viraria uma negociação explícita entre Executivo e Legislativo.

Críticas a incentivos fiscais e defesa do agronegócio

Renan Santos afirmou que é preciso "cortar muito incentivo fiscal e fazer muita adequação" para ampliar a receita. Mas ele poupou o agronegócio, um dos setores mais beneficiados por subsídios.

"O agro funciona e se tornou muito mais competitivo com o mundo, com menos incentivo fiscal e é um modelo que funciona", disse.

Zona Franca de Manaus e o caso Honda

O candidato também criticou a Zona Franca de Manaus. "A Zona Franca de Manaus não funciona. Só a Honda tem R$ 16 bilhões por ano para ficar levando equipamento daqui para lá, uma distorção precisa ser corrigida", completou.

A declaração reforça a posição do candidato de revisar subsídios regionais, mas sem tocar no agronegócio.

Vida pregressa e experiência como gestor

Renan Santos, que se candidata pela primeira vez a um cargo público por um partido criado há menos de um ano, foi questionado sobre o que entregou, com números e resultados, na vida. Ele respondeu que sua "vida pregressa passou por administrar empresas, pegar empresas quebradas" e reconstruí-las.

O candidato, porém, não deu exemplos sobre quais companhias reergueu.

"Ao me tornar líder político, e líder político tem que tomar decisão com ética da responsabilidade, as maiores ações foram as maiores manifestações do País e foi o impeachment da Dilma Rousseff", disse, lembrando que é líder do Movimento Brasil Livre (MBL).

Críticas aos Bolsonaro e ao lulismo

Renan Santos afirmou que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro e o lulismo são "duas faces da mesma moeda" porque "são terríveis para o futuro". Ele também criticou a "elite política brasileira, que se baseia em dinheiro e prazer sexual" nas negociações.

"Criei partido político algo que o ex-presidente Jair Bolsonaro falhou miseravelmente, e tentou colocar filhos, e que não conseguiu por causa de suas baixas inteligências", completou.

O que esperar de uma eventual gestão

Se eleito, Renan Santos promete um ajuste fiscal com gatilhos claros e negociação explícita com o Congresso. A proposta de usar emendas como moeda de troca, porém, levanta dúvidas sobre os limites éticos e legais da prática.

O candidato defende que o uso seja "republicano", mas a estratégia expõe o jogo de poder que marca a relação entre Executivo e Legislativo no Brasil. como funciona a negociação de emendas no Congresso

Para o eleitor, a promessa de cortar gastos com base em emendas pode significar mais transparência ou mais barganha, dependendo de como for implementada. entenda o impacto das emendas no orçamento público

Perguntas Frequentes

Renan Santos confirmou que vai usar emendas para aprovar reformas?

Sim. Durante sabatina, ele admitiu usar o desembolso das emendas como moeda de troca para garantir governabilidade e aprovar reformas.

O que ele disse sobre o agronegócio?

Renan Santos defendeu o setor, afirmando que o agro funciona e se tornou competitivo com menos incentivo fiscal.

Qual foi a crítica à Zona Franca de Manaus?

Ele disse que a Zona Franca não funciona e citou a Honda, que receberia R$ 16 bilhões por ano, como exemplo de distorção.

Qual a experiência de Renan Santos para governar?

Ele afirmou que administrou empresas quebradas e as reconstruiu, mas não deu exemplos concretos. Também citou sua atuação no MBL e no impeachment de Dilma Rousseff.

Como ele vê a família Bolsonaro e o lulismo?

Para o candidato, ambos são "terríveis para o futuro" e representam "duas faces da mesma moeda".

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