Economia

Bets reduzem consumo e atividade econômica, diz USP

ResumoEstudo do Made, da FEA/USP, estima que as bets retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025, equivalente a 0,9% a 1,1% do PIB. O efeito líquido nas contas públicas é negativo, segundo a pesquisa.

Estudo do Made, da FEA/USP, estima que as bets retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica em 2025, o equivalente a 0,9% a 1,1% do PIB, com efeito líquido negativo nas contas públicas.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 15 de setembro de 2026
Bets reduzem consumo e atividade econômica, diz USP

Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP), aponta que as apostas, conhecidas como bets, reduziram o consumo e retiraram da atividade econômica entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões em 2025. O valor equivale a 0,9% a 1,1% do PIB.

A pesquisa estima que essa perda de atividade resultaria em uma redução de arrecadação entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões. Descontados os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas de apostas, o efeito líquido sobre as contas públicas seguiria negativo em, no mínimo, R$ 22 bilhões, podendo chegar a R$ 46 bilhões.

Segundo os pesquisadores, esse intervalo corresponde de 10% a 20% de todo o orçamento destinado à saúde pública na cidade de São Paulo em 2025. A conclusão é que, embora as bets gerem arrecadação direta, a perda de atividade econômica que provocam mais do que compensa essa receita.

O estudo também compara a magnitude do impacto. A perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025 e é cerca de cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro. Mesmo considerando os empregos diretos e indiretos associados às bets, o quadro praticamente não muda, segundo a pesquisa.

Endividamento e concentração de renda

Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que parte das apostas tenha elevado o endividamento das famílias. Se o saldo do crédito para pessoa física subiu cerca de R$ 450 bilhões e a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões tivesse sido financiada por novo crédito, o que o estudo classifica como hipótese extrema, isso corresponderia a cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025.

A pesquisa também aponta possível efeito negativo na distribuição de renda. Considerando que o 1% mais rico fica com cerca de 24% de toda a renda do país, a transferência de dinheiro das famílias para as bets teria aumentado a concentração no topo entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem recebe os lucros das casas de aposta.

"No primeiro caso, apenas retiramos os R$ 62,5 bilhões da renda dos 99% da base, enquanto no segundo adicionamos esse valor para o 1% mais rico. Mesmo no caso mais conservador, é um efeito significativo em um país em que a concentração de renda já é extremamente elevada", afirmam os pesquisadores.

O estudo conclui que o problema das apostas não se limita aos efeitos individuais. Ao retirar renda das famílias, principalmente as de menor renda, as bets podem aumentar a desigualdade, reduzir a demanda e afetar o PIB de maneira relevante, além de reduzirem a arrecadação fiscal e refletirem nas contas públicas.

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