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OMS diz que casos de câncer podem quase dobrar até 2050 e pede ação urgente de países

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que os casos de câncer no mundo podem quase dobrar até 2050, passando de 20 milhões para 35 milhões de novos diagnósticos por ano. O dado faz parte de um relatório da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), braço da OMS, que aponta a necessidade de ações imediatas por parte dos governos para conter o avanço da doença.

A projeção indica que os novos casos de câncer podem chegar a 35 milhões por ano até 2050, um aumento de 77% em relação aos 20 milhões registrados em 2022. O relatório destaca que o envelhecimento populacional, o tabagismo, a obesidade e a poluição do ar são os principais fatores que impulsionam esse crescimento. A IARC classifica a poluição do ar como cancerígena para humanos, com evidências ligando partículas finas a tumores de pulmão.

Fatores de risco em alta

A OMS identifica três grandes grupos de risco que explicam a aceleração dos casos. O primeiro é o envelhecimento da população global: pessoas com mais de 65 anos têm incidência 11 vezes maior de câncer do que adultos jovens. O segundo é a exposição a agentes cancerígenos, como tabaco e álcool. O terceiro são os hábitos alimentares e a inatividade física, que elevam as taxas de obesidade, condição associada a 13 tipos de câncer, incluindo mama, cólon e pâncreas.

Segundo a IARC, o tabagismo segue como a principal causa evitável de câncer no mundo, responsável por cerca de 25% de todas as mortes por câncer. A poluição do ar externo, por sua vez, foi classificada como cancerígena em 2013, e desde então estudos associam a exposição crônica a partículas finas (PM2.5) a tumores de pulmão, especialmente em países de renda média e baixa.

Regiões mais afetadas

O relatório da IARC aponta que as maiores taxas de incidência de câncer estão em países de alta renda, como Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e partes da Europa Ocidental. No entanto, o maior aumento absoluto de casos até 2050 deve ocorrer em países de renda média, como China, Índia e Brasil, devido ao envelhecimento rápido da população e à transição para estilos de vida ocidentais.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que 704 mil novos casos de câncer sejam diagnosticados por ano entre 2023 e 2025, com destaque para tumores de mama, próstata, cólon e reto inca projecao cancer brasil. A OMS reforça que a prevenção primária, redução do tabagismo, controle da obesidade e vacinação contra HPV e hepatite B, é a estratégia mais custo-efetiva para conter o avanço.

Desafios do diagnóstico precoce

A OMS alerta que, sem investimento em diagnóstico precoce, a mortalidade por câncer deve crescer na mesma proporção dos novos casos. Atualmente, cerca de 70% das mortes por câncer ocorrem em países de baixa e média renda, onde o acesso a mamografias, colonoscopias e exames de Papanicolau é limitado.

A agência recomenda que os governos implementem programas de rastreamento populacional, especialmente para câncer de mama, colo do útero e colorretal, que juntos representam cerca de 30% dos novos casos no mundo. No caso do câncer de colo do útero, a vacinação contra o HPV pode reduzir a incidência em até 90%, segundo dados da OMS.

Medidas urgentes recomendadas

A OMS pede que os países adotem cinco ações prioritárias: proibição total da publicidade de tabaco e álcool, aumento de impostos sobre bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, ampliação da vacinação contra HPV e hepatite B, implementação de programas de rastreamento gratuitos e redução dos limites de poluição do ar.

O relatório também destaca a necessidade de investimento em registros de câncer, sistemas que coletam dados sobre incidência e mortalidade. Atualmente, apenas 1 em cada 3 países possui um registro de câncer de base populacional de qualidade, o que dificulta o planejamento de políticas locais.

Perguntas Frequentes

Quais são os tipos de câncer que mais crescerão até 2050?

Segundo a IARC, os casos de câncer de pulmão, mama e colorretal devem continuar sendo os mais comuns, com aumento significativo de tumores associados à obesidade, como pâncreas e fígado.

A poluição do ar realmente causa câncer?

Sim. A IARC classifica a poluição do ar externo como cancerígena do Grupo 1 para humanos, com evidências sólidas ligando a exposição a partículas finas (PM2.5) ao câncer de pulmão.

O que a OMS recomenda para prevenção?

A OMS recomenda a redução do consumo de tabaco e álcool, controle do peso corporal, dieta rica em frutas e vegetais, atividade física regular, vacinação contra HPV e hepatite B, e exames de rastreamento regulares.

O Brasil está preparado para o aumento de casos?

O INCA projeta 704 mil novos casos por ano até 2025, mas a cobertura de mamografia e colonoscopia no SUS é inferior a 30% em algumas regiões. A OMS recomenda que o país amplie o rastreamento e invista em atenção primária inca rastreamento sus.

A mortalidade por câncer vai dobrar também?

A OMS estima que a mortalidade por câncer pode crescer 60% até 2050 se não houver intervenção, com maior impacto em países de baixa e média renda, onde o acesso a tratamento é limitado.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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