Economia

OMS diz que casos de câncer podem quase dobrar até 2050 e pede ação urgente de países

ResumoA Organização Mundial da Saúde projeta que novos casos de câncer no mundo podem subir de 20 milhões para 35 milhões anuais até 2050, um aumento de 77%. O alerta pede ação imediata de governos contra fatores de risco como tabagismo, obesidade e poluição.

OMS projeta que novos casos de câncer no mundo podem subir de 20 milhões para 35 milhões anuais até 2050, um aumento de 77%. O alerta pede ação imediata de governos contra fatores de risco como tabagismo, obesidade e poluição.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 08 de julho de 2026
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que os casos de câncer no mundo podem quase dobrar até 2050, passando de 20 milhões para 35 milhões de novos diagnósticos por ano. O dado faz parte de um relatório da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), braço da OMS, que aponta a necessidade de ações imediatas por parte dos governos para conter o avanço da doença.

A projeção indica que os novos casos de câncer podem chegar a 35 milhões por ano até 2050, um aumento de 77% em relação aos 20 milhões registrados em 2022. O relatório destaca que o envelhecimento populacional, o tabagismo, a obesidade e a poluição do ar são os principais fatores que impulsionam esse crescimento. A IARC classifica a poluição do ar como cancerígena para humanos, com evidências ligando partículas finas a tumores de pulmão.

Fatores de risco em alta

A OMS identifica três grandes grupos de risco que explicam a aceleração dos casos. O primeiro é o envelhecimento da população global: pessoas com mais de 65 anos têm incidência 11 vezes maior de câncer do que adultos jovens. O segundo é a exposição a agentes cancerígenos, como tabaco e álcool. O terceiro são os hábitos alimentares e a inatividade física, que elevam as taxas de obesidade, condição associada a 13 tipos de câncer, incluindo mama, cólon e pâncreas.

Segundo a IARC, o tabagismo segue como a principal causa evitável de câncer no mundo, responsável por cerca de 25% de todas as mortes por câncer. A poluição do ar externo, por sua vez, foi classificada como cancerígena em 2013, e desde então estudos associam a exposição crônica a partículas finas (PM2.5) a tumores de pulmão, especialmente em países de renda média e baixa.

Regiões mais afetadas

O relatório da IARC aponta que as maiores taxas de incidência de câncer estão em países de alta renda, como Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e partes da Europa Ocidental. No entanto, o maior aumento absoluto de casos até 2050 deve ocorrer em países de renda média, como China, Índia e Brasil, devido ao envelhecimento rápido da população e à transição para estilos de vida ocidentais.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que 704 mil novos casos de câncer sejam diagnosticados por ano entre 2023 e 2025, com destaque para tumores de mama, próstata, cólon e reto inca projecao cancer brasil. A OMS reforça que a prevenção primária, redução do tabagismo, controle da obesidade e vacinação contra HPV e hepatite B, é a estratégia mais custo-efetiva para conter o avanço.

Desafios do diagnóstico precoce

A OMS alerta que, sem investimento em diagnóstico precoce, a mortalidade por câncer deve crescer na mesma proporção dos novos casos. Atualmente, cerca de 70% das mortes por câncer ocorrem em países de baixa e média renda, onde o acesso a mamografias, colonoscopias e exames de Papanicolau é limitado.

A agência recomenda que os governos implementem programas de rastreamento populacional, especialmente para câncer de mama, colo do útero e colorretal, que juntos representam cerca de 30% dos novos casos no mundo. No caso do câncer de colo do útero, a vacinação contra o HPV pode reduzir a incidência em até 90%, segundo dados da OMS.

Medidas urgentes recomendadas

A OMS pede que os países adotem cinco ações prioritárias: proibição total da publicidade de tabaco e álcool, aumento de impostos sobre bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, ampliação da vacinação contra HPV e hepatite B, implementação de programas de rastreamento gratuitos e redução dos limites de poluição do ar.

O relatório também destaca a necessidade de investimento em registros de câncer, sistemas que coletam dados sobre incidência e mortalidade. Atualmente, apenas 1 em cada 3 países possui um registro de câncer de base populacional de qualidade, o que dificulta o planejamento de políticas locais.

Perguntas Frequentes

Quais são os tipos de câncer que mais crescerão até 2050?

Segundo a IARC, os casos de câncer de pulmão, mama e colorretal devem continuar sendo os mais comuns, com aumento significativo de tumores associados à obesidade, como pâncreas e fígado.

A poluição do ar realmente causa câncer?

Sim. A IARC classifica a poluição do ar externo como cancerígena do Grupo 1 para humanos, com evidências sólidas ligando a exposição a partículas finas (PM2.5) ao câncer de pulmão.

O que a OMS recomenda para prevenção?

A OMS recomenda a redução do consumo de tabaco e álcool, controle do peso corporal, dieta rica em frutas e vegetais, atividade física regular, vacinação contra HPV e hepatite B, e exames de rastreamento regulares.

O Brasil está preparado para o aumento de casos?

O INCA projeta 704 mil novos casos por ano até 2025, mas a cobertura de mamografia e colonoscopia no SUS é inferior a 30% em algumas regiões. A OMS recomenda que o país amplie o rastreamento e invista em atenção primária inca rastreamento sus.

A mortalidade por câncer vai dobrar também?

A OMS estima que a mortalidade por câncer pode crescer 60% até 2050 se não houver intervenção, com maior impacto em países de baixa e média renda, onde o acesso a tratamento é limitado.

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