Governo prepara nova ação na OMC contra tarifas impostas pela gestão Trump
O governo Lula prepara novo contencioso na OMC contra tarifas de até 37,5% impostas pelos EUA a produtos brasileiros. Medida atinge 16,5% das exportações e afeta setores como máquinas, calçados e móveis. Saiba como a decisão impacta sua empresa.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a nova escalada tarifária imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A iniciativa ocorre após a administração de Donald Trump ampliar as sobretaxas sobre parte das exportações do Brasil, que passaram a alcançar até 37,5% em alguns segmentos.
Como funciona a nova tarifa?
A nova disputa surge após Washington anunciar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros com base em uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, o Brasil apresentaria falhas no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado, o que geraria vantagens competitivas consideradas desleais.
Essa sobretaxa foi adicionada à tarifa de 25% já aplicada anteriormente por supostas práticas comerciais injustas relacionadas ao desmatamento e ao sistema de pagamentos instantâneos Pix. Na prática, parte das exportações brasileiras passou a ser atingida pelas duas medidas simultaneamente.
O que está em jogo para o Brasil?
De acordo com cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), 16,5% das vendas brasileiras destinadas ao mercado americano estão sujeitas à incidência acumulada das duas tarifas, elevando a alíquota total para 37,5%. Entre os setores mais afetados estão os de máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.
Por que uma nova ação na OMC?
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, a equipe do governo concluiu que não será possível utilizar o processo aberto no ano passado contra a tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos. A avaliação é que a nova ofensiva americana possui fundamentos jurídicos distintos, exigindo a abertura de outro contencioso na OMC.
Qual o alcance prático da medida?
Embora o governo pretenda recorrer ao organismo internacional, a medida tem alcance prático reduzido. Desde 2019, o sistema de solução de controvérsias da OMC enfrenta um impasse institucional que impede a obrigatoriedade do cumprimento de suas decisões pelos países-membros.
Reação do governo brasileiro
Logo após o anúncio da nova tarifa, o governo brasileiro rejeitou formalmente as conclusões da investigação conduzida pelos Estados Unidos. Em nota, o Planalto afirmou que não concorda com a aplicação da Seção 301 ao caso brasileiro e contestou a alegação de que o país não combate adequadamente a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.
Perguntas Frequentes
O que é a Seção 301?
É uma lei de comércio dos EUA que permite tarifas contra países considerados com práticas comerciais desleais.
Quais setores são mais afetados?
Máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.
A ação na OMC pode reverter as tarifas?
Desde 2019, o sistema de solução de controvérsias da OMC enfrenta impasse que reduz o alcance prático de suas decisões.
O Brasil já havia aberto processo antes?
Sim, contra tarifa de 50% no ano passado, mas o novo caso exige contencioso distinto.
Como fica o exportador brasileiro?
16,5% das vendas ao mercado americano estão sujeitas à tarifa de 37,5%, impactando diretamente a competitividade.