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Ex-diretor do BC vai contra consenso e aposta em continuidade dos cortes da Selic

Em um cenário de juros altos, com a Selic meta mantida em 14,25% desde o início de agosto de 2026 (Banco Central do Brasil), a aposta de um ex-diretor do Banco Central em novos cortes soa como uma nota dissonante. Para ele, o consenso do mercado pode estar subestimando a força da desinflação em curso.

Resposta direta: Apesar da expectativa majoritária do mercado financeiro por uma pausa no ciclo de queda, um ex-diretor do Banco Central defende que a Selic continuará sendo cortada. O argumento central é que a inflação corrente, especialmente de serviços, dá sinais de desaceleração mais consistente do que indicam as projeções de curto prazo do mercado.

Por que o mercado espera uma pausa nos cortes da Selic?

A visão predominante entre analistas e instituições financeiras é de que o Copom deve interromper o ciclo de redução da taxa básica de juros. O principal motivo é a persistência da inflação de serviços e a desancoragem das expectativas para 2027 e 2028. Segundo o último Relatório Focus, as projeções para o IPCA seguem acima do centro da meta, o que justificaria uma postura mais cautelosa por parte do Banco Central.

O argumento do ex-diretor: continuidade dos cortes

O ex-diretor, que pediu para não ser identificado publicamente por não estar mais no cargo, sustenta que a inflação corrente já apresenta desaceleração mais ampla do que a capturada pelos modelos de curto prazo. "O mercado está olhando para o retrovisor da inflação passada e projetando um cenário que já mudou", afirmou, em referência aos dados de julho e agosto. Para ele, a Selic em 14,25% é um nível excessivo para a atividade econômica atual, e novos cortes seriam necessários para evitar uma recessão desnecessária.

Inflação de serviços: o nó do debate

O principal ponto de divergência é a inflação de serviços. Enquanto o consenso vê rigidez nesse componente, o ex-diretor argumenta que os indicadores de difusão e de núcleo já mostram alívio. Dados do IPCA de junho, por exemplo, indicaram desaceleração em itens como alimentação fora do domicílio e serviços pessoais. "Se o Copom esperar a inflação de serviços convergir totalmente para a meta, vai atrasar o ciclo e causar mais dano do que benefício", completou.

Cenário fiscal e risco fiscal

Outro fator que pesa contra a continuidade dos cortes é a percepção de risco fiscal. O mercado monitora de perto as contas públicas e a trajetória da dívida. O ex-diretor, no entanto, minimiza esse risco no curto prazo, argumentando que o arcabouço fiscal vigente, embora imperfeito, dá previsibilidade suficiente para o Copom agir. "O risco fiscal não mudou da noite para o dia. Ele é o mesmo de três meses atrás, quando o Copom cortou a Selic", ponderou.

O que dizem os dados oficiais?

Os dados do Banco Central mostram que a Selic meta está em 14,25% desde o primeiro dia de agosto de 2026. Esse patamar representa o maior nível de juros reais entre as principais economias do mundo. A continuidade dos cortes depende, em grande medida, da evolução das expectativas de inflação e da atividade econômica nos próximos meses.

Impacto nos mercados: juros futuros e bolsa

A aposta do ex-diretor, se confirmada, teria impacto imediato nos mercados. As taxas dos contratos de juros futuros (DI) cairiam, beneficiando ativos de maior risco, como ações e títulos indexados à inflação. Por outro lado, uma pausa nos cortes manteria os juros elevados, favorecendo a renda fixa tradicional e o câmbio. O mercado de opções já precifica uma chance de 30% de novo corte na reunião de setembro, segundo dados da B3.

Perguntas Frequentes

Quem é o ex-diretor do BC que aposta em novos cortes?

Trata-se de um ex-diretor de política econômica do Banco Central que atuou no governo anterior. Ele não ocupa mais cargo público, mas acompanha de perto as decisões do Copom e tem interlocução com membros atuais da autoridade monetária.

Qual a probabilidade de novos cortes na Selic?

O mercado atribui baixa probabilidade a novos cortes no curto prazo, mas a visão do ex-diretor sugere que há espaço para surpresa. A decisão final dependerá dos dados de inflação de agosto e setembro, além da comunicação do Copom.

O que é a Selic e como ela afeta a economia?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom. Ela influencia todas as outras taxas de juros do país, desde o crédito para empresas até o rendimento da poupança. Quando a Selic cai, o crédito fica mais barato e a economia tende a aquecer.

Por que o mercado está cauteloso com a inflação?

A inflação de serviços e as expectativas desancoradas para os próximos anos são os principais motivos. O mercado teme que cortar os juros agora possa reacender a inflação, exigindo aumentos futuros.

O que significa "consenso de mercado"?

Consenso de mercado é a visão majoritária entre analistas, economistas e instituições financeiras sobre um determinado tema, como a trajetória da Selic. Ele é capturado por pesquisas como o Relatório Focus do Banco Central.

Como investir em cenário de juros altos?

Em cenário de juros elevados, a renda fixa atrelada ao CDI e aos títulos públicos indexados à inflação (NTN-B) costuma ser a melhor opção para investidores conservadores. Já para quem busca maior risco, ações de empresas domésticas podem se beneficiar de eventuais cortes de juros.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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