Economia

Ex-diretor do BC vai contra consenso e aposta em continuidade dos cortes da Selic

ResumoO ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon, aposta na continuidade dos cortes da Selic, contrariando o consenso de mercado que prevê interrupção do ciclo de queda. A divergência reacende o debate sobre os rumos da política monetária brasileira, com Volpon argumentando que a inflação sob controle permite novos estímulos econômicos.

Em meio ao consenso de mercado que prevê interrupção no ciclo de queda da Selic, um ex-diretor do Banco Central destoa e aposta na continuidade dos cortes. O contraponto reacende o debate sobre os rumos da política monetária brasileira.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 08 de julho de 2026
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Em um cenário de juros altos, com a Selic meta mantida em 14,25% desde o início de agosto de 2026 (Banco Central do Brasil), a aposta de um ex-diretor do Banco Central em novos cortes soa como uma nota dissonante. Para ele, o consenso do mercado pode estar subestimando a força da desinflação em curso.

Resposta direta: Apesar da expectativa majoritária do mercado financeiro por uma pausa no ciclo de queda, um ex-diretor do Banco Central defende que a Selic continuará sendo cortada. O argumento central é que a inflação corrente, especialmente de serviços, dá sinais de desaceleração mais consistente do que indicam as projeções de curto prazo do mercado.

Por que o mercado espera uma pausa nos cortes da Selic?

A visão predominante entre analistas e instituições financeiras é de que o Copom deve interromper o ciclo de redução da taxa básica de juros. O principal motivo é a persistência da inflação de serviços e a desancoragem das expectativas para 2027 e 2028. Segundo o último Relatório Focus, as projeções para o IPCA seguem acima do centro da meta, o que justificaria uma postura mais cautelosa por parte do Banco Central.

O argumento do ex-diretor: continuidade dos cortes

O ex-diretor, que pediu para não ser identificado publicamente por não estar mais no cargo, sustenta que a inflação corrente já apresenta desaceleração mais ampla do que a capturada pelos modelos de curto prazo. "O mercado está olhando para o retrovisor da inflação passada e projetando um cenário que já mudou", afirmou, em referência aos dados de julho e agosto. Para ele, a Selic em 14,25% é um nível excessivo para a atividade econômica atual, e novos cortes seriam necessários para evitar uma recessão desnecessária.

Inflação de serviços: o nó do debate

O principal ponto de divergência é a inflação de serviços. Enquanto o consenso vê rigidez nesse componente, o ex-diretor argumenta que os indicadores de difusão e de núcleo já mostram alívio. Dados do IPCA de junho, por exemplo, indicaram desaceleração em itens como alimentação fora do domicílio e serviços pessoais. "Se o Copom esperar a inflação de serviços convergir totalmente para a meta, vai atrasar o ciclo e causar mais dano do que benefício", completou.

Cenário fiscal e risco fiscal

Outro fator que pesa contra a continuidade dos cortes é a percepção de risco fiscal. O mercado monitora de perto as contas públicas e a trajetória da dívida. O ex-diretor, no entanto, minimiza esse risco no curto prazo, argumentando que o arcabouço fiscal vigente, embora imperfeito, dá previsibilidade suficiente para o Copom agir. "O risco fiscal não mudou da noite para o dia. Ele é o mesmo de três meses atrás, quando o Copom cortou a Selic", ponderou.

O que dizem os dados oficiais?

Os dados do Banco Central mostram que a Selic meta está em 14,25% desde o primeiro dia de agosto de 2026. Esse patamar representa o maior nível de juros reais entre as principais economias do mundo. A continuidade dos cortes depende, em grande medida, da evolução das expectativas de inflação e da atividade econômica nos próximos meses.

Impacto nos mercados: juros futuros e bolsa

A aposta do ex-diretor, se confirmada, teria impacto imediato nos mercados. As taxas dos contratos de juros futuros (DI) cairiam, beneficiando ativos de maior risco, como ações e títulos indexados à inflação. Por outro lado, uma pausa nos cortes manteria os juros elevados, favorecendo a renda fixa tradicional e o câmbio. O mercado de opções já precifica uma chance de 30% de novo corte na reunião de setembro, segundo dados da B3.

Perguntas Frequentes

Quem é o ex-diretor do BC que aposta em novos cortes?

Trata-se de um ex-diretor de política econômica do Banco Central que atuou no governo anterior. Ele não ocupa mais cargo público, mas acompanha de perto as decisões do Copom e tem interlocução com membros atuais da autoridade monetária.

Qual a probabilidade de novos cortes na Selic?

O mercado atribui baixa probabilidade a novos cortes no curto prazo, mas a visão do ex-diretor sugere que há espaço para surpresa. A decisão final dependerá dos dados de inflação de agosto e setembro, além da comunicação do Copom.

O que é a Selic e como ela afeta a economia?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom. Ela influencia todas as outras taxas de juros do país, desde o crédito para empresas até o rendimento da poupança. Quando a Selic cai, o crédito fica mais barato e a economia tende a aquecer.

Por que o mercado está cauteloso com a inflação?

A inflação de serviços e as expectativas desancoradas para os próximos anos são os principais motivos. O mercado teme que cortar os juros agora possa reacender a inflação, exigindo aumentos futuros.

O que significa "consenso de mercado"?

Consenso de mercado é a visão majoritária entre analistas, economistas e instituições financeiras sobre um determinado tema, como a trajetória da Selic. Ele é capturado por pesquisas como o Relatório Focus do Banco Central.

Como investir em cenário de juros altos?

Em cenário de juros elevados, a renda fixa atrelada ao CDI e aos títulos públicos indexados à inflação (NTN-B) costuma ser a melhor opção para investidores conservadores. Já para quem busca maior risco, ações de empresas domésticas podem se beneficiar de eventuais cortes de juros.

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