Eneva pode acionar Justiça contra regra da ANP sobre GNL, diz CEO
A Eneva pode acionar a Justiça contra a regulamentação da ANP que prevê acesso de terceiros a terminais de gás natural liquefeito (GNL). A medida foi classificada pelo CEO Lino Cançado como um 'exagero ou preciosidade regulatória'. A declaração foi dada nesta quinta-feira, durante evento do MegaWhat.
'Voltar atrás ou não na regulamentação, acho que a ANP pode estar no direito dela, agora nós vamos buscar o nosso direito também... se a gente achar que isso não está de acordo com a lei, vai caber à companhia questionar essa decisão da Justiça', disse o executivo.
A diretoria da ANP aprovou no fim de junho uma regulamentação que prevê acesso 'não discriminatório e negociado' de terceiros a infraestruturas de gás, incluindo terminais de GNL, gasodutos e outras instalações. Pelas novas regras, os donos de terminais, como a Eneva, teriam que aceitar mediação e arbitragem da ANP em negociações privadas com interessados. 'Se você quer acessar meu terminal, nós vamos negociar, se nós não chegarmos a um acordo, resumidamente, ela (ANP) entraria como árbitro desse acordo', explicou Cançado.
Na visão do CEO, a regra ataca um 'não problema'. O mercado de gás se 'autorregula', com os proprietários já ofertando a terceiros a capacidade disponível. 'Acho que você tem que regular quando tem como monopólio natural... São pelo menos 9 a 10 terminais (no Brasil), de pelo menos cinco agentes diferentes. E todos eles ofertam exatamente a capacidade do terminal nas condições do preço que acham que têm que ofertar', afirmou.
Além da Eneva, também são donas de terminais de GNL a Petrobras, a Edge (da Compass, do grupo Cosan), a New Fortress Energy e GNA. A Âmbar, do grupo J&F, também atua no segmento, tendo arrendado um terminal.
Cançado acrescentou que ainda não há decisão tomada sobre judicializar o tema, e que também não foi apresentado recurso à ANP para reverter a regulamentação. regulação do setor de gás arbitragem em contratos de infraestrutura