Durigan: não cabe retaliação aos EUA, mas governo avalia reciprocidade em tarifas
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não cabe falar em retaliação aos Estados Unidos pelas tarifas impostas, mas que o governo brasileiro avalia medidas de reciprocidade comercial. A declaração foi dada nesta semana em meio à escalada de ten
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não cabe falar em retaliação aos Estados Unidos pelas tarifas impostas, mas que o governo brasileiro avalia medidas de reciprocidade comercial. A declaração foi dada nesta semana em meio à escalada de tensões comerciais entre os dois países.
O que Durigan disse?
Segundo Durigan, a prioridade do governo é manter o diálogo com os EUA, maior parceiro comercial do Brasil fora da América do Sul. "Não cabe falar em retaliação neste momento", declarou o secretário, acrescentando que o governo "avalia todos os instrumentos disponíveis para garantir que os interesses brasileiros sejam protegidos". A fala busca sinalizar moderação, sem descartar medidas futuras.
Contexto das tarifas americanas
Os Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, impuseram tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio importados, afetando diretamente as exportações brasileiras. O Brasil é um dos maiores fornecedores de aço para os EUA, com vendas que superam US$ 3 bilhões anuais. Em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, o Brasil negociou uma cota de exportação para evitar tarifas mais duras, mas o acordo expirou.
O que significa reciprocidade?
Reciprocidade comercial é o princípio de que um país pode aplicar tarifas ou barreiras equivalentes às que outro país impõe sobre seus produtos. No caso, o governo brasileiro estuda elevar tarifas sobre produtos americanos como forma de pressionar Washington a reabrir negociações. Medidas possíveis incluem taxar importações de milho, soja, carne de porco e etanol dos EUA, setores sensíveis politicamente.
Impactos para o Brasil
Uma eventual retaliação teria efeitos duplos. Por um lado, poderia proteger a indústria nacional e dar poder de barganha ao Brasil. Por outro, encareceria insumos e produtos para consumidores brasileiros, além de gerar incertezas para exportadores. O setor siderúrgico, que emprega cerca de 120 mil trabalhadores, é o mais exposto. Já os produtores de algodão e suco de laranja também podem ser afetados, já que os EUA são grandes compradores desses itens.
Próximos passos
O Ministério da Fazenda e o Itamaraty articulam uma estratégia conjunta. A ideia é buscar uma solução negociada antes de qualquer medida unilateral. Durigan indicou que o governo aguarda os desdobramentos das eleições americanas de 2026, que podem mudar o cenário tarifário. Enquanto isso, o Brasil intensifica contatos com outros países afetados, como China e União Europeia, para coordenar respostas.
Perguntas Frequentes
Durigan descartou totalmente a retaliação?
Não. Ele disse que "não cabe falar" em retaliação no momento, mas o governo avalia medidas de reciprocidade. A porta para ações futuras permanece aberta.
Quais produtos brasileiros são mais afetados pelas tarifas?
Aço e alumínio são os principais. O Brasil exporta cerca de 3,5 milhões de toneladas de aço por ano para os EUA, segundo o Instituto Aço Brasil.
O que é reciprocidade comercial?
É a aplicação de tarifas equivalentes às que outro país impõe sobre seus produtos. Serve como instrumento de pressão em negociações bilaterais.
Como a retaliação afetaria o consumidor brasileiro?
Poderia encarecer produtos importados dos EUA, como milho e etanol, impactando preços de alimentos e combustíveis no Brasil.
Qual o papel do Itamaraty nessa questão?
O Ministério das Relações Exteriores coordena a diplomacia comercial, buscando negociação direta com os EUA e articulação com outros países afetados.