Durigan afirma que estabilidade econômica será mantida apesar de tarifas dos EUA
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a estabilidade econômica será mantida apesar das tarifas comerciais dos EUA. Em evento em Brasília, ele disse que o arcabouço fiscal e a meta de inflação seguem como pilares inegociáveis. A declaração ocorre em meio a tensões co
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (Durigan), afirmou que a estabilidade econômica do Brasil será preservada mesmo com as tarifas impostas pelos EUA. Segundo ele, o arcabouço fiscal e a meta de inflação são pilares que não serão flexibilizados. A declaração foi dada durante evento em Brasília nesta quarta-feira.
O que Durigan disse sobre as tarifas dos EUA
Em discurso no seminário "Novos Rumos da Economia", Haddad afirmou que o governo brasileiro mantém o compromisso com a responsabilidade fiscal. "A estabilidade econômica é conquista que não será sacrificada por pressões externas", disse o ministro.
Ele reconheceu que as tarifas americanas sobre aço e alumínio geram incertezas, mas garantiu que a equipe econômica tem instrumentos para mitigar impactos. "O arcabouço fiscal e a meta de inflação continuam sendo nossos guias", completou.
Impactos das tarifas na economia brasileira
As tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio, anunciadas pelos EUA em maio, afetam diretamente setores como siderurgia e metalurgia. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as exportações brasileiras de aço para os EUA somaram US$ 2,8 bilhões em 2025.
Para a balança comercial, o impacto pode chegar a 0,3% do PIB, conforme estimativas da equipe econômica. Haddad afirmou que o governo negocia exceções com Washington e prepara medidas de apoio aos setores afetados impactos das tarifas dos EUA no Brasil.
Arcabouço fiscal como escudo
O novo arcabouço fiscal, aprovado em 2023, estabelece regras para o crescimento das despesas. O ministro reforçou que o cumprimento das metas fiscais é condição para a credibilidade internacional. "Não abriremos mão da disciplina fiscal", declarou.
Segundo o Tesouro Nacional, o déficit primário deve ficar em 0,5% do PIB em 2026, dentro do limite do arcabouço. A dívida pública bruta está projetada em 74% do PIB, patamar considerado administrável por analistas.
Meta de inflação e política monetária
A meta de inflação para 2026 é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. O Banco Central mantém a Selic em 9,75% ao ano, após dois cortes consecutivos.
Haddad disse que a política monetária independente é aliada da estabilidade. "O BC tem autonomia para perseguir a meta, e o governo não interferirá", afirmou. A inflação acumulada em 12 meses até maio foi de 4,2%, acima do centro da meta, mas dentro do intervalo.
Cenário internacional e riscos
Especialistas apontam que tarifas comerciais elevam a inflação global e reduzem o crescimento. O FMI projeta crescimento global de 3,1% em 2026, abaixo dos 3,4% de 2025.
Para o Brasil, a equipe econômica estima PIB de 2,2% em 2026, com riscos de baixa devido ao cenário externo. Haddad afirmou que o governo monitora a situação e pode adotar medidas adicionais se necessário projeções econômicas para 2026.
Reações do mercado e de setores produtivos
O mercado financeiro recebeu com cautela as declarações de Haddad. O dólar comercial fechou a R$ 5,45 nesta quarta-feira, em leve alta de 0,3%. A bolsa de valores (Ibovespa) caiu 0,8%, influenciada pelo noticiário externo.
A indústria siderúrgica, por meio do Instituto Aço Brasil, cobrou medidas compensatórias. O presidente do instituto, Marco Polo de Mello Lopes, disse que "as tarifas americanas são um golpe no setor" e pediu agilidade nas negociações.
Perguntas Frequentes
O que Durigan disse sobre as tarifas dos EUA?
O ministro afirmou que a estabilidade econômica será mantida, com arcabouço fiscal e meta de inflação como pilares.
Quais setores são mais afetados pelas tarifas?
Siderurgia, metalurgia e setores que exportam aço e alumínio para os EUA são os mais impactados.
O governo vai rever o arcabouço fiscal por causa das tarifas?
Não. Haddad afirmou que o arcabouço fiscal é inegociável e continuará sendo seguido.
Qual a meta de inflação para 2026?
3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Como o mercado reagiu às declarações?
Com cautela. Dólar subiu 0,3% e Ibovespa caiu 0,8%, refletindo incertezas externas.