Economia

Durigan sobre recessão 2027: 'Estão forçando a barra por conta da eleição'

ResumoO ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou recessão em 2027 e atribuiu projeções pessimistas ao ambiente eleitoral. Durigan afirmou que juros altos desaquecem a economia, mas não geram retração. A declaração foi feita em entrevista, rebatendo cenários de crise econômica para o período.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou recessão em 2027 e afirmou que projeções pessimistas são alimentadas pelo ambiente eleitoral. Em entrevista, ele destacou que os juros altos desaquecem a economia, mas não geram retração.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 27 de julho de 2026
Durigan sobre recessão 2027: 'Estão forçando a barra por conta da eleição'

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou a possibilidade de uma recessão na economia brasileira em 2027 e afirmou que as projeções mais pessimistas têm sido alimentadas pelo ambiente eleitoral. "Falar em recessão é um exagero e me parece que nós estamos tocando o momento eleitoral", disse em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco nesta segunda-feira (27). Segundo ele, parte do mercado projeta um crescimento em torno de 1% para o próximo ano, abaixo da estimativa do governo, superior a 2%. Ainda assim, ressaltou que um crescimento menor não significa uma recessão.

Como os juros altos afetam sua vida e os negócios

Durigan atribuiu boa parte das dificuldades da economia ao elevado patamar dos juros. "É claro que o empreendedor vê os juros nesse patamar e vai ao banco tomar um empréstimo. Ele fica horrorizado. Como vou investir com juros nesse nível?", afirmou. O ministro acrescentou que o próprio Tesouro Nacional sofre com o custo elevado para financiar a dívida pública. Na avaliação dele, o principal desafio do governo hoje deixou de ser o déficit primário e passou a ser o custo da dívida pública.

O que o governo pretende fazer

Segundo Durigan, o Ministério da Fazenda precisa continuar fazendo "o dever de casa" para reduzir a percepção de risco e permitir uma queda estrutural dos juros. Ele defendeu que as contas públicas estão mais equilibradas do que em 2023, mas reconheceu que o próximo governo terá de aprofundar o ajuste fiscal. "Se nesta gestão fizemos um ajuste de cerca de dois pontos percentuais do PIB, a próxima gestão terá de fazer um esforço parecido, mas mais forte pelo lado da despesa obrigatória", afirmou.

Dívida pública: o que explica o crescimento

Durigan rebateu as críticas de que o aumento da dívida decorre de um suposto descontrole fiscal. Segundo ele, o déficit primário está praticamente zerado desde 2024 e hoje o principal fator de crescimento do endividamento é justamente o pagamento de juros. "O que explica hoje o endividamento são os juros do país", afirmou. O ministro também defendeu a manutenção ou o endurecimento da regra fiscal, além da modernização do Estado para aumentar a eficiência dos gastos públicos.

Comparação com a Argentina e críticas a Milei

Durante a entrevista, Durigan também respondeu às comparações entre Brasil e Argentina e criticou declarações do presidente argentino, Javier Milei. "O palhaço do presidente da Argentina veio ontem e falou do Brasil", afirmou. Na sequência, o ministro argumentou que indicadores brasileiros são mais sólidos do que os argentinos. Segundo ele, o dólar está abaixo do patamar observado no início do governo Lula, o risco-país está próximo das mínimas históricas e o Brasil registra baixo desemprego, inflação menor, safra recorde e saldo comercial robusto. "Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar o apocalipse", afirmou.

Perguntas Frequentes

O que Durigan disse sobre recessão em 2027?

O ministro descartou a possibilidade de recessão e afirmou que as projeções pessimistas são influenciadas pelo ambiente eleitoral.

Qual a previsão de crescimento para 2027?

Parte do mercado projeta crescimento em torno de 1%, enquanto o governo estima superior a 2%.

Por que os juros estão altos no Brasil?

Segundo Durigan, os juros elevados são usados para desaquecer a economia e controlar a inflação, mas geram custos para empresas, famílias e o governo.

O que o governo pretende fazer para reduzir os juros?

O Ministério da Fazenda busca reduzir a percepção de risco e aprofundar o ajuste fiscal, com foco em cortar despesas obrigatórias.

Como a dívida pública brasileira está evoluindo?

O déficit primário está praticamente zerado desde 2024, e o crescimento da dívida é explicado principalmente pelo pagamento de juros.

Durigan comentou sobre a Argentina?

Sim, ele criticou o presidente argentino Javier Milei e defendeu que os indicadores brasileiros são mais sólidos que os argentinos.

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