Credito e Dividas

Trump diz que não fará acordo nuclear sem que sauditas adiram aos Acordos de Abraão

O presidente Donald Trump afirmou que não avançará em um acordo nuclear com a Arábia Saudita sem a normalização das relações sauditas com Israel, conforme os Acordos de Abraão. Essa condição impacta o futuro do relacionamento entre os países e o desenvolvimento nuclear na região.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 26 de julho de 2026
Trump diz que não fará acordo nuclear sem que sauditas adiram aos Acordos de Abraão

Trump diz que não fará acordo nuclear sem que sauditas adiram aos Acordos de Abraão

O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira que não avançará em um acordo nuclear civil com a Arábia Saudita a menos que os sauditas concordem com a normalização das relações com Israel, no contexto dos Acordos de Abraão.

O Departamento de Energia dos EUA informou, na quarta-feira, que o secretário de Energia, Chris Wright, e seu homólogo saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram um acordo para o desenvolvimento dos primeiros reatores nucleares comerciais na Arábia Saudita. Este país, rico em petróleo, terá o acordo encaminhado ao Congresso para análise.

Trump, ao ser questionado sobre as estratégias americanas para o conflito, ressaltou que os Estados Unidos podem continuar na situação atual, acelerar as negociações ou buscar um acordo.

Além disso, Trump anunciou que o governo iniciará "imediatamente" uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, para apurar o que classificou como práticas de "roubo" de empresas americanas e dos contribuintes dos EUA.

Desde seu primeiro mandato, Trump tem trabalhado em um acordo nuclear com a Arábia Saudita. O ex-presidente Joe Biden também pressionou por um acordo semelhante e desejava vinculá-lo aos Acordos de Abraão, o que normalizaria as relações entre a Arábia Saudita e Israel.

Entretanto, a Arábia Saudita não assinou os Acordos de Abraão, pois busca um caminho irreversível para a criação de um Estado palestino antes de reconhecer Israel.

Na quinta-feira, Trump acrescentou publicamente essa condição ao acordo, afirmando em uma postagem nas redes sociais que a Arábia Saudita teria que aderir aos Acordos de Abraão. Em pronunciamento no Salão Oval, Trump enfatizou: "Para fazer isso, eles precisam ser membros dos Acordos de Abraão". Ele também afirmou que não havia discutido os acordos com Wright antes da assinatura do acordo pelo membro do Gabinete, mas reforçou que a condição sempre foi clara para todas as partes envolvidas.

Trump se mostrou confiante de que, eventualmente, a adesão ocorrerá. "Em algum momento, eles vão aderir... e vão desenvolver seu programa nuclear civil, para reiterar, nuclear civil", afirmou Trump.

Um acordo entre os EUA e a Arábia Saudita é visto como benéfico para a Westinghouse, que é de propriedade conjunta das empresas canadenses Cameco e Brookfield Asset Management. Essa parceria pode trazer implicações significativas para o mercado de energia nuclear e para as relações internacionais na região.

Implicações do acordo

A condição imposta por Trump pode ter diversas repercussões. A relação entre os EUA e a Arábia Saudita é fundamental para a estabilidade do Oriente Médio. A adesão da Arábia Saudita aos Acordos de Abraão pode não apenas facilitar a negociação de um acordo nuclear, mas também impactar a dinâmica regional e a segurança no contexto do conflito israelense-palestino.

Os Acordos de Abraão, que visam normalizar as relações entre Israel e países árabes, têm o potencial de criar um novo cenário geopolítico na região, onde a cooperação em segurança e economia pode ser mais viável. Além disso, a parceria no desenvolvimento nuclear pode abrir caminhos para outros países considerarem acordos semelhantes.

O futuro do desenvolvimento nuclear na Arábia Saudita

O desenvolvimento de reatores nucleares comerciais na Arábia Saudita é um passo significativo para o país, que busca diversificar sua matriz energética e reduzir a dependência do petróleo. No entanto, a condição de Trump pode atrasar ou acelerar esse progresso, dependendo das negociações e da disposição da Arábia Saudita em aceitar a normalização de relações com Israel.

A questão da segurança também é premente, uma vez que o desenvolvimento nuclear traz preocupações sobre a proliferação de armas nucleares na região. A adesão aos Acordos de Abraão poderia proporcionar um ambiente mais seguro para essas negociações e garantir que o desenvolvimento nuclear se mantenha dentro de um regime de segurança internacional.

Conclusão

A declaração de Trump ressalta a complexidade das negociações diplomáticas e o impacto que elas têm nas políticas internacionais e no desenvolvimento nuclear. As ações futuras da Arábia Saudita e a resposta dos EUA a essas condições serão cruciais para determinar não apenas o futuro das relações entre esses países, mas também para a segurança e estabilidade do Oriente Médio como um todo.

Perguntas Frequentes

O que são os Acordos de Abraão?

Os Acordos de Abraão são uma série de acordos de normalização das relações entre Israel e vários países árabes, visando promover a paz e a cooperação na região.

Como a Arábia Saudita se posiciona em relação ao acordo nuclear?

A Arábia Saudita busca garantir um caminho para a criação de um Estado palestino antes de reconhecer Israel e, portanto, não assinou os Acordos de Abraão.

Quais são as implicações do acordo nuclear para a segurança regional?

O desenvolvimento de um programa nuclear civil pode levantar preocupações sobre a proliferação de armas nucleares, tornando a segurança uma questão central nas negociações.

O que Trump espera alcançar com essa condição?

Trump espera que a adesão da Arábia Saudita aos Acordos de Abraão facilite um acordo nuclear que beneficie os EUA e a estabilidade regional.

Leia também

Publicidade