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Assistir televisão demais pode afetar seu cérebro, mostra estudo

Um estudo recente sugere que assistir televisão em excesso pode ter efeitos negativos na saúde do cérebro, principalmente em homens. A pesquisa analisou mais de 1.700 adultos durante quase 24 anos.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 26 de julho de 2026
Assistir televisão demais pode afetar seu cérebro, mostra estudo

Assistir televisão demais pode, realmente, afetar seu cérebro, mostra estudo

Um novo estudo sugere que passar horas assistindo televisão pode ter um efeito negativo na saúde cerebral. A pesquisa, publicada na revista Alzheimer's & Dementia: Journal of the Alzheimer's Association, acompanhou mais de 1.700 adultos por quase 24 anos e revelou que os homens que assistiam frequentemente à TV na meia-idade apresentavam volumes cerebrais menores em áreas vulneráveis à doença de Alzheimer.

Isso é significativo, pois o mesmo não foi observado em mulheres. O estudo indicou que os danos cerebrais associados ao declínio cognitivo e à demência foram mais pronunciados nos homens que passavam longos períodos assistindo televisão.

Efeitos da atividade sedentária

Os pesquisadores analisaram as diferenças entre as atividades realizadas enquanto as pessoas estavam sentadas. Para garantir que o efeito não se relacionava apenas ao tempo sentado, foram consideradas as diferenças na atividade física geral dos participantes. Os resultados indicaram que a prática de exercícios não interferiu nas conclusões do estudo.

David Raichlen, biólogo da Universidade do Sul da Califórnia, comentou: "Durante anos, concentramos-nos em quanto tempo as pessoas passam sentadas. Nossas descobertas sugerem que também devemos prestar atenção ao que elas estão fazendo enquanto estão sentadas."

Alterações cerebrais observadas

Os pesquisadores focaram em áreas do cérebro conhecidas por apresentarem alterações precoces na doença de Alzheimer e demências relacionadas, além de áreas com maior volume de hiperintensidade da substância branca (HSB). Este marcador é associado ao declínio cognitivo e ao risco de demência. Aqueles que relataram assistir à televisão "com muita frequência" mostraram mais lesões na substância branca e volumes cerebrais menores em regiões críticas.

Comparando com aqueles que passavam longos períodos sentados durante o trabalho, os que estavam ativamente envolvidos em tarefas como leitura e escrita apresentaram menos lesões e maiores volumes nos córtices frontal, parietal e occipital. Pesquisas anteriores sugerem que atividades mentalmente estimulantes podem ajudar a construir uma "reserva cognitiva", permitindo ao cérebro lidar melhor com as alterações relacionadas ao envelhecimento.

Diferenças entre os sexos

Um aspecto surpreendente do estudo foi a diferença marcante entre homens e mulheres. Natan Feter, biólogo da mesma universidade, afirmou: "Descobrimos que as associações entre assistir TV e a estrutura cerebral eram muito mais fortes nos homens do que nas mulheres." Isso pode ocorrer devido a como homens e mulheres acumulam tempo sedentário de maneiras diferentes.

Por exemplo, as mulheres podem interromper o tempo sentadas com mais frequência, enquanto os homens tendem a assistir a esportes e filmes em longos períodos ininterruptos. Além disso, diferenças hormonais e fatores de estilo de vida, como responsabilidades com o cuidado dos filhos, podem influenciar esses resultados.

Limitações do estudo

É importante ressaltar que o estudo apresenta limitações. Os dados foram autorrelatados, o que pode ser menos confiável do que dados medidos objetivamente. Além disso, a pesquisa não prova que assistir à televisão causou diretamente as diferenças observadas no cérebro.

Por fim, a diferença de gênero na resposta ao comportamento sedentário prolongado sugere que mais pesquisas são necessárias para entender plenamente as implicações do tempo gasto em atividades sedentárias e seus efeitos na saúde cerebral.

Conclusão

Em suma, o estudo sugere que assistir televisão em excesso pode ter efeitos negativos na saúde do cérebro, especialmente em homens. Portanto, buscar formas de manter o cérebro ativo, mesmo durante períodos de sedentarismo, pode ser fundamental para a saúde cognitiva a longo prazo.

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