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Wall Street opera sem direção única com sell-off de semicondutores e à espera do Fed

ResumoWall Street opera sem direção única nesta terça-feira (28), com sell-off de semicondutores e incertezas sobre investimentos em IA. Apple ultrapassou Nvidia e voltou a ser a empresa mais valiosa. Mercado aguarda decisão do Federal Reserve e monitora trégua entre EUA e China.

Wall Street abriu em tom misto nesta terça-feira (28), com forte pressão vendedora sobre o setor de semicondutores e incertezas sobre investimentos em IA. Apple ultrapassou Nvidia e voltou a ser a empresa mais valiosa. Mercado aguarda decisão do Fed e monitora trégua entre EUA e

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 28 de julho de 2026
Wall Street opera sem direção única com sell-off de semicondutores e à espera do Fed

Os índices de Wall Street abriram o pregão desta terça-feira (28) em tom misto, com forte pressão vendedora sobre o setor de semicondutores. O movimento reflete incertezas sobre a sustentabilidade dos investimentos massivos em infraestrutura de inteligência artificial (IA).

Com o sell-off em IA, a Apple (AAPL) ultrapassou a Nvidia (NVDA) e voltou a ser a empresa mais valiosa do mundo. O mercado monitora de perto os desdobramentos geopolíticos e a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), prevista para amanhã (29).

Sell-off de semicondutores e a nova liderança da Apple

O setor de semicondutores amanheceu sob forte pressão vendedora. A Nvidia (NVDA), que vinha liderando o rali de IA, perdeu o posto de empresa mais valiosa para a Apple (AAPL). O movimento reflete dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em infraestrutura de IA.

Investidores que acompanham o setor há anos sabem que ciclos de euforia tecnológica tendem a gerar correções. O sell-off de hoje não é exceção: a dúvida agora é se o ritmo de gastos em data centers e chips especializados se sustenta no curto prazo.

Trégua entre EUA e Irã e impacto no petróleo

A trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã continua no radar. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyyed Abbas Araqchi, teve conversas telefônicas separadas com Faisal bin Farhan, da Arábia Saudita, e Badr Al-Busaidi, de Omã, sobre "os mais recentes desenvolvimentos bilaterais e regionais", segundo comunicado do Telegram.

Araqchi afirmou que as conversas "enfatizaram a necessidade de fortalecer a cooperação e avançar nos esforços diplomáticos conjuntos para estabelecer a estabilidade na região e eliminar a insegurança imposta ao Estreito de Ormuz pelas ações agressivas dos Estados Unidos".

De acordo com a Reuters, Omã também apresentou uma proposta para a criação de um mecanismo regional conjunto para a gestão do Estreito de Ormuz, com taxas voluntárias. O Irã não exerceria o controle exclusivo dessa via navegável.

Na tarde de ontem (27), o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que está mantendo "boas conversas" com o Irã. Teerã, por sua vez, fez comentários semelhantes sobre retaliação.

Petróleo estende perdas, mas de forma moderada

Em reação, os preços do petróleo estendem as perdas da véspera, mas de forma moderada. Por volta de 10h (horário de Brasília), os contratos mais líquidos do Brent, referência para o mercado internacional, para outubro caíam 2,03%, a US$ 84,14 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para setembro tinham recuo de 1,72%, a US$ 81,18 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, no mesmo horário.

Balanços corporativos e a semana de gigantes da tecnologia

Os balanços corporativos também ficam no radar. Amazon, Apple, Meta Platforms e Microsoft divulgam os resultados do segundo trimestre ao longo da semana. O desempenho dessas empresas pode ditar o tom dos próximos pregões.

Para quem investe em tecnologia, a leitura é clara: o sell-off de hoje pode ser uma oportunidade de entrada em papéis de qualidade, desde que os balanços confirmem a tese de crescimento sustentável.

Fed: decisão de juros amanhã (29)

Amanhã (29), o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed) divulga uma nova decisão de política monetária. O mercado espera uma nova manutenção nos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders veem 66,3% de chance de juros inalterados pelo Fed nesta manhã. Já para a decisão de setembro, a aposta majoritária segue de ajuste para cima (77,4%).

ING projeta manutenção e alerta para riscos

O ING também espera uma manutenção das taxas. "Consideramos as expectativas de inflação suficientemente controladas para nos deixar tranquilos. Além disso, a estrutura da curva de juros não indica um ciclo de alta das taxas. Especificamente, o título de 5 anos está com patamar elevado em relação à curva", afirmou Padhraic Garvey, chefe regional de research para as Américas do ING em nota enviada a clientes nesta manhã.

"É incomum o Fed iniciar um ciclo de aumento de juros com os títulos de 5 anos mais próximos da curva. Se estivermos errados e o Fed de fato aumentar os juros (seja nesta reunião ou na próxima), a estrutura da curva sugere que quaisquer aumentos realizados serão posteriormente revertidos, e a taxa básica de juros acabará sendo menor do que é hoje dentro de um período de 12 meses", acrescentou.

O ING também avalia que a aversão do presidente do Fed, Kevin Warsh, ao forward guidance aumenta a percepção dos mercados de risco de surpresas no dia da reunião.

Para o investidor, a mensagem é de cautela: a curva de juros sinaliza que o Fed pode não ter espaço para subir juros sem gerar reversão futura. O ciclo sempre vira, e quem está posicionado para juros estáveis ou em queda tende a se beneficiar.

Como o cenário afeta seus investimentos

A combinação de sell-off em IA, trégua geopolítica e expectativa de juros estáveis cria um ambiente de volatilidade, mas também de oportunidades. Setores como tecnologia de qualidade, petróleo (com queda moderada) e renda fixa atrelada à curva de juros americana merecem atenção.

Quem investe em ações americanas deve ficar de olho nos balanços de Amazon, Apple, Meta e Microsoft. Resultados fortes podem reverter o pessimismo do setor de semicondutores. Já para quem prefere renda fixa, a curva de juros sugere que títulos de 5 anos podem ser uma boa janela de entrada.

Perguntas Frequentes

O que está causando o sell-off de semicondutores?

O sell-off reflete incertezas sobre a sustentabilidade dos investimentos massivos em infraestrutura de inteligência artificial (IA), pressionando o setor de semicondutores.

Por que a Apple ultrapassou a Nvidia?

Com a pressão vendedora sobre semicondutores, a Apple (AAPL) ultrapassou a Nvidia (NVDA) e voltou a ser a empresa mais valiosa do mundo.

Qual a expectativa para a decisão do Fed amanhã?

O mercado espera manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, com 66,3% de chance de juros inalterados, segundo o FedWatch.

Como a trégua entre EUA e Irã afeta o petróleo?

A trégua reduz prêmios de risco geopolítico, pressionando os preços do petróleo para baixo. O Brent cai 2,03% e o WTI recua 1,72%.

Quais balanços corporativos são destaque nesta semana?

Amazon, Apple, Meta Platforms e Microsoft divulgam resultados do segundo trimestre ao longo da semana.

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