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Treasury de 10 anos atinge maior nível desde novembro de 2023

ResumoO Treasury de 10 anos atingiu 4,839% em janeiro de 2025, o maior patamar desde novembro de 2023. A alta reflete expectativas de inflação persistente e política monetária restritiva do Federal Reserve. Investidores em renda fixa enfrentam pressão nos preços dos títulos existentes, enquanto novos compradores obtêm yields mais atrativos.

O rendimento do Treasury de 10 anos subiu a 4,839%, maior nível desde novembro de 2023. Entenda o que motivou a alta e o impacto para investidores.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 09 de setembro de 2026
Treasury de 10 anos atinge maior nível desde novembro de 2023

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, bateram novas máximas históricas nesta quarta-feira (9). O yield do título de 10 anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, atingiu 4,839%, o maior nível desde novembro de 2023.

O movimento acontece após o Departamento do Tesouro dos EUA anunciar a recompra de US$ 6 bilhões em títulos de 10 e 20 anos, operação prevista para a próxima quinta-feira (10) e que representa o triplo do montante habitual. O Tesouro também informou que as operações futuras custarão pelo menos US$ 4 bilhões. No mês passado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o órgão dobraria as recompras de títulos de prazo mais longo, com valor que pode superar US$ 4 bilhões por emissão.

Nas últimas semanas, a disparada dos Treasuries refletiu a crescente preocupação dos investidores com a inflação e a trajetória fiscal dos EUA, em cenário marcado por tensões geopolíticas e pressão dos preços de energia, impulsionada pela recente valorização do petróleo. O yield de 30 anos, referência para hipotecas de longo prazo, subiu para 5,292%, enquanto o de dois anos, mais sensível à política monetária, opera com alta de 1 ponto-base, a 4,415%.

Apesar da iniciativa do Tesouro, estrategistas avaliam que o impacto sobre os juros deve ser limitado no curto prazo. Para o JP Morgan, não há evidências de problemas de funcionamento no mercado que justifiquem ampliação das recompras de títulos longos. "As recompras têm como objetivo principal melhorar a liquidez e o funcionamento do mercado, oferecendo aos investidores uma forma previsível de vender títulos mais antigos, os off-the-run, de volta ao governo. No entanto, as métricas não apontam para deterioração relevante da liquidez", escreveram os analistas. "A dispersão dos preços dos títulos longos está próxima das mínimas de vários anos, enquanto a diferença de valuation entre on-the-run e off-the-run não mostra grandes distorções."

Na avaliação do banco, a explicação para a intervenção é política: o Tesouro parece desconfortável com a alta dos rendimentos de longo prazo, que vai contra o objetivo declarado por Bessent. Para quem acompanha o mercado, o recado é claro: a trajetória dos juros americanos segue sensível a inflação, política fiscal e preços de energia, e a recompra de títulos, embora relevante, pode não ser suficiente para conter o avanço dos yields no curto prazo.

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