Investimentos

Tesouro IPCA+: juro real recorde, vendas disparam 73% no semestre

ResumoTesouro IPCA+ registrou juro real recorde no vencimento de 2026, impulsionando vendas do título em 73% no semestre. A inflação acumulada em 12 meses de 4,2% e a rentabilidade real atrativa motivaram investidores a buscar proteção contra a alta de preços.

O Tesouro IPCA+ atingiu juro real recorde em 2026, impulsionando uma corrida de investidores que elevou as vendas do título em 73% no semestre. Com a inflação acumulada em 12 meses em 4,2%, a rentabilidade real atrai quem busca proteção contra a alta de preços.

Lia Hartmann
Lia Hartmann Especialista em renda fixa · 08 de julho de 2026
Avó de 82 anos recusa US$ 26 mi por fazenda contra data cent

O Tesouro IPCA+ registrou juro real recorde no primeiro semestre de 2026, impulsionando uma corrida de investidores que elevou as vendas do título em 73% no período. O movimento reflete a busca por proteção contra a inflação, que acumulou alta de 4,2% em 12 meses até maio, segundo o IBGE e o Banco Central.

Juro real recorde atrai investidores para o Tesouro IPCA+

O juro real do Tesouro IPCA+ atingiu o maior patamar da série histórica, superando os 7% ao ano em alguns vencimentos. Esse rendimento, somado à correção pela inflação oficial, torna o título uma das opções mais atraentes da renda fixa brasileira. Segundo o Banco Central, a variação mensal do IPCA em maio de 2026 foi 0,58%, enquanto em abril foi 0,67% e em março, 0,88%.

Por que o juro real subiu tanto?

A alta dos juros reais está ligada à política monetária do Banco Central, que elevou a Selic para conter a inflação. Com a taxa básica em dois dígitos, os títulos públicos corrigidos pela inflação passaram a oferecer prêmios maiores. O IPCA acumulado em 12 meses, que encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), ainda pressiona o poder de compra, mas o juro real recorde compensa o investidor.

Vendas saltam 73% no semestre: o que explica?

O volume de vendas do Tesouro IPCA+ cresceu 73% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Esse salto reflete a migração de investidores de aplicações tradicionais, como a poupança, para títulos com retorno real positivo. O movimento foi impulsionado por dois fatores: a alta do juro real e a expectativa de que a inflação se mantenha elevada nos próximos meses.

Perfil do investidor que migrou

Grande parte dos novos compradores são pessoas físicas, incluindo muitos investidores de varejo que antes priorizavam a liquidez diária. O Tesouro IPCA+ com vencimentos mais curtos (2029 e 2032) concentrou a maior demanda, por oferecer proteção contra a inflação sem prazo de maturação muito longo.

Como a inflação impacta o Tesouro IPCA+?

O Tesouro IPCA+ paga uma taxa de juros fixa mais a variação do IPCA. Quanto maior a inflação, maior o rendimento nominal. O IPCA registrou variação de 0,88% em março de 2026 (IBGE, IPCA mensal, mar/2026), 0,70% em fevereiro e 0,33% em janeiro. A tendência de alta nos primeiros meses do ano reforçou a procura pelo título.

O juro composto não perdoa: simulação prática

Um investidor que aplicou R$ 10 mil no Tesouro IPCA+ com juro real de 7% ao ano, em maio de 2026, teria, em 5 anos, um montante corrigido pela inflação mais os juros. Se o IPCA acumular 4% ao ano, o valor nominal chegaria a aproximadamente R$ 17,6 mil. O juro composto amplifica o ganho real, mas exige paciência, o título não tem liquidez diária sem marcação a mercado.

Riscos e cautela: o que considerar antes de investir

Apesar do juro real recorde, o Tesouro IPCA+ não é isento de riscos. O principal é a marcação a mercado: se os juros reais subirem ainda mais, o valor de negociação do título cai. Para quem vende antes do vencimento, pode haver perda do principal. Além disso, a inflação futura é incerta. O Banco Central projeta convergência para a meta, mas dados recentes mostram pressão: o IPCA de abril a maio acumulou alta de 1,25 ponto percentual.

Estratégia para o investidor cauteloso

Para quem não quer se expor à volatilidade de curto prazo, a recomendação é optar por vencimentos mais curtos (até 5 anos) ou escalonar as compras em diferentes datas. Isso reduz o impacto da marcação a mercado e garante que parte do capital esteja sempre próximo do vencimento.

Comparativo: Tesouro IPCA+ vs. outras opções de renda fixa

| Título | Rentabilidade real | Risco | Liquidez | |--------|-------------------|------|----------| | Tesouro IPCA+ | Juro real + IPCA | Marcação a mercado | D+1 | | Tesouro Selic | Selic | Baixíssimo | D+1 | | CDB pós-fixado | CDI | Risco de crédito | D+1 a prazo | | Poupança | 0,5% a.m. + TR | Baixíssimo | Diária |

O Tesouro IPCA+ oferece o maior potencial de ganho real, mas exige horizonte de investimento mais longo. Para quem precisa de liquidez imediata, o Tesouro Selic é mais adequado.

O que esperar para o segundo semestre?

A tendência é que o Tesouro IPCA+ continue atraindo investidores, especialmente se a inflação se mantiver acima da meta. O IPCA de dezembro de 2025 fechou em 0,33% (Banco Central, 2025-12-01), e a trajetória de alta nos primeiros meses de 2026 sugere que o título seguirá como protagonista da renda fixa.

Tesouro Direto: como investir em títulos públicos

Perguntas Frequentes

Qual o juro real atual do Tesouro IPCA+?

O juro real superou os 7% ao ano em maio de 2026, maior patamar da série histórica.

O Tesouro IPCA+ é seguro?

Sim, é emitido pelo Tesouro Nacional, mas sofre marcação a mercado se vendido antes do vencimento.

Como declarar o Tesouro IPCA+ no Imposto de Renda?

Os rendimentos são tributados pela tabela regressiva do IR, com alíquota de 15% para aplicações acima de 2 anos.

Vale a pena comprar Tesouro IPCA+ agora?

Sim, para quem tem horizonte de médio a longo prazo e busca proteção contra a inflação.

Qual a diferença entre Tesouro IPCA+ e Tesouro Selic?

O IPCA+ rende juro real mais inflação; o Selic acompanha a taxa básica. O IPCA+ tem maior potencial de ganho, mas menor liquidez.

Leia também

Publicidade