Selic 2026: XP corta projeção para 13,25% e vê respiro
A XP Investimentos reduziu a projeção da Selic para 2026 de 14% para 13,25%, citando inflação mais fraca e atividade econômica desacelerando. A corretora vê espaço para o Copom continuar cortando os juros, com um ritmo mais intenso no próximo ano.
Segundo o economista Caio Megale, da XP, a inflação deverá vir melhor que o esperado. "O estímulo fiscal não tem sido tão efetivo em impulsionar a demanda, uma vez que o endividamento de consumidores e empresas permanece elevado, os custos de produção estão mais pressionados e os indicadores de confiança vêm recuando", destaca.
Dados de atividade de alta frequência, como produção industrial, receita de serviços e vendas no varejo, estão mais fracos e abaixo das projeções, o que pode justificar cortes maiores na Selic. Embora o mercado de trabalho continue apertado, a XP observa sinais de moderação na criação de empregos e na renda. "Adicionalmente, os principais indicadores de concessão de crédito perderam tração, em um ambiente de juros ainda elevados e aumento da inadimplência."
No segundo trimestre, os grandes bancos sentiram o impacto dessa piora. As provisões para devedores duvidosos (PDD) somadas saltaram de R$ 40 bilhões para R$ 47 bilhões em um trimestre. Os núcleos do IPCA, principal indicador de inflação, estão agora ligeiramente abaixo de 4%, contra cerca de 5% há alguns meses.
A XP acredita que o Copom decidirá por outro corte de 0,25 ponto percentual em setembro. O Banco Central iniciou o ciclo de cortes em 18 de março de 2026, com redução de 0,25 ponto. Desde então, a taxa caiu 1 ponto percentual, para 14%. "Nesse momento, não faria mais sentido interromper o ciclo e esperar que os choques se dissipem. Então, o Comitê provavelmente seguirá reduzindo a taxa básica de juros de forma gradual nas demais reuniões do ano."
Para o ano que vem, a XP estima que a projeção do Copom para o avanço do PIB esteja entre 1,6% e 1,7%. Com a perda de fôlego da economia, Megale e Margato avaliam que o ritmo de afrouxamento monetário acelerará para 0,50 ponto a partir da segunda reunião de 2027, em março.
Para quem tem investimentos atrelados à Selic, a revisão indica rendimentos menores nos próximos meses. Quem pensa em contratar crédito pode encontrar taxas mais baixas, mas ainda em patamar elevado. Acompanhar as próximas decisões do Copom é essencial para ajustar sua estratégia.