Tenda (TEND3) despenca 5,8% e lidera perdas do Ibovespa nesta quarta (9)
As ações da Tenda (TEND3) operam em forte queda nesta quarta-feira (9), com recuo de quase 6%, liderando as perdas do Ibovespa. Entenda o que está por trás do movimento.
As ações da construtora Tenda (TEND3), focada no segmento de baixa renda, operam em forte queda nesta quarta-feira (9) e lideram as perdas do Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira. Por volta das 13h20, os papéis caíam aproximadamente 5,8%, negociados a R$ 33,13 na B3.
O recuo ocorre em meio a um dia negativo para ações de consumo cíclico e para a indústria acionária em geral. O Ibovespa acompanha a cautela no exterior, com mercados internacionais em baixa e o petróleo Brent acima dos US$ 101 por barril, o que reacende preocupações com a inflação global. Na mínima do dia, o índice recuou 1,36%, aos 184.810,27 pontos. O IMOB, que reúne papéis do setor imobiliário, registrava queda de até 2,6% na sessão.
Além do ambiente negativo, hoje é o primeiro pregão da Tenda após a efetivação, ontem (8), de Marcos Cruz como novo diretor-presidente (CEO), em substituição a Rodrigo Osmo. A mudança dá sequência ao fato relevante de 7 de maio, quando a companhia anunciou o início do processo formal de transição da liderança. Cruz comandou a Nitro Química, foi sócio da McKinsey por 14 anos e secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo. A Tenda afirmou confiar na capacidade do executivo de dar continuidade ao crescimento sustentável, mantendo o foco na abordagem industrial e no aumento de produtividade.
Osmo permanecerá à frente da Alea, frente de casas pré-fabricadas, como CEO até o primeiro semestre de 2027, quando deve ocorrer a transição para Cruz. Depois, a expectativa é que ele passe a integrar apenas o conselho de administração. Para analistas do Bradesco BBI e da Ágora Investimentos, a transição parece ter ocorrido de forma tranquila, com o período de gestão conjunta reforçando a continuidade estratégica.
A Tenda também passou a integrar o Ibovespa ontem (8), movimento que tende a ampliar a visibilidade do papel. Segundo o BBI, a inclusão já era esperada devido ao forte desempenho das ações em 2026, com alta de 43% desde janeiro, e à melhora na liquidez, com volume médio diário de R$ 87 milhões nos últimos três meses. "Embora a inclusão não altere os fundamentos, ela deve aumentar a liquidez e ampliar a visibilidade", avaliou o banco.
O ciclo sempre vira, mas o investidor precisa separar o ruído do dia, como a cautela global e a troca de comando, da trajetória de médio prazo da companhia. A queda de hoje reflete mais o cenário macro do que uma mudança nos fundamentos da Tenda.