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Temporada de balanços 2T26: ações e setores para ficar de olho

ResumoTemporada de balanços 2T26 apresenta resultados polarizados no mercado brasileiro. WEG, Petrobras e Vale lideram destaques positivos, impulsionadas pelo desempenho de commodities. Setores de varejo e construção civil enfrentam desafios com juros elevados, gerando cenário de contrastes entre os segmentos econômicos.

A temporada de resultados do 2T26 ganha força com destaque para WEG, Petrobras e Vale. Analistas apontam cenário polarizado: commodities brilham, enquanto varejo e construção sofrem com juros altos.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 21 de julho de 2026
Temporada de balanços 2T26: ações e setores para ficar de olho

Temporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olho

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) ganha força a partir desta semana, com atenção para os números da WEG (WEGE3) na quarta-feira (22), antes da abertura do mercado. O cenário é de resultados polarizados: enquanto setores ligados a commodities devem brilhar, segmentos domésticos sensíveis a juros tendem a mostrar margens apertadas.

A temporada de balanços do 2T26 começa a ganhar força, com destaque para WEG (WEGE3) na quarta-feira (22). Analistas do Bradesco BBI esperam crescimento de 38% nos lucros, enquanto o Santander vê alta de 23% no Ebitda. Setores de commodities, como Petróleo e Gás, lideram, enquanto varejo, construção e educação sofrem com juros elevados.

O macro pesa mais que a operação

André Matos, CEO da MA7 Capital, projeta uma temporada de resultados morna, com o macro pesando mais do que a operação das empresas. "O grande protagonista desse trimestre é a Selic em 14,25%, e ela machuca de dois jeitos. Encarece a despesa financeira de quem está endividado e ainda freia consumo e crédito, então quem depende do bolso do brasileiro tende a mostrar margem apertada", avalia.

Por isso, o mercado espera mais pressão nos setores sensíveis a juros, como varejo, construção e educação, e também nas aéreas, que ainda apanham do combustível caro. Do outro lado, alguns segmentos devem sustentar bons números. Para o analista, os bancos tendem a entregar resultados sólidos, ainda que com atenção redobrada à inadimplência. Distribuição de combustíveis, saúde e locação de veículos aparecem como candidatos a surpresas positivas.

"Nas commodities a leitura é mista, o petróleo mais caro ajuda a Petrobras (PETR4), mas o minério mais fraco tende a pressionar a Vale (VALE3) e as siderúrgicas", aponta.

Bradesco BBI projeta alta de 38% nos lucros

Para a equipe de estrategistas do Bradesco BBI, liderada por Pedro Grimaldi, a expectativa é de um crescimento robusto de lucros: 38% em relação ao ano passado. O banco vê algumas forças explicando este número. Em primeiro lugar, as commodities partiriam de uma base fraca: os setores de Energia e Materiais Básicos sofreram muito no ano passado, então qualquer melhora aparece amplificada nos resultados.

Em segundo lugar, as empresas domésticas devem surpreender positivamente: mesmo com os juros reais mais altos do planeta, os lucros dessas empresas devem crescer cerca de 20%. Ou seja, o consumidor está mais resiliente do que o mercado supunha.

Neste sentido, os analistas destacam destaques e lanternas. As elétricas devem liderar o avanço dos resultados, com crescimento estimado de 53%, enquanto consumo discricionário aparece como o principal destaque negativo, com previsão de queda de 24% nos lucros.

Santander vê concentração em commodities

O Santander também vê expectativa de forte concentração dos ganhos em empresas ligadas a commodities, especialmente Petróleo e Gás, enquanto setores domésticos devem mostrar desaceleração, com atenção para varejo, construção residencial e bancos, que devem registrar revisões para baixo.

"As revisões recentes nas estimativas de consenso para o segundo trimestre de 2026 (2T26) reforçam um cenário de resultados cada vez mais seletivo entre os setores. O setor de Óleo e Gás destaca-se como o caso positivo evidente, apresentando revisões para cima tanto no lucro líquido quanto no Ebitda ao longo dos últimos um e três meses, reflexo, em grande medida, dos preços mais elevados do petróleo durante o período", aponta a equipe de análise do Santander.

Já os setores de Saúde e Propriedades Geradoras de Renda também registraram revisões positivas nas estimativas de Ebitda, enquanto o setor de Bens de Capital apresentou uma melhora notável nas expectativas de lucro líquido para o horizonte de um mês.

Por outro lado, os setores de Varejo, Construção Civil e Bancos sofreram revisões generalizadas para baixo em suas expectativas de resultados, em consonância com um ambiente ainda desafiador, marcado por taxas de juros reais elevadas e condições de crédito mais restritivas.

"Em suma, as revisões nas estimativas de consenso para o 2T26 apontam para um cenário de resultados polarizado: as empresas de Óleo e Gás, de modo geral, beneficiam-se de um ambiente de preços mais favorável, ao passo que os setores voltados ao mercado interno permanecem sob pressão devido às condições financeiras restritivas", avalia.

Para o universo de empresas brasileiras coberto pelo Santander, a expectativa é de crescimento médio anual de aproximadamente 10% na receita líquida, 23% no Ebitda e 20% no lucro líquido no segundo trimestre de 2026.

Os setores ligados a commodities devem ser os principais responsáveis pelo avanço dos resultados, especialmente Petróleo & Gás, beneficiados por um ambiente de preços mais favorável ao longo do trimestre. O Santander estima crescimento médio de cerca de 11% na receita líquida e de 33% no Ebitda para as companhias expostas a commodities.

Nos setores domésticos, o banco projeta crescimento médio de 10% na receita líquida, 8% no Ebitda e 10% no lucro líquido. Embora os resultados devam permanecer saudáveis, o ritmo de expansão tende a desacelerar em relação ao 1T26, refletindo um ambiente ainda desafiador de juros reais elevados e condições de crédito mais restritivas.

Vale, Petrobras e siderúrgicas: o que esperar

No segmento de Metais & Mineração, o Santander espera que a Vale (VALE3) apresente resultados sólidos, apoiados por um ambiente de preços favorável, apesar de desafios operacionais típicos. Os embarques de minério de ferro devem crescer na comparação anual, enquanto a divisão de Metais para Transição Energética continuará contribuindo de forma relevante para os resultados, beneficiada pelos preços mais elevados de cobre e níquel, apesar de volumes menores na comparação sequencial.

Por outro lado, o Itaú BBA acredita que a Vale deva enfrentar pressão de custos e preços mais baixos. Na visão do banco, o Ebitda proforma deve cair 7% em base trimestral, para US$ 3,63 bilhões. No segmento de ferrosos, o aumento de 16% nos embarques deve ser mais que compensado pela alta de US$ 2/t no custo C1 (custo caixa de produção), para US$ 30,1 por tonelada, pressionado pelo real mais forte. Em metais básicos, o Ebitda deve recuar 11% no trimestre, para US$ 1,06 bilhão, com preços mais altos de cobre e níquel sendo compensados por menores volumes, menor receita com subprodutos e custos maiores.

Para as siderúrgicas, o Santander aponta que as margens devem permanecer relativamente resilientes no trimestre. Embora os spreads domésticos do aço ainda estejam abaixo dos níveis do 2T25, a menor pressão das importações e um ambiente de preços mais favorável nos Estados Unidos devem sustentar parcialmente os resultados. O Itaú BBA vê a Gerdau (GGBR4) como o maior destaque positivo, com projeção de crescimento de 11% do Ebitda em margem trimestral.

Em Papel & Celulose, o Santander tem a expectativa de uma temporada mais forte, impulsionada por preços realizados mais elevados da celulose nos principais mercados, o que deve levar a um crescimento sequencial do Ebitda do setor. Olhando para as empresas do setor, o Itaú BBA vê a Klabin se destacando pela resiliência, com avanço tanto em celulose como em papel e embalagens, favorecida por uma base de comparação mais fraca, já que não teve no segundo trimestre a parada da fábrica de Monte Alegre. Irani (RANI3) também deve apresentar um trimestre mais forte, com ausência de paradas para manutenções e demanda resiliente por papelão ondulado.

Petróleo e energia: Petrobras e PRIO no radar

O Santander espera um 2T26 forte para as empresas de Energia e Químicos, impulsionado principalmente pela alta do Brent e pelas interrupções globais de oferta decorrentes dos conflitos geopolíticos.

Em Petróleo & Gás, as maiores apostas são Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3). Na visão do Goldman Sachs, a Petrobras deve se destacar entre as petroleiras estatais da América Latina no segundo trimestre de 2026, apoiada por crescimento da produção, preços mais altos do petróleo e forte geração de caixa, ainda que o cenário traga desafios relevantes ligados à política de preços e subsídios no Brasil. A projeção é de um Ebitda ajustado de cerca de US$ 17 bilhões no período, 5% acima do consenso de mercado, impulsionado principalmente por alta de 6% na produção em relação ao primeiro trimestre e pela valorização do Brent. O Goldman estima ainda pagamento de cerca de US$ 3,4 bilhões em dividendos no trimestre, o que implica um yield de aproximadamente 3,1%.

Perguntas Frequentes

Quando começa a temporada de balanços do 2T26?

A temporada ganha força a partir desta semana, com a WEG (WEGE3) divulgando seus números na quarta-feira (22), antes da abertura do mercado.

Quais setores devem se destacar no 2T26?

Os setores de commodities, especialmente Petróleo e Gás, devem liderar os ganhos, impulsionados por preços mais altos. Elétricas e Papel & Celulose também são destaques positivos.

Quais setores podem sofrer pressão?

Varejo, construção civil, educação e aéreas devem mostrar margens apertadas, devido aos juros elevados e ao crédito restritivo. Consumo discricionário pode cair 24%.

Qual a projeção do Bradesco BBI para os lucros?

O Bradesco BBI espera crescimento robusto de 38% nos lucros em relação ao ano passado, com elétricas liderando (alta de 53%).

O que o Santander projeta para o 2T26?

O Santander estima crescimento médio de 10% na receita, 23% no Ebitda e 20% no lucro líquido, com forte concentração em commodities.

Como a Vale deve se sair no 2T26?

O Santander espera resultados sólidos, mas o Itaú BBA projeta queda de 7% no Ebitda, para US$ 3,63 bilhões, devido a custos e preços mais baixos.

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