Ibovespa encerra semana de olho na inflação do Brasil e dos EUA
O Ibovespa encerra a semana com investidores atentos ao IPCA de agosto e ao CPI dos EUA. No radar ainda estão as falas de Lula sobre ajuste fiscal, o diesel acima de US$ 6 o galão e o petróleo perto de US$ 100.
O Ibovespa (IBOV) encerra a semana com os investidores de olho em dois números: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, no Brasil, e o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos. A divulgação do IPCA ocorre pela manhã, e o mercado acompanha o dado como termômetro da inflação brasileira.
Em resumo: o Ibovespa chega à sexta-feira (11) monitorando o IPCA de agosto e o CPI americano, divulgados ao longo do dia. O índice também reage às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre ajuste fiscal, à alta do diesel nos EUA e ao petróleo próximo de US$ 100 o barril.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (10), em entrevista ao SBT News, que em seu governo "não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal" e que os ajustes são feitos "na prática". Lula defendeu que seus três mandatos, em especial os dois primeiros, demonstram responsabilidade fiscal.
"No meu governo não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal. Ajuste fiscal eu faço na prática, são 12 anos de responsabilidade fiscal. O governo que herdei não só tinha 2,8% do PIB de déficit como não tinha orçamento", declarou, ao ser questionado sobre a dívida pública brasileira.
No exterior, o preço médio do diesel nos Estados Unidos ultrapassou, nesta quinta-feira (10), US$ 6 por galão pela primeira vez na história, segundo o site de acompanhamento de preços GasBuddy. O movimento ocorre à medida que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e os ataques ucranianos às refinarias russas reduziram a oferta. O diesel abastece caminhões, trens, navios e equipamentos pesados que mantêm as cadeias de abastecimento em funcionamento, além do setor agrícola.
Os preços do petróleo caem nesta sexta-feira (11), mas as duas principais referências do mercado caminham para encerrar a semana acima de US$ 100 o barril pela primeira vez desde meados de maio. O aumento dos ataques ao longo de importantes rotas marítimas no Oriente Médio alimenta temores de interrupção prolongada no fornecimento. As referências reduziram os ganhos do início do dia e passaram a ser negociadas em baixa após o Financial Times informar que ministros das Relações Exteriores do Oriente Médio tentam um acordo temporário com o Irã para administrar o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.
Na cena doméstica, a ex-diretora de Desestatização do BNDES Elena Landau afirmou que a transição energética no Brasil "é uma porcaria", por ser cara e injusta, e defendeu que o País precisa parar de "fingir" que as políticas públicas e a governança do setor elétrico estão funcionando mais ou menos. Landau fez as críticas ao participar do painel "Por que energia, minerais e alimentos são uma agenda nacional estratégica", organizado em São Paulo pela Meridiana, organização brasileira de inteligência política.
Em outra frente, a Nasdaq anunciou que investirá US$ 100 milhões na Payward, empresa controladora da corretora de criptomoedas Kraken, para desenvolver infraestrutura que auxilie a movimentação eficiente de capital e ativos pelo sistema financeiro, garantindo liquidez duradoura. Como parte da parceria ampliada, ambas buscarão avançar no desenvolvimento da estrutura do Nasdaq Equity Token (NET) e firmar um novo acordo de monitoramento de mercado. A Nasdaq afirmou que a parceria apoiará a evolução da infraestrutura de mercado para ativos tokenizados, mantendo abordagem centrada no emissor, pautada em governança sólida, conformidade regulatória e integridade do mercado.
O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, faz visita oficial ao Sudoeste Asiático nesta semana mirando, entre outros objetivos, a reabertura do mercado da Tailândia para carne brasileira, fechado em 2024. Outra meta da comitiva é continuar as negociações para que o Brasil ganhe o status de Parceiro de Diálogo Pleno da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Aumentar o status na Asean permitiria aprofundar as relações com os países da associação que, juntos, são o quinto principal parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China, União Europeia (EU), Estados Unidos (EUA) e Mercosul. Desde 2022, o Brasil tem o status de parceiro de diálogo setorial.