Investimentos

Wonderful levanta série C de US$ 550M após chegar ao Brasil

ResumoA Wonderful, empresa israelense de tecnologia, levantou US$ 550 milhões em rodada série C, atingindo avaliação de US$ 5 bilhões. A captação ocorre após a abertura de escritório em São Paulo, marcando expansão no mercado brasileiro. O investimento visa acelerar crescimento local e global, com foco em soluções de infraestrutura digital.

Poucos meses após abrir escritório em São Paulo, a israelense Wonderful levanta US$ 550 milhões em série C, avaliada em US$ 5 bilhões. Entenda o plano de crescimento no Brasil.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 03 de setembro de 2026
Wonderful levanta série C de US$ 550M após chegar ao Brasil

A israelense Wonderful, que desenvolve um sistema operacional de inteligência artificial para grandes corporações, levantou US$ 550 milhões em uma rodada série C liderada pela Insight Partners. O anúncio ocorre poucos meses após a abertura do escritório em São Paulo, parte central da estratégia global da companhia.

A rodada avalia a empresa em US$ 5 bilhões, menos de dois anos depois de sua fundação. A Salesforce também participa como investidora, ao lado de aportadores anteriores como Index Ventures, IVP, Vine Ventures, 9Yards e Bessemer Venture Partners.

O ritmo de crescimento acelera mesmo para os padrões do setor. Em maio, quando a Kaszek entrou numa extensão da série B com US$ 15 milhões, a empresa valia US$ 2 bilhões. Em pouco mais de três meses, o valuation mais que dobrou.

Foi a rodada da Kaszek que trouxe a companhia ao Brasil. A gestora apresentou a startup a Elder Jascolka, que assumiu como country manager, e vem abrindo portas para clientes potenciais. Desde então, o escritório de São Paulo saiu do papel, e o plano é crescer rápido.

"Estamos com uma meta de fechar 2026 em cerca de 100 funcionários na operação brasileira", diz Jascolka. "Globalmente, a Wonderful já conta com cerca de 650 pessoas."

O produto é o Wonderful AI OS, camada que integra agentes, fluxos de trabalho, aplicações nativas de IA e os sistemas que o cliente já usa, sob governança comum. A plataforma é aberta e agnóstica em relação a modelos, permitindo trocar de tecnologia sem reconstruir a infraestrutura.

A tese é uma analogia com a nuvem. "Assim como as plataformas de nuvem se tornaram a base das empresas modernas, os sistemas operacionais de IA se tornarão a base de todas as organizações", afirma Bar Winkler, CEO e cofundador.

Para Jascolka, o mercado brasileiro combina empresas de enorme escala com infraestrutura digital avançada. A demanda concentra-se em serviços financeiros, telecomunicações, seguros e utilities. "Há muito espaço para ir além de um chatbot e aplicar agentes que executam fluxos de ponta a ponta", afirma.

A companhia não divulga números de clientes nem de receita. A expectativa, segundo o executivo, é que agentes de IA saiam do piloto à produção com mais velocidade no Brasil do que em outros mercados.

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