SMFT3 cai 8% com lucro abaixo do esperado; o que fazer com as ações?
SMFT3 recua mais de 8% com 'decepção' com lucro; hora de vender as ações?
As ações da SmartFit (SMFT3) lideram as quedas do Ibovespa nesta quinta-feira (6), pressionadas pelos números do segundo trimestre (2T26). Por volta de 11h50, os papéis caíam 7,07%, a R$ 18,53, após bater mínima intradia de R$ 18,30, com recuo de 8,22%. O giro financeiro era de aproximadamente R$ 280,2 mil, com 18,9 mil negócios, o que colocou a ação na segunda posição entre as mais negociadas da B3.
O que diz o balanço do 2T26?
A rede de academias registrou lucro líquido recorrente de R$ 203,6 milhões entre abril e junho, alta de 7,6% na comparação anual. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 712 milhões, 24% acima do mesmo período de 2025. A receita cresceu 22%, para R$ 2,18 bilhões, e o número de academias subiu 19%, para 2.170 unidades, sendo 1.746 próprias.
A margem bruta de pontos maduros ficou em 51%, ante 52% no primeiro trimestre e 52% no segundo trimestre do ano passado. A companhia encerrou junho com presença em 16 países, após adicionar 352 unidades nos últimos 12 meses, expansão de 19,4%.
A SmartFit também reiterou o guidance de abertura de 330 a 350 academias em 2026, cerca de 80% próprias. Além do balanço, concluiu a compra de 60% da Evolve, com aporte de R$ 39,7 milhões. O saldo remanescente pode chegar a R$ 60 milhões, condicionado a obrigações contratuais. A Evolve operava 30 academias próprias.
Por que as ações caíram tanto?
Analistas classificaram o balanço como 'neutro' ou 'misto', com alguns números ligeiramente abaixo das expectativas. O Citi, por exemplo, avalia que o crescimento mais fraco foi compensado por margens melhores, mas o lucro ainda ficou abaixo do esperado pelo banco.
Citi e BTG Pactual já previam reação negativa, dada a decepção com o lucro e o fato de a ação ter uma base de investidores bastante posicionada, o chamado 'crowded ownership'. O Itaú BBA afirmou que os números operacionais vieram fortes, mas as expectativas já eram bastante elevadas.
O que os bancos destacaram nos números?
O Itaú BBA viu como destaque positivo a operação 'Outros Países' da América Latina, com alta de 270 pontos-base na margem bruta anual, para 55,7%, impulsionada por reajustes de preços e amadurecimento das academias.
O Bradesco BBI também elogiou o desempenho em 'Outros Países', mas alertou para desaceleração no Brasil e no México, com margens piores devido a maiores custos de manutenção e estrutura operacional. Os analistas Pedro Pinto e Flávia Meireles notaram que a margem bruta de academias maduras, abaixo de 52% pela primeira vez desde o 1T23, acendeu um alerta pontual sobre a rentabilidade das unidades mais antigas.
TotalPass: o 'tema central' para a SmartFit
O BTG Pactual afirmou que a TotalPass virou 'tema central' nas conversas com investidores. Em relatório, os analistas Luiz Guanais, Yas Cesquim e Beatriz Cendon escreveram: 'Apesar da leve decepção operacional no trimestre, a companhia manteve forte crescimento nos mercados da América Latina e segue sustentada pela expansão do TotalPass, pela escala regional e pelo potencial de crescimento de longo prazo'.
Para o banco, a TotalPass entregou outro trimestre muito forte no 2T26, com aumento expressivo dos check-ins no Brasil e no México, contribuindo para receita e ticket médio, especialmente após o reajuste do plano Black. A plataforma é vista como um 'strategic flywheel': no curto prazo, os indicadores podem parecer mais fracos, mas o potencial de lucro no médio prazo pode aumentar com escala e maior utilização.
O Itaú BBA acredita que o mercado continuará avaliando o desempenho combinado de SmartFit e TotalPass no Brasil. 'Continuamos vendo importantes alavancas para que a TotalPass siga ampliando sua rentabilidade, incluindo negociações com academias parceiras externas, aumento gradual das taxas cobradas de clientes corporativos e reajustes dos preços dos planos', afirmou a equipe liderada por Rodrigo Gastim.
O Bank of America (BofA) vê a expansão da TotalPass como capaz de desbloquear oportunidades 'consideráveis' de usuários e receita.
Afinal, é hora de vender SMFT3?
Os analistas, em geral, permaneceram otimistas com SMFT3 após o 2T26. O BTG Pactual vê o valuation 'atrativo'; o BofA destaca que a ação está 'significativamente' descontada em relação aos pares; o Citi reiterou visão construtiva, com crescimento 'sólido e amplamente intacto'; e o Itaú BBA afirma que a SmartFit segue uma 'história única de crescimento de longo prazo' no setor de consumo da América Latina.
Para o Bradesco BBI, a combinação do modelo tradicional com o TotalPass segue atrativa e ainda não está refletida no preço, justificando a manutenção da recomendação de compra. análise de ações SMFT3
Recomendações e preços-alvo
Veja o que disseram os bancos citados na matéria (potencial de valorização sobre o fechamento de 05/08/26, quando SMFT3 encerrou a R$ 19,94):
- Citi: visão construtiva, crescimento sólido.
- BTG Pactual: valuation 'atrativo'.
- Itaú BBA: história única de crescimento.
- Bradesco BBI: recomendação de compra.
- BofA: ação descontada em relação aos pares.
Perguntas Frequentes
SMFT3 vale a pena comprar agora?
A maioria dos bancos citados mantém recomendação de compra, citando valuation atrativo e potencial de crescimento. A queda recente pode ser uma oportunidade, mas o lucro abaixo do esperado e a base de investidores posicionada exigem cautela.
Por que as ações da SmartFit caíram?
A queda reflete a 'decepção' com o lucro do 2T26, que veio abaixo das expectativas do mercado. Analistas já previam reação negativa devido ao 'crowded ownership'.
O que é a TotalPass?
É uma plataforma de bem-estar corporativo da SmartFit, considerada um 'tema central' para o crescimento da companhia. Bancos veem nela uma alavanca de rentabilidade no médio prazo.
Qual o preço-alvo para SMFT3?
A fonte original não divulga preços-alvo específicos. Os bancos citados mantêm recomendação de compra, mas sem valores numéricos no texto.
A SmartFit vai abrir novas academias?
Sim, a companhia reiterou o guidance de 330 a 350 novas academias em 2026, cerca de 80% próprias.