Smart Fit (SMFT3): CEO diz que mercado puniu Brasil e ignora ecossistema
Queda de quase 8% nas ações da Smart Fit (SMFT3) após balanço trimestral. CEO Diogo Corona diz que mercado ignora que mais da metade do resultado já vem de fora. Entenda o impacto.
Smart Fit (SMFT3): Para CEO, o mercado puniu o Brasil e ignorou a força do ecossistema
A queda de quase 8% nas ações da Smart Fit (SMFT3) após a divulgação do último balanço trimestral deixou um gosto amargo. Mas, na visão da companhia, o mercado pode estar olhando para o lado errado da lente. Enquanto investidores reagiram com preocupação à velocidade da deterioração do resultado das academias no Brasil, a gestão aponta para um cenário consolidado de recordes operacionais que, segundo eles, prova a resiliência da estratégia de longo prazo.
Em resumo: o mercado ainda precifica a Smart Fit como uma empresa 100% brasileira, ignorando que mais da metade do resultado já vem de operações internacionais. O CEO Diogo Corona afirma que o mercado puniu o Brasil e não enxergou a força do ecossistema.
Por que o mercado puniu a Smart Fit (SMFT3)?
Para Diogo Corona, CEO da empresa, o principal desafio da Smart Fit hoje é uma questão de percepção: o mercado ainda precifica a companhia como uma empresa 100% brasileira, ignorando que mais da metade do seu resultado já vem de operações internacionais.
"O mercado ainda vê a Smart Fit como uma empresa 100% brasileira, o que não é uma verdade. Mais de 50% do resultado já vem de fora, e essa proporção tem aumentado," afirma Diogo. "Nossos custos de capital são menores que o CDI, porque captamos em outros países. Mas somos precificados como brasileiros; qualquer evento que acontece no Brasil, nossa ação cai como qualquer outra."
O ponto de atrito no trimestre foi o desempenho das academias no Brasil, que ficou aquém do esperado. No entanto, a companhia argumenta que esse resultado foi compensado pela diversificação de negócios, especialmente pelo Total Pass.
O papel do Total Pass como hedge natural
Longe de ser um canibalizador do negócio principal, o agregador funciona hoje como um hedge natural. "Temos um hedge natural, que é o agregador. E controlamos a relação com esse intermediador," explica Diogo. "Se o resultado das academias piorou, o Total Pass foi melhor. É uma estratégia de diversificação de geografias e de business units."
Para Diogo, essa mudança no modelo de negócio deixa a empresa mais difícil de ser analisada e entendida pelos investidores. "Um negócio de academias tem maior recorrência porque é baseado em mensalidades. Com o agregador, a sazonalidade pesa mais. O mercado tem dificuldade de entender essa mudança", diz.
O ecossistema em números: receita e EBITDA em alta
A tese da Smart Fit é que o ecossistema, composto por academias, o agregador Total Pass e os estúdios boutique da Bion, está funcionando exatamente como planejado. A empresa reportou um crescimento de 22% na receita líquida e um EBITDA que cresceu 24%, atingindo uma margem recorde de 32,7%.
"Isso prova que o ecossistema está funcionando. Nossa tese do mercado se provou vencedora e válida, porque conseguimos trazer resultado das outras estratégias," diz Diogo. "Se não tivéssemos feito isso, o grupo teria piorado. Ele não piorou pela estratégia do ecossistema, que foi lá fora e nas outras unidades de negócio no Brasil."
Um ponto que chama atenção: a economia dos EUA cortou 23 mil empregos em julho, o que diminui os planos de alta de juros, mas também estimula ações de IA. Esse contexto externo pode influenciar a percepção de risco sobre ativos brasileiros, como a Smart Fit.
Expansão internacional: onde a Smart Fit acelera e onde desacelera
Sobre a expansão, a companhia mantém o pé no acelerador, mas com uma lupa mais fina sobre o retorno marginal de cada nova unidade. Hoje, a empresa tem presença em 16 países, em diferentes estágios de maturação.
Enquanto mercados como Peru, Costa Rica e Panamá mostram sinais de saturação, a empresa acelera em países como a Argentina e mantém o foco na construção de marca e comunidade nos estúdios Bion.
O desafio de convencer o mercado
Segundo o CEO, a Smart Fit deixou de ser apenas uma rede de academias para se tornar uma plataforma multinacional de bem-estar. "Tivemos duas grandes decisões estratégicas: internacionalização e Total Pass. Fizemos apostas a longo prazo. Agora, estamos preparados para ser o grande vencedor do setor", diz.
Para o CEO, o desafio é convencer o mercado de que essa complexidade não é um risco, mas uma fortaleza da companhia. A pergunta que fica é: o mercado vai comprar essa tese?
O que isso significa para o investidor pessoa física
Se você acompanha a Smart Fit, o recado do CEO é de paciência. A empresa aposta que a diversificação geográfica e de unidades de negócio vai compensar a fraqueza pontual das academias no Brasil. Mas o mercado, por ora, segue punindo o papel.
Para quem está de fora, vale monitorar os próximos balanços para ver se o Total Pass continua compensando a fraqueza das academias e se a expansão internacional segue gerando resultado. A margem EBITDA recorde de 32,7% é um sinal de que a operação está saudável, mas a percepção de risco Brasil ainda pesa.
Perguntas Frequentes
Por que as ações da Smart Fit caíram quase 8%?
As ações caíram após a divulgação do último balanço trimestral, com investidores preocupados com a deterioração do resultado das academias no Brasil.
O que é o Total Pass?
O Total Pass é um agregador de academias que funciona como um hedge natural para a Smart Fit, compensando a fraqueza do negócio principal com resultados melhores.
Em quantos países a Smart Fit opera?
A empresa tem presença em 16 países, em diferentes estágios de maturação.
Qual foi o crescimento da receita da Smart Fit?
A receita líquida cresceu 22% no último trimestre, com EBITDA em alta de 24% e margem recorde de 32,7%.
O que o CEO Diogo Corona disse sobre o mercado?
Ele afirmou que o mercado ainda precifica a Smart Fit como uma empresa 100% brasileira, ignorando que mais de 50% do resultado vem de operações internacionais.