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Santander mantém MBRF favorita e vê frigoríficos dos EUA em ciclo difícil

ResumoSantander mantém MBRF como principal escolha no setor de frigoríficos no Brasil, com preço-alvo de R$ 25. O banco segue neutro para JBS, Minerva, Tyson Foods e Pilgrim's Pride, citando ciclo negativo do gado nos Estados Unidos e custos elevados de grãos como fatores de cautela para frigoríficos americanos.

O Santander manteve a MBRF como principal escolha no Brasil, com preço-alvo de R$ 25, e segue neutro para JBS, Minerva, Tyson Foods e Pilgrim's Pride. O ciclo negativo do gado nos EUA e os custos de grãos explicam a cautela do banco.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 14 de setembro de 2026
Santander mantém MBRF favorita e vê frigoríficos dos EUA em ciclo difícil

O Santander manteve recomendação de compra para MBRF (MBRF3) e Sigma Foods, com a empresa brasileira como principal escolha do banco no país, enquanto segue neutro para JBS (BDR: JBSS32), Minerva (BEEF3), Tyson Foods e Pilgrim's Pride.

A cautela com parte do setor está ligada ao ciclo negativo do gado nos Estados Unidos e aos custos mais elevados de grãos para produtores de aves e suínos.

A MBRF segue como principal escolha do Santander no Brasil, com preço-alvo de R$ 25, apoiada pelo desempenho da divisão BRF. O banco destaca as fortes exportações para o Oriente Médio e a recuperação da demanda por alimentos processados, que devem compensar parcialmente um mercado doméstico mais fraco.

Para a Minerva, o Santander mantém preço-alvo de R$ 4,50 e uma visão mais cautelosa. A baixa do ciclo pecuário brasileiro e a suspensão das exportações de carne bovina para a China são os principais riscos no curto prazo. Uma eventual recuperação das exportações para a Argentina e a redução dos estoques da companhia podem ajudar os resultados no segundo semestre de 2026.

Para a JBS, o Santander mantém recomendação neutra diante de um cenário mais desafiador para as proteínas nos Estados Unidos. O banco espera que as margens dos frigoríficos de carne bovina permaneçam abaixo do ponto de equilíbrio até 2028, em meio ao processo de recomposição do rebanho americano. Os preços do milho acumulam alta de cerca de 15% no ano, o que aumenta a pressão sobre os custos dos segmentos de aves e suínos.

Embora o fechamento recente de unidades indique uma postura mais racional da indústria para preservar margens, o Santander ainda espera um longo processo de recomposição do rebanho nos EUA.

No México, a Sigma continua sendo a principal escolha do Santander no setor de proteínas das Américas, com preço-alvo de 24 pesos mexicanos. A preferência é sustentada por custos de matérias-primas melhores que o esperado, especialmente peru e carne suína, além de um ambiente cambial mais favorável. Com isso, o Santander estima que a companhia possa superar sua projeção de US$ 1,1 bilhão de EBITDA em 2026. A estimativa do banco está 5,7% acima do guidance da companhia, enquanto o consenso está 4,6% acima.

O Santander espera um segundo semestre de 2026 desafiador para a carne bovina brasileira, principalmente pela ausência do mercado chinês e pelos preços mais elevados do gado. No segmento de aves, o cenário é mais equilibrado, com a fraqueza da demanda doméstica sendo compensada pelas exportações fortes. O banco também recomenda atenção à alavancagem e ao perfil de dívida dos frigoríficos brasileiros, especialmente em um cenário de juros elevados.

Historicamente, a leitura do Santander repete um padrão do setor: quando o ciclo do gado vira, o efeito nas margens não é imediato. A recomposição do rebanho americano, que o banco projeta se estender até 2028, costuma levar anos para se refletir em preços e rentabilidade. Para o investidor, o ponto de atenção segue sendo a alavancagem das companhias brasileiras em ambiente de juros altos.

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