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S&P rebaixa 3tentos (TTEN3) e vê novo corte à frente

ResumoA 3tentos (TTEN3) teve sua nota de crédito rebaixada pela S&P de brAA para brA+, com perspectiva negativa, diante de rentabilidade fraca, alavancagem elevada e liquidez insuficiente. A agência sinaliza possível novo corte, e as ações da companhia acumulam queda de 30% no ano.

A S&P rebaixou a nota de crédito da 3tentos de brAA para brA+ e mudou a perspectiva para negativa, citando rentabilidade fraca, alavancagem maior e liquidez insuficiente. A ação acumula queda de 30% no ano.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 10 de setembro de 2026
S&P rebaixa 3tentos (TTEN3) e vê novo corte à frente

A agência de classificação de risco S&P Ratings rebaixou a nota de crédito da 3tentos (TTEN3) de brAA para brA+ na escala nacional brasileira. A perspectiva do rating passou de estável para negativa.

O corte reflete a deterioração da rentabilidade da companhia, o aumento da alavancagem e a piora da posição de liquidez, segundo a agência. Além do rating corporativo, a S&P reduziu a classificação das 1ª, 2ª e 3ª séries da 201ª emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da Opea Securitizadora, lastreados em créditos da 3tentos, de brAA (sf) para brA+ (sf).

O que puxou o rebaixamento

Os resultados operacionais ficaram abaixo do esperado por causa das margens mais fracas no segmento industrial e da contribuição mais lenta das novas capacidades produtivas. A S&P revisou a projeção de Ebitda para 2026 de R$ 1,27 bilhão para R$ 941 milhões.

Os negócios de grãos e insumos cresceram em volume no primeiro semestre, mas têm margens menores que as operações industriais. O segmento também sofreu com a queda dos preços do farelo de soja e do biodiesel, o aumento dos custos logísticos e o adiamento da mistura obrigatória de biodiesel B16 para 2027.

A nova planta de etanol de milho iniciou operações apenas em meados de junho deste ano, com contribuição pequena para o semestre. Na liquidez, a avaliação mudou de suficiente para insuficiente. Em junho de 2026, a 3tentos tinha cerca de R$ 1,4 bilhão em caixa, contra aproximadamente R$ 1,8 bilhão em dívidas de curto prazo, além de R$ 366,8 milhões ligados à TentosCap. Mesmo com a monetização de estoques de grãos de alta liquidez, a S&P estima que as fontes de caixa cubram apenas 0,9 vez os usos previstos para os próximos 12 meses.

O que muda para o investidor

A perspectiva negativa sinaliza risco de novo corte se a recuperação operacional e a conversão de estoques em caixa ficarem abaixo do esperado, ou se a companhia não fortalecer a liquidez e reduzir a alavancagem. No cenário-base, a dívida ajustada sobre Ebitda deve ficar em torno de 2,3 vezes no fim de 2026 e entre 2,0 e 2,5 vezes nos anos seguintes, com fluxo de caixa operacional livre negativo até 2027.

O movimento ocorre em um ano ruim na bolsa: a ação cai 30%, com boa parte do tombo em uma única sessão, após reunião fechada entre a direção da 3tentos e o sell side em que a companhia teria revisado projeções para baixo. O BBA cortou o preço-alvo de R$ 20 para R$ 19 ao fim de 2026, mas os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama classificam o desempenho fraco do segundo trimestre como revés temporário, não mudança estrutural na tese.

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