Renner (LREN3) lucra R$ 405 mi no 2T26 e corta guidance
A Lojas Renner (LREN3) registrou lucro líquido de R$ 404,6 milhões no 2T26, estável na comparação anual, mas revisou para baixo o guidance de receita para 2026. Entenda o impacto.
Renner (LREN3) lucra R$ 405 milhões no 2T26 e corta guidance de receita para 2026
A Lojas Renner (LREN3) reportou lucro líquido de R$ 404,6 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. Junto com o balanço, a varejista revisou para baixo sua projeção de crescimento da receita líquida para este ano, reduzindo o guidance de 9% a 13% para um intervalo entre 4% e 8%. O movimento reflete vendas abaixo do esperado no trimestre, em um ambiente macroeconômico e competitivo mais desafiador.
Por que a Renner cortou o guidance de receita para 2026?
A revisão do guidance vem de um desempenho de vendas mais fraco que o projetado. Segundo a companhia, a Copa do Mundo teve impacto mais intenso do que o previsto sobre o fluxo de clientes nas lojas físicas e o padrão de consumo. Além disso, o maior endividamento das famílias, a redução mais lenta dos juros e o aumento da concorrência, incluindo plataformas internacionais de cross-border, pressionaram as vendas no período.
Apesar do corte para 2026, a Renner manteve inalteradas as demais projeções para o ciclo entre 2026 e 2030, incluindo a expectativa de crescimento da receita entre 9% e 13% ao ano de 2027 em diante. Ou seja, a companhia enxerga o cenário atual como pontual, não estrutural.
Números do balanço da Renner no 2T26
A receita líquida de varejo somou R$ 3,689 bilhões, alta de 1,1% na comparação anual. As vendas em mesmas lojas (SSS) cresceram 0,5%. No vestuário, principal negócio da companhia, a receita avançou 2,5%, com crescimento de 1,5% nas vendas em mesmas lojas.
O GMV digital cresceu 13,1%, alcançando R$ 837,6 milhões e participação recorde de 16,9% nas vendas do varejo. O digital segue como o principal motor de crescimento, mesmo com o varejo físico sob pressão.
Margens recordes e controle de despesas
Mesmo com o crescimento mais fraco da receita, a Renner preservou a rentabilidade. O lucro bruto do varejo cresceu 1,8%, para R$ 2,121 bilhões, enquanto a margem bruta avançou 0,4 ponto percentual, para um recorde de 57,5% em um segundo trimestre. No vestuário, a margem também atingiu um recorde de 58,7%, beneficiada por maior participação de vendas a preço cheio, ganhos de eficiência na cadeia de suprimentos e um cenário cambial mais favorável.
A disciplina na gestão de despesas também apareceu no balanço. As despesas operacionais cresceram apenas 1,5% no trimestre, para R$ 1,341 bilhão. O Ebitda do varejo avançou 2,3%, totalizando R$ 791,2 milhões, com expansão de 0,2 ponto percentual da margem, para 21,4%.
O Ebitda ajustado consolidado, porém, ficou em R$ 844,6 milhões, queda de 5,3%, refletindo principalmente o desempenho mais fraco da operação de serviços financeiros.
O que pesou no resultado financeiro?
A operação da Realize, braço de serviços financeiros da Renner, registrou resultado de R$ 53,5 milhões, ante R$ 118,5 milhões um ano antes. A queda de mais da metade impactou o Ebitda consolidado.
A companhia encerrou o trimestre com R$ 135,1 milhões de fluxo de caixa livre, R$ 1,9 bilhão em caixa e caixa líquido de R$ 1,2 bilhão. A posição de caixa segue confortável, o que dá fôlego para os investimentos planejados.
O que diz o CEO da Renner sobre o 2T26?
Na mensagem que acompanha o balanço, o CEO da Lojas Renner, Fabio Faccio, afirmou que, "apesar do crescimento abaixo do esperado no trimestre, a companhia preservou a rentabilidade por meio da expansão das margens, do controle de despesas e da gestão de estoques".
Segundo o executivo, a expectativa é de uma reaceleração no segundo semestre, sustentada pela expansão da área de vendas, reinauguração de lojas, avanço das iniciativas comerciais e digitais e por uma base de comparação mais favorável.
O que esperar da Renner (LREN3) no segundo semestre?
A leitura do balanço é mista. Por um lado, o guidance mais baixo sinaliza cautela com o curto prazo. Por outro, as margens recordes e o controle de despesas mostram eficiência operacional. A reaceleração prometida para o segundo semestre depende de fatores como a queda dos juros e o comportamento do consumo.
Para o investidor, o ponto de atenção é a capacidade da Renner de manter a rentabilidade enquanto a receita cresce em ritmo menor. A resposta virá nos próximos trimestres, com a base de comparação mais favorável e o impacto das iniciativas comerciais.
Perguntas Frequentes
A Renner (LREN3) lucrou quanto no 2T26?
A Lojas Renner registrou lucro líquido de R$ 404,6 milhões no segundo trimestre de 2026, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado.
Por que a Renner cortou o guidance de receita para 2026?
A companhia reduziu a projeção de crescimento da receita líquida de 9% a 13% para um intervalo entre 4% e 8%, citando vendas abaixo do esperado, Copa do Mundo, endividamento das famílias, juros altos e concorrência de cross-border.
O que foi recorde no balanço da Renner no 2T26?
A margem bruta do varejo atingiu 57,5%, recorde para um segundo trimestre, e a margem do vestuário chegou a 58,7%. O GMV digital também teve participação recorde de 16,9% nas vendas.
O que a Renner espera para o segundo semestre?
O CEO Fabio Faccio afirmou que a expectativa é de reaceleração, sustentada pela expansão da área de vendas, reinauguração de lojas, iniciativas comerciais e digitais e base de comparação mais favorável.
Como ficou o resultado da Realize no 2T26?
A operação de serviços financeiros registrou resultado de R$ 53,5 milhões, ante R$ 118,5 milhões um ano antes, impactando o Ebitda ajustado consolidado.