Rali da Bolsa reduz posições vendidas; shorts resistem em BHIA3
Com o Ibovespa em alta de 11,3% desde 19 de agosto, o short interest mediano caiu para 6,5%. Mas BHIA3 e outros papéis seguem com posições vendidas elevadas.
A recuperação do Ibovespa nas últimas semanas veio acompanhada de um movimento paralelo: investidores reduziram parte das apostas na queda das ações brasileiras. Segundo o relatório XP Short Scout, divulgado nesta quarta-feira (9), o short interest mediano entre os papéis do índice caiu 0,7 ponto percentual, para 6,5%, enquanto as posições vendidas em aberto recuaram 10,5%, para R$ 121 bilhões, com dados até o fechamento de 4 de setembro.
O movimento ocorre depois de uma arrancada do principal índice da B3. Em 19 de agosto, o Ibovespa abriu aos 166.336 pontos; em 4 de setembro, fechou aos 185.147,15 pontos, avanço de cerca de 11,3%, ou quase 18,8 mil pontos entre os dois níveis. A leitura converge com o cenário do Bank of America: em relatório da terça-feira (8), o banco elevou a recomendação para ações brasileiras, citando melhora dos fluxos e redução das posições vendidas.
Os dados da XP mostram, porém, que o movimento não foi uniforme. Em meio ao acirramento da crise geopolítica, crescem as preocupações com inflação e juros no mundo.
Caixa Seguridade (CXSE3), MRV (MRVE3), Magazine Luiza (MGLU3), Hapvida (HAPV3) e Minerva (BEEF3) tiveram algumas das maiores quedas do short interest em relação ao free float nas últimas duas semanas. Em valor financeiro, os recuos relevantes apareceram em Eneva (ENEV3), Eucatex (EUCA4), Usiminas (USIM3), Caixa Seguridade e Trisul (TRIS3).
A redução ocorre tanto na proporção do free float quanto no valor financeiro. Em BEEF3, por exemplo, o short interest caiu 5,6 pontos percentuais em 14 dias, mas permaneceu em 24,1% do free float, o segundo maior do levantamento. Casas Bahia (BHIA3) lidera o ranking da XP, com 30% do free float em posições vendidas. Na sequência aparecem Minerva, SLC Agrícola, Boa Safra e 3tentos. Os dez papéis do ranking têm short interest de 19,5% ou mais. Pela metodologia da XP, acima de 10% já é considerado elevado.
BHIA3 também está entre os aluguéis mais caros: taxa de 54,7%, atrás apenas da Natura (NATU3), com 64,6%. A taxa de aluguel representa o custo para tomar a ação emprestada; níveis altos podem indicar maior demanda por posições vendidas, mas não determinam, sozinhos, a direção futura.
Alguns papéis seguiram na contramão. A Ser Educacional (SEER3) registrou alta de 11,9 pontos percentuais no short interest em 14 dias, para 15,5%. Na Motiva (MOTV3), o avanço foi de 6,7 p.p., para 11,1%. Em MOTV3, o valor financeiro das posições vendidas chegou a cerca de R$ 1,75 bilhão, após alta de 174,1%. Em SEER3, o estoque financeiro subiu 348,6%, para R$ 96,95 milhões. Na Motiva, a taxa de aluguel atingiu 8,1%, e o days to cover avançou para 9,8 dias.
Um short é uma aposta na queda de uma ação, mas um nível elevado do indicador, isoladamente, não determina o comportamento futuro. Quando uma ação com grande concentração de posições vendidas passa a subir, investidores podem recomprar os papéis para encerrar operações. Se as recompras forem concentradas, pode ocorrer um short squeeze, movimento de alta intensificado pela recompra dos vendidos.