Investimentos

Estrangeiro volta à Bolsa: fluxo positivo de R$ 3,9 bi em setembro

ResumoO fluxo de capital estrangeiro na B3 registrou saldo positivo de R$ 3,9 bilhões em setembro, revertendo a saída observada em meses anteriores. O Ibovespa acumulou alta de 6% no período, influenciado pela elevação de recomendação do Bank of America e pela trajetória dos juros domésticos. A entrada de recursos reforça a confiança externa no mercado acionário brasileiro.

O estrangeiro voltou à ponta compradora na B3: saldo de R$ 3,9 bilhões em setembro. Ibovespa sobe 6% no mês, com BofA elevando recomendação e juros no radar.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 08 de setembro de 2026
Estrangeiro volta à Bolsa: fluxo positivo de R$ 3,9 bi em setembro

O investidor estrangeiro voltou à ponta compradora da Bolsa brasileira. Nos três primeiros pregões de setembro, o saldo de capital externo na B3 ficou positivo em R$ 3,9 bilhões, com entrada líquida de R$ 1,7 bilhão apenas no dia 3. O movimento ocorre em meio à nova alta do Ibovespa: por volta das 16h desta terça-feira (8), o índice subia 1,55%, aos 188.022 pontos. Em setembro, o avanço acumulado é de cerca de 6%; no ano, 16,81%; em 12 meses, 31,9%.

O retorno do capital externo contrasta com agosto, quando houve saída líquida de R$ 18,1 bilhões. O saldo chegou a ficar ainda mais negativo: em 20 de agosto, as retiradas acumuladas somavam R$ 23,20 bilhões, com melhora de cerca de R$ 5,1 bilhões até o fim do mês. No acumulado de 2026, os estrangeiros mantêm saldo positivo de R$ 22,2 bilhões na B3.

A fotografia do início de setembro mostra movimentos opostos entre grupos de investidores. Enquanto o estrangeiro acumula entrada de R$ 3,9 bilhões, os institucionais registram saída de R$ 1,6 bilhão e as pessoas físicas, retirada de R$ 2 bilhões. No ano, institucionais acumulam saldo negativo de R$ 30,2 bilhões; as pessoas físicas, entrada de R$ 4,1 bilhões.

O Bank of America (BofA) calcula cerca de R$ 6 bilhões em entradas em ações brasileiras ao longo de dez dias, revertendo parcialmente aproximadamente R$ 20 bilhões de saídas dos três meses anteriores. Nesta terça-feira, o BofA elevou a recomendação para ações brasileiras de marketweight para overweight, projetando a Selic em 11,25% no fim de 2027, ante estimativa anterior de 12,75%. A avaliação é de que atividade mais fraca e menores riscos inflacionários possam permitir um ciclo mais profundo de cortes, favorecendo a reprecificação das ações. O banco estima que o Ibovespa, excluídas as companhias de commodities, negocia com desconto de aproximadamente 10% ante sua média histórica.

A força das commodities no exterior impulsiona ações de peso como Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3). Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, afirma: "Não é só o trade eleitoral, mas o petróleo também ajuda." O BofA acrescenta fatores como a menor força relativa do trade de inteligência artificial no exterior e sinais de short covering.

A volta dos recursos externos não significa que as ações mais descontadas sejam as primeiras a receber esse dinheiro. Rafael Perretti, economista e analista da Clear, explica: "Quando o estrangeiro entra, ele entra nas ações mais líquidas." Fundos internacionais precisam montar e desmontar posições relevantes, então mineração, petróleo, bancos e energia aparecem entre os setores favorecidos. Nos primeiros pregões de setembro, Vale (VALE3) acumulava alta superior a 2,6%, Petrobras ON (PETR3) avançava 5,7% e Petrobras PN (PETR4) subia cerca de 7%. Entre os bancos, Banco do Brasil (BBAS3) ganhava 10,7%, Itaú (ITUB4), 7,9%, e Bradesco PN (BBDC4), 6,7%.

As altas não podem ser atribuídas exclusivamente ao fluxo estrangeiro. Juros, eleição, commodities e fatores específicos de cada companhia também influenciam as cotações. Nas conversas acompanhadas pelo Itaú BBA, aparecem utilities e infraestrutura, empresas sensíveis à queda dos juros, exportadoras, companhias ligadas ao câmbio e construtoras de baixa renda. Há maior cautela com consumo cíclico e negócios dependentes do crédito.

A retomada das compras ocorre em meio à recuperação rápida do índice. O Ibovespa fechou 19 de agosto aos 167.830 pontos e terminou o mês aos 177.418 pontos, alta de aproximadamente 5,7% no período. Em setembro, o movimento continuou: no dia 2, o índice fechou aos 185.205 pontos, completando 11 pregões consecutivos de alta e voltando a colocar os 200 mil pontos no radar.

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