CDB para R$ 5 mil por mês: quanto investir hoje
Analista simula o capital necessário para viver de renda com CDB e receber R$ 5 mil líquidos por mês. Se a Selic cair para 12% até 2027, o valor exigido sobe R$ 85,4 mil. Entenda os cenários e os riscos da conta.
Viver de renda com renda fixa parece simples no papel, mas exige um capital alto. Segundo simulação feita por Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a pedido do InfoMoney, um investidor que queira receber R$ 5 mil líquidos por mês apenas do rendimento precisaria aplicar R$ 539.421,91 em um CDB que pague 100% do CDI, com a Selic nos 14% ao ano em vigor.
O cálculo considera saques somente dos juros líquidos, sem consumir o principal, e usa três cenários de taxa básica: os 14% atuais, os 13,75% projetados pelo Boletim Focus para o fim de 2026 e os 12% para o fim de 2027.
Para chegar aos R$ 5 mil na conta, o CDB precisa render R$ 5.882,35 brutos por mês. Desse total, R$ 882,35 vão para o Imposto de Renda. Com o CDI em 13,90%, um CDB a 100% do CDI renderia 0,9269% líquidos ao mês após o IR de 15%, alíquota válida para aplicações mantidas por mais de 720 dias.
O Focus divulgado na segunda-feira (7) manteve, pela quinta semana seguida, a projeção de Selic em 13,75% ao ano no fim de 2026. É um corte de apenas 0,25 ponto em relação ao nível atual, e o efeito sobre a conta é pequeno. Nesse patamar, o rendimento líquido cai para 0,9112% ao mês e o capital exigido sobe para R$ 548.735,64, R$ 9.313,73 a mais do que hoje (1,73%).
O salto relevante aparece no horizonte mais longo. O Focus aponta Selic de 12% ao ano no fim de 2027, dois pontos abaixo do nível atual. Com o CDI estimado em 11,90% e a taxa líquida mensal em 0,8002%, o capital necessário sobe para R$ 624.874,74, ou R$ 85.452,83 (15,84%) acima do valor exigido hoje. Cada ponto percentual a menos na Selic cobra caro de quem depende de juros para viver.
A simulação parte de um CDB a 100% do CDI e de IR de 15%. Nos dois primeiros anos, a tabela regressiva cobra mais: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias e 17,5% de 361 a 720 dias, o que reduz a renda líquida na largada ou exige capital maior.
Outro ponto é o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição ou conglomerado financeiro, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Nos três cenários, o valor calculado supera o limite por emissor. Para não concentrar risco de crédito em um único banco, a aplicação teria de ser distribuída entre instituições.
A conta supõe taxa constante, CDB pagando 100% do CDI e retirada apenas dos juros líquidos, sem corrigir o principal pela inflação. Dinheiro é decisão, não sorte: o número de hoje pode não ser o de amanhã.