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Petrobras: resultado bom, mas poderia ser melhor

Por que o resultado da Petrobras foi bom, mas poderia ter sido ainda melhor?

A Petrobras (PETR3; PETR4) entregou um dos balanços mais fortes dos últimos trimestres, superando expectativas de mercado em métricas importantes e anunciando dividendos acima das projeções de boa parte dos analistas. O lucro líquido alcançou R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, enquanto o Ebitda ajustado recorrente somou cerca de US$ 19 bilhões, por uma combinação de aumento da produção, preços realizados favoráveis e um desempenho robusto do segmento de refino.

Resposta direta: O resultado da Petrobras foi bom porque superou expectativas em métricas como lucro e dividendos, mas poderia ter sido melhor porque, segundo a XP, os preços domésticos de gasolina, diesel e GLP ficaram abaixo da paridade internacional, deixando de capturar cerca de US$ 1,8 bilhão de Ebitda adicional.

O balanço que veio forte, mas não veio completo

A forte geração de caixa permitiu à estatal anunciar R$ 17,4 bilhões em dividendos ordinários, montante que superou as estimativas de casas como Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI. O resultado reforçou a percepção de que a companhia segue se beneficiando da elevada produtividade do pré-sal e de um cenário internacional favorável para o petróleo durante boa parte do trimestre.

Durante a teleconferência sobre os resultados, a executiva destacou que a melhora no desempenho também reflete avanços na gestão dos ativos da companhia. Mesmo com números fortes, ações amenizaram ganhos.

O motor dos números: exploração e produção

O principal motor dos números foi a área de exploração e produção. A Petrobras alcançou produção de 3,336 milhões de barris de óleo equivalente por dia, com avanço anual de 15%, enquanto o Ebitda do segmento de E&P atingiu cerca de US$ 15,9 bilhões, recorde histórico para a companhia. O crescimento da produção foi impulsionado pela expansão dos campos do pré-sal e pela entrada de novas plataformas.

Outro destaque veio dos preços realizados pela companhia no mercado internacional. Segundo o Itaú BBA, a Petrobras vendeu petróleo a preços mais elevados do que o esperado, ajudando a compensar impactos negativos, como a tributação sobre exportações de petróleo bruto. O Morgan Stanley também ressaltou que os preços de exportação ficaram próximos de US$ 114 por barril, acima do que o mercado projetava.

Refino resiliente em ambiente volátil

O segmento de refino também contribuiu para a surpresa positiva. As refinarias operaram com elevadas taxas de utilização e capturaram margens internacionais favoráveis, levando o Ebitda da divisão para cerca de US$ 3,6 bilhões. Na avaliação de analistas, o desempenho da área voltou a demonstrar a capacidade da companhia de capturar ganhos mesmo em ambientes de maior volatilidade no mercado global de energia.

O ponto cego: a defasagem dos preços domésticos

Mas, apesar de todos esses fatores positivos, alguns analistas consideram que os números poderiam ter sido ainda melhores. É justamente esse o ponto destacado pela XP Investimentos em sua análise do balanço divulgado nesta semana.

Segundo a corretora, os preços domésticos da gasolina, do diesel e do GLP permaneceram abaixo da paridade internacional na maior parte do trimestre. Isso ocorreu porque os reajustes da Petrobras e os mecanismos de subsídios adotados pelo governo ficaram defasados diante da disparada dos preços do petróleo e dos spreads de refino após o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã.

Nas contas da XP, o diesel foi vendido, em média, cerca de US$ 9 por barril abaixo da paridade de importação, enquanto a gasolina apresentou uma defasagem muito mais expressiva, de aproximadamente US$ 34 por barril. Na prática, isso significa que a companhia deixou de capturar parte relevante do ganho proporcionado pelo choque de alta nos mercados internacionais de combustíveis.

A corretora estima que, caso os preços domésticos tivessem acompanhado integralmente a paridade de importação ao longo do período, a Petrobras poderia ter registrado aproximadamente US$ 1,8 bilhão adicional de Ebitda e cerca de US$ 1,2 bilhão extra de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) durante o trimestre.

O que falta para o terceiro trimestre ser ainda melhor

O potencial de melhora não se limita aos preços. Analistas também destacam que cerca de US$ 1,9 bilhão relacionado ao programa de subsídios aos combustíveis não entrou no caixa da companhia durante o segundo trimestre e deve ser recebido ao longo do terceiro trimestre. Para Itaú BBA e Morgan Stanley, a normalização desses efeitos de capital de giro tem potencial para impulsionar significativamente o fluxo de caixa e a distribuição de dividendos nos próximos meses.

Essa leitura ajuda a explicar por que o mercado recebeu tão bem o balanço, mas, ao mesmo tempo, enxergou espaço para um desempenho ainda mais forte.

O que esperar dos próximos balanços

Por isso, a visão predominante entre os bancos continua positiva. O consenso é que a Petrobras já entregou um trimestre forte, sustentado por produção recorde, preços favoráveis e refino resiliente.

Mas a avaliação da XP traz que o resultado divulgado representa apenas parte do potencial da companhia. Se a captura de preços internacionais for maior e os efeitos temporários sobre o caixa forem revertidos, o terceiro trimestre pode trazer números ainda mais robustos para a estatal.

Perguntas Frequentes

A Petrobras superou as expectativas do mercado?

Sim, a companhia superou expectativas em métricas importantes, com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões e dividendos acima das projeções de casas como Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI.

Por que a XP acredita que o resultado poderia ter sido melhor?

Porque os preços domésticos de gasolina, diesel e GLP ficaram abaixo da paridade internacional na maior parte do trimestre, deixando de capturar cerca de US$ 1,8 bilhão de Ebitda adicional.

Quanto a Petrobras deixou de ganhar com a defasagem?

Segundo a XP, a companhia poderia ter registrado aproximadamente US$ 1,8 bilhão adicional de Ebitda e cerca de US$ 1,2 bilhão extra de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE).

O que pode melhorar no terceiro trimestre?

A normalização de efeitos de capital de giro, incluindo cerca de US$ 1,9 bilhão de subsídios a receber, tem potencial para impulsionar fluxo de caixa e dividendos nos próximos meses.

Qual a visão dos bancos sobre a Petrobras?

A visão predominante é positiva, com consenso de que a companhia entregou um trimestre forte, sustentado por produção recorde, preços favoráveis e refino resiliente.

análise de dividendos da Petrobras impacto do pré-sal nos resultados

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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