Petrobras (PETR3;PETR4) sobe mais de 3% hoje; entenda o motivo
As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) operavam com altas acima de 3% nesta terça-feira (15). Por volta das 13h50, a PETR3 subia 3,52%, a R$ 56,17, e a PETR4 avançava 3,27%, a R$ 50,52. As preferenciais (PETR4) também eram as mais negociadas do dia no mesmo horário.
A valorização combina dois vetores: o petróleo acima de US$ 106, com ganhos superiores a 3% após ataques na Arábia Saudita, e a produção da companhia em 2,92 milhões de barris por dia em agosto, alta de 4% sobre o mês anterior, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Petróleo em alta pressiona a oferta global
O gatilho externo veio das forças houthis no Iêmen, apoiadas pelo Irã, que lançaram novos ataques contra a Arábia Saudita na segunda-feira (14). O movimento elevou o prêmio de risco sobre a infraestrutura energética e o transporte na região.
Nesta terça, o oleoduto Leste-Oeste do reino chegou a ficar fora de operação, sem previsão de tempo de reparo. Com isso, a preocupação com o suprimento global de petróleo se intensificou e empurrou os preços da commodity para cima.
Para quem acompanha o setor, o efeito é direto: petróleo mais caro tende a melhorar a perspectiva de receita de produtoras como a Petrobras. O repasse ao caixa, no entanto, depende de contratos, câmbio e defasagem de preços, o que exige cautela na leitura de um único pregão.
Produção em agosto e a leitura do Bradesco BBI
No front operacional, os dados preliminares da ANP mostram a produção da Petrobras em 2,92 milhões de barris por dia em agosto. O resultado reflete avanço de 5% nos campos de Búzios e a recuperação de Itapu e Marlim.
Analistas do Bradesco BBI destacam que o número reforça as expectativas de novas surpresas positivas na produção da estatal, ainda que não seja possível prever que os níveis de agosto perdurem. Em relatório recente, o banco afirmou que o mercado continua subestimando a capacidade de crescimento da companhia, que chega ao atual ciclo eleitoral em posição operacional e financeira mais sólida do que em períodos anteriores.
O argumento se sustenta no desempenho dos campos do pré-sal, na entrada acelerada de novas plataformas e em ganhos operacionais. Os analistas calculam produção média acima de 2,8 milhões de barris por dia em 2027 e superior a 3 milhões em 2028, acima do consenso de mercado.
Acordo de GNL com a Sempra
A companhia também fechou um acordo de compra e venda de Gás Natural Liquefeito (GNL) de longo prazo com a Sempra Infrastructure, subsidiária norte-americana da Sempra. O contrato prevê 0,8 milhão de toneladas por ano (mtpa) por 20 anos, com suprimento a partir do Terminal de Liquefação de GNL de Port Arthur, no Texas.
Com a aquisição, a Petrobras espera reduzir a exposição à volatilidade do mercado spot e fortalecer a gestão de riscos do portfólio de gás natural. como funciona o mercado de GNL no Brasil
A combinação de petróleo em alta, produção robusta e contratos de longo prazo explica o movimento do dia. Dinheiro é decisão, não sorte: acompanhar os fundamentos por trás do pregão ajuda a separar ruído de sinal. entenda o impacto do pré-sal na produção da Petrobras