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Petrobras (PETR4) destina R$ 5 bi à União em dividendos do 2T26

Petrobras (PETR4) vai colocar cerca de R$ 5 bilhões nos cofres da União com dividendos do 2T26

A Petrobras (PETR3; PETR4) anunciou uma remuneração de R$ 17,4 bilhões aos acionistas após o balanço do segundo trimestre de 2026. Desse total, cerca de R$ 5,05 bilhões devem ir para os cofres da União, considerando a participação direta de 29,02% do governo federal no capital da companhia, percentual registrado pela estatal em junho. O pagamento, porém, não será imediato: a distribuição ocorre em duas parcelas, previstas para 23 de novembro e 21 de dezembro de 2026.

Quanto a União deve receber da Petrobras no 2T26?

A estimativa de R$ 5,05 bilhões considera a fatia de 29,02% da União no capital total da Petrobras. Do total anunciado, R$ 8,7 bilhões serão pagos na primeira parcela, e outros R$ 8,7 bilhões na segunda, em uma combinação de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

A participação do governo faz com que uma parcela relevante de qualquer distribuição seja direcionada ao setor público. A União é a principal acionista individual da companhia, o que explica o peso do pagamento nas contas públicas.

Como fica a remuneração acumulada de 2026?

Com o novo anúncio, a Petrobras já soma R$ 26,43 bilhões em remuneração aos acionistas referente ao exercício de 2026. Esse montante considera os R$ 9,03 bilhões anunciados no primeiro trimestre e os R$ 17,4 bilhões do segundo trimestre.

No caso do primeiro trimestre, os proventos são integralmente JCP e serão pagos em 20 de agosto e 21 de setembro, em duas parcelas iguais. Aplicada a participação de 29,02% da União, a remuneração dos dois primeiros trimestres representa aproximadamente R$ 7,67 bilhões em valores brutos para o governo federal.

Desse montante, cerca de R$ 2,62 bilhões correspondem ao provento do primeiro trimestre, e outros R$ 5,05 bilhões ao pagamento referente ao segundo trimestre. A parcela efetivamente recebida pela União, porém, depende do pagamento dos proventos e de sua contabilização nas contas públicas.

Por que o reforço da Petrobras é relevante para as contas públicas?

O reforço da Petrobras ganha relevância porque a arrecadação do governo com Dividendos e Participações está bem abaixo da registrada no ano passado. Segundo a série histórica do Resultado do Tesouro Nacional (RTN), o Governo Central arrecadou R$ 10,37 bilhões entre janeiro e junho de 2026, ante R$ 23,70 bilhões no mesmo período de 2025, uma queda nominal de cerca de 56%.

No ano passado inteiro, a receita com dividendos e participações chegou a R$ 49,8 bilhões, segundo dados compilados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Petrobras e BNDES responderam juntos por cerca de 72,6% desse montante, com R$ 13,8 bilhões e R$ 22,3 bilhões, respectivamente.

A diferença entre os dois anos também aparece na dinâmica dos pagamentos. No primeiro semestre de 2025, o Tesouro registrou R$ 23,84 bilhões em dividendos e participações, enquanto o mesmo período somou R$ 10,37 bilhões no primeiro semestre deste ano. O recuo dos pagamentos da Petrobras e do BNDES foi um dos fatores apontados pelo Tesouro para a redução da receita.

Qual a previsão do governo para dividendos em 2026?

Apesar do ritmo mais fraco no primeiro semestre, o governo trabalha com uma recuperação dos dividendos ao longo dos próximos meses. A previsão mais recente para Dividendos e Participações é de R$ 55,5 bilhões em 2026.

Isso significa que os R$ 10,37 bilhões arrecadados até junho correspondem a apenas cerca de 18,7% da previsão para o ano. A maior parte da receita esperada, portanto, ainda precisa entrar no caixa do governo.

Há espaço para dividendos extraordinários da Petrobras?

O espaço para novos pagamentos extraordinários da Petrobras aparece mais limitado. O diretor financeiro da companhia, Fernando Melgarejo, afirmou durante a teleconferência nesta sexta-feira (7) que considera "muito pouco provável" o pagamento de dividendos extraordinários.

Segundo o executivo, a política atual da companhia já destina aos acionistas 45% do fluxo de caixa livre por meio dos dividendos ordinários. Por isso, o excedente de caixa continuará sendo direcionado prioritariamente para investimentos e redução da dívida.

"Em termos de dividendo extraordinário, a gente acha muito pouco provável que neste ano a gente verifique a possibilidade de pagamento extraordinário, embora adoraríamos", afirmou Melgarejo. Ele explicou que a prioridade da Petrobras segue sendo antecipar investimentos que possam aumentar a produção e gerar retorno aos acionistas.

O histórico da discussão sobre dividendos

A discussão sobre o quanto a Petrobras deveria distribuir aos acionistas já chegou ao centro da política fiscal do governo. Em março de 2024, quando a companhia decidiu manter em reserva parte dos dividendos extraordinários, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que uma eventual distribuição ajudaria a melhorar as contas públicas, embora o governo não tivesse incluído esses recursos na previsão orçamentária.

Meses depois, em novembro daquele ano, a Petrobras aprovou R$ 20 bilhões em dividendos extraordinários, encerrando parte da disputa sobre os recursos que haviam sido mantidos em reserva. O pagamento foi aprovado pelo conselho da companhia em 21 de novembro e realizado em dezembro.

Naquele episódio, o tema ganhou peso porque a União é a principal acionista individual da Petrobras. A participação do governo faz com que uma parcela relevante de qualquer distribuição seja direcionada ao setor público, ao mesmo tempo em que o pagamento precisa ser conciliado com as necessidades de investimento, caixa e redução de dívida da estatal.

Perguntas Frequentes

Quando a Petrobras paga os dividendos do 2T26?

A Petrobras fará a distribuição em duas parcelas, previstas para 23 de novembro e 21 de dezembro de 2026. Do total anunciado, R$ 8,7 bilhões serão pagos em cada parcela, em uma combinação de dividendos e JCP.

Quanto a União vai receber da Petrobras no 2T26?

Cerca de R$ 5,05 bilhões, considerando a participação direta de 29,02% do governo federal no capital total da companhia. O valor é uma estimativa e depende da contabilização nas contas públicas.

A Petrobras vai pagar dividendos extraordinários em 2026?

O diretor financeiro da companhia, Fernando Melgarejo, considera "muito pouco provável" o pagamento de dividendos extraordinários neste ano. A política atual já destina 45% do fluxo de caixa livre aos acionistas via dividendos ordinários.

Como ficou a arrecadação do governo com dividendos em 2026?

O Governo Central arrecadou R$ 10,37 bilhões entre janeiro e junho de 2026, ante R$ 23,70 bilhões no mesmo período de 2025, uma queda nominal de cerca de 56%. A previsão para o ano é de R$ 55,5 bilhões.

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Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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