PETR4 cai 2% após lucro recorde: entenda o motivo
A PETR4 cai quase 2% nesta sexta mesmo após lucro bilionário. Fluxo estrangeiro, payroll fraco e declarações sobre dividendos explicam o movimento. Veja o que esperar.
PETR4: por que a ação cai quase 2% mesmo com lucro de R$ 52,4 bilhões
A ação da Petrobras (PETR4) opera em queda nesta sexta-feira (7), recuando 1,8% para R$ 41,36 por volta das 13h30, mesmo após a estatal reportar lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, acima do esperado. O movimento, segundo Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital, reflete o cenário macroeconômico, não os fundamentos da companhia.
Resposta direta: A PETR4 cai porque o fluxo de investidores estrangeiros na B3 diminuiu, influenciado pelos dados do payroll dos EUA, que vieram muito abaixo do esperado. Além disso, o CFO Fernando Melgarejo afirmou que dificilmente haverá dividendos extraordinários. Analistas veem a empresa bem posicionada para os próximos trimestres.
O papel do fluxo estrangeiro e do payroll
Bassani explicou ao Giro do Mercado que a queda das ações não é um caso isolado da Petrobras. "O que precisamos levar em consideração é o fluxo de investidores estrangeiros na B3 como um todo", disse. A relação direta é com os números do payroll, que surpreenderam negativamente. Quando o mercado observa esses dados, ele acaba diminuindo a participação nos mercados emergentes.
Esse movimento explica por que as ações abriram em alta e depois viraram. A reação inicial ao balanço positivo foi ofuscada pelo cenário externo, que pesa sobre todos os ativos brasileiros, não só sobre a estatal.
Dividendos extraordinários: o que o CFO disse
Parte do mercado atribuiu a virada dos papéis às declarações do diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, em entrevista à CNN Money. O executivo afirmou que dificilmente haverá pagamento de dividendos extraordinários.
A declaração esfria a expectativa de parte dos investidores, que contavam com uma distribuição extra de proventos. No balanço, a companhia anunciou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, valor que já estava previsto.
Fundamentos fortes, mas dependentes do petróleo
Apesar do recuo de curto prazo, Bassani avalia que a Petrobras segue bem-posicionada para os próximos trimestres. O desempenho, porém, continua dependendo da trajetória do petróleo.
A commodity já recuou em relação aos picos observados durante o conflito no Oriente Médio, mas ainda permanece acima dos níveis registrados antes da guerra. "Sobre a performance futura da companhia, precisamos acompanhar o que deve acontecer no cenário da guerra", ressaltou o economista.
Para o curto prazo, eventuais quedas no preço do barril não devem afetar imediatamente os resultados da estatal. O patamar atual da commodity ainda supera o observado no mesmo período do ano passado, o que dá uma margem de segurança.
Eleições e volatilidade no segundo semestre
Bassani chama atenção para o ambiente de maior volatilidade esperado para o mercado brasileiro ao longo do segundo semestre, por causa do período eleitoral. O cenário político tende a gerar oscilações, mas o analista pondera que os fundamentos das companhias tendem a prevalecer nas decisões de investimento.
"Pode acontecer um período de estresse [com as eleições], mas as teses em relação às empresas devem ser construídas com base no trabalho e nos resultados", destaca.
Na prática, isso significa que, para o investidor de longo prazo, o ruído político e o fluxo externo são fatores temporários. O que importa é a capacidade da empresa de gerar resultado, e a Petrobras demonstrou isso no último balanço.
O que isso significa para o seu bolso
Se você tem PETR4 na carteira, a queda de hoje pode ser desconfortável, mas o cenário de curto prazo não mudou os fundamentos. A empresa segue lucrativa, pagando dividendos e com o preço do petróleo em patamar confortável.
O ponto de atenção é a volatilidade. Com eleições e um cenário externo incerto, é razoável esperar oscilações mais fortes. Para quem está começando, a dica é não tomar decisões por impulso com base em um único pregão.
Perguntas Frequentes
PETR4 vai pagar dividendos extraordinários?
O CFO Fernando Melgarejo afirmou que dificilmente haverá pagamento de dividendos extraordinários. A companhia já anunciou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio no balanço do 2º trimestre.
Por que a ação caiu se o lucro foi acima do esperado?
A queda reflete o fluxo de investidores estrangeiros na B3, influenciado pelos dados do payroll dos EUA, que vieram abaixo do esperado. Quando o mercado vê esses números, reduz a participação em mercados emergentes.
O que esperar da PETR4 no segundo semestre?
Analistas veem a empresa bem-posicionada, mas o desempenho depende da trajetória do petróleo e do cenário eleitoral. A expectativa é de maior volatilidade, com os fundamentos prevalecendo no longo prazo.
O preço do petróleo ainda está alto?
Sim. A commodity recuou dos picos do conflito no Oriente Médio, mas segue acima dos níveis anteriores à guerra e também acima do mesmo período do ano passado.
Vale a pena comprar PETR4 agora?
A decisão depende do seu perfil. Para quem tem horizonte de longo prazo, os fundamentos seguem sólidos. Para o curto prazo, espere volatilidade por causa das eleições e do cenário externo.