Ações de dividendos para agosto: Petrobras e mais 5
A Petrobras lidera as carteiras de dividendos de agosto, com seis papéis indicados. Veja a análise de BTG, Ágora e Santander para cada ação.
Petrobras e mais cinco: as ações de dividendos mais indicadas para agosto
A alta de 3,47% do Ibovespa em julho interrompeu uma sequência de quatro meses de queda do índice. Mesmo assim, a Bolsa segue distante do patamar recorde de 198 mil pontos alcançado em abril. A recuperação chega com a Selic em 14% ao ano e um segundo semestre eleitoral pela frente.
Para quem monta carteira de renda passiva, o momento exige buscar empresas capazes de entregar retorno competitivo com o que a renda fixa paga hoje, com previsibilidade suficiente para atravessar a volatilidade dos próximos meses.
O que diz a lista de agosto: seis papéis e dois empates
Nesse cenário, a Petrobras (PETR4) volta a dominar as preferências. A estatal aparece em oito das onze carteiras de dividendos analisadas pelo InfoMoney, à frente da Allos (ALOS3), com sete indicações. A lista de agosto tem seis papéis, por causa de dois empates, e reúne setores que vão de mineração e shopping centers a seguros e energia elétrica.
Petrobras: convicção em alta mesmo com correção do petróleo
O BTG Pactual manteve a Petrobras com peso de 10% na carteira mesmo depois da correção nos preços do petróleo. O banco diz que a convicção na tese aumentou. A produção está na faixa superior do guidance de 2026, ou acima dela, e a companhia consegue capturar preços mais altos de combustíveis por meio de margens de refino maiores, já que cerca de 70% da produção vira insumo nas refinarias.
Com dividend yield projetado em torno de 10% para 2026 e 2027, o BTG afirma que a geração de caixa e a capacidade de distribuição "poderiam melhorar ainda mais, sustentando nossa recomendação de compra". O número conta a história: a estatal segue como a principal escolha para quem busca renda passiva no cenário atual.
Allos: a tese de shoppings com yield acima de 12%
A Ágora Investimentos descreve a Allos como "uma tese de qualidade em shoppings", apoiada em resiliência operacional do portfólio, disciplina de custos e retorno relevante ao acionista. A corretora aponta indicadores saudáveis de vendas, aluguéis "mesmas lojas" e crescimento de receita, além da redução de SG&A (Despesas de Vendas, Gerais e Administrativas), que "reforça o potencial de eficiência ao longo do ano".
A agenda de reciclagem de ativos, que inclui a parceria com a Kinea para criação de um novo fundo imobiliário de shoppings, pode contribuir para destravar valor e otimizar a alocação de capital. Com dividend yield esperado acima de 12% nos próximos 12 meses, o papel "adiciona um componente relevante de carrego à carteira", escreve a Ágora, que mantém ocupação, inadimplência e execução da estratégia entre os pontos de acompanhamento.
Seguradora: tese defensiva com prêmios em alta
A tese da seguradora é defensiva, sustentada por "recorrência de resultados, baixa volatilidade operacional e forte capacidade de distribuição de proventos", escreve a Ágora Investimentos. A corretora projeta para a companhia uma das melhores tendências operacionais entre as seguradoras, apoiada em crescimento de prêmios nos segmentos residencial, vida e habitacional e em contribuições de previdência mais fortes.
A melhora esperada nos prêmios habitacionais e nas tendências de sinistralidade levou a casa a revisar para cima as estimativas de 2027, movimento que, segundo os analistas, reforça a visibilidade da tese.
Vale: preferência por minério em vez de aço
O Santander tem a Vale como principal escolha do setor de siderurgia e mineração, diante da preferência por minério de ferro em relação ao aço. O banco elevou a projeção de preço do minério em 2026 de US$ 100 para US$ 105 a tonelada e espera a commodity sustentada acima de US$ 100, com oferta limitada por elevados níveis de exaustão das minas, demanda resiliente da China e crescimento na Índia, Sudeste Asiático, Oriente Médio e Norte da África.
Os riscos ligados ao setor imobiliário chinês persistem, mas são "mitigados por investimentos robustos em infraestrutura e por tendências estruturais de urbanização". Para 2026, o Santander vê um valuation "ainda razoável", rendimento de fluxo de caixa livre de 12% e dividend yield de 6,5%.
Axia: a aposta em energia com dividendos substanciais
A Axia é a principal beneficiária do cenário de preços de energia mais altos e maior volatilidade, na avaliação do BTG Pactual. O banco diz que a companhia ainda está nos estágios iniciais do que deve se tornar uma geradora de caixa e pagadora de dividendos "substancial", movimento sinalizado pela distribuição adicional de R$ 4 bilhões e, depois, por outra de R$ 4,3 bilhões.
Combinado a preços de energia potencialmente mais fortes, isso pode transformar a empresa em uma "(muito) forte pagadora de dividendos" ao longo dos próximos 5 anos, segundo o BTG.
Itaú: estabilidade e ambição para 2030
O Santander reiterou recomendação de compra e elevou o preço-alvo para 2026 de R$ 49 para R$ 50, mantendo o banco entre suas preferências no setor. A avaliação é de que a grande escala e a presença diversificada em serviços financeiros resultam em menor volatilidade dos lucros.
Mesmo em áreas onde a volatilidade costuma pesar, o Itaú "historicamente protege sua carteira bancária, garantindo mais estabilidade do que seus pares privados", escreve o banco. O Santander também incorporou parte da "ambição" apresentada pelo Itaú para 2030, que inclui dobrar a carteira de crédito de varejo em cinco anos, e elevou em 5%, na média, a projeção de lucro líquido para o período de 2026 a 2030.
O que observar nos próximos meses
Para quem monta carteira de renda passiva, o fluxo de capital e risco segue ditando o ritmo. A Selic em 14% ao ano mantém a renda fixa competitiva, mas as ações listadas oferecem yield projetado que varia de 6,5% a mais de 12%, com teses defensivas e setores variados. como montar carteira de dividendos
A recuperação do Ibovespa em julho, ainda que distante do recorde de abril, sinaliza apetite por risco. O segundo semestre eleitoral adiciona volatilidade, o que reforça a busca por previsibilidade de proventos. impacto da selic nas ações
Perguntas Frequentes
Por que a Petrobras lidera as indicações de agosto?
A Petrobras aparece em oito das onze carteiras analisadas pelo InfoMoney, com peso de 10% no BTG Pactual. O banco cita produção na faixa superior do guidance de 2026 e dividend yield projetado em torno de 10% para 2026 e 2027.
Qual é o dividend yield esperado da Allos?
A Ágora Investimentos projeta dividend yield acima de 12% para a Allos nos próximos 12 meses, apoiado em resiliência operacional e disciplina de custos.
O que o Santander espera para a Vale?
O Santander elevou a projeção de preço do minério para US$ 105 a tonelada em 2026 e vê dividend yield de 6,5% para a Vale, com valuation "ainda razoável".
Quais são os riscos para as ações de dividendos?
Os principais riscos incluem a volatilidade do segundo semestre eleitoral, a Selic em 14% ao ano e riscos setoriais, como o imobiliário chinês para a Vale e a execução da estratégia para a Allos.