Ouro fecha perto da estabilidade com juros dos Treasuries e dólar
O ouro encerrou em leve baixa nesta segunda-feira, 20, ainda que sem se distanciar da estabilidade, após queda na semana passada. Na Comex, o ouro para agosto fechou em queda de 0,07%, a US$ 4.015,9 por onça-troy, mantendo-se acima do patamar de US$ 4 mil mesmo com juros dos Trea
Ouro fecha perto da estabilidade com juros dos Treasuries e dólar
O ouro encerrou em leve baixa nesta segunda-feira, 20, ainda que sem se distanciar da estabilidade, após queda na semana passada. Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para agosto fechou em queda de 0,07%, a US$ 4.015,9 por onça-troy. A prata para setembro subiu 1,32%, a US$ 57,072 por onça-troy. O ouro seguiu acima do patamar de US$ 4 mil, mostrando resistência mesmo diante da alta dos rendimentos dos Treasuries e do dólar.
O que explica a leve baixa do ouro nesta segunda-feira
Com o desenrolar da sessão, houve um movimento de descompressão da tensão vista mais cedo entre EUA e o Irã que impulsionou o petróleo Brent de volta para acima de US$ 90 o barril. Este alívio geopolítico tirou parte do ímpeto de alta do ouro como porto seguro, mas não foi suficiente para derrubá-lo abaixo de US$ 4 mil.
Segundo o Banco Central, o dólar PTAX de venda em 20/07/2026 foi R$ 5,0894, uma leve alta em relação aos R$ 5,0742 registrados no dia 14. A moeda americana ganhou força, pressionando o metal precioso.
O papel dos juros dos Treasuries
"A recente dinâmica de preços sugere que as preocupações com taxas de juros mais altas por mais tempo estão anulando o tradicional apelo do ouro como porto seguro, mantendo o metal em uma faixa de negociação restrita, apesar da escalada dos riscos geopolíticos", afirma Soojin Kim, analista do MUFG.
A alta dos rendimentos dos Treasuries torna ativos de renda fixa mais atrativos, reduzindo o apetite por ativos sem rendimento, como o ouro. Este movimento explica, em parte, a dificuldade do metal em romper para cima mesmo com tensões no Oriente Médio.
Ouro como ativo de risco: a visão da Capital Economics
Para a Capital Economics, o ouro tem se comportado mais como um ativo de risco e seu preço está muito alto quando comparado a alguns dos "fundamentos", como as taxas de juros reais de longo prazo, que normalmente o influenciam.
A consultoria aponta que o preço do ouro está descolado de seus fundamentos tradicionais. "Nossa visão é que isso reflete, em parte, um processo de desmonte da demanda 'especulativa'", avaliam. Outras fontes de demanda, como os bancos centrais, também foram importantes em alguns momentos, pontuam.
"Consequentemente, nosso cenário base é que a queda atual no preço do ouro continue", projetaram.
O que isso significa para o investidor
A Capital Economics avalia que o papel do ouro em uma carteira de investimentos não diz respeito, fundamentalmente, aos retornos esperados, mas sim à sua função de proteção contra certos riscos de queda - como fortes desvalorizações das ações ou, segundo alguns, choques inflacionários.
"À primeira vista, o fato de o preço do ouro ter sido fortemente influenciado por fluxos especulativos poderia reduzir seu valor sob essa ótica. De fato, existem outros indícios de que, recentemente, o metal tem se comportado mais como um ativo de risco", avaliam.
O contexto do dólar e dos Treasuries
O dólar PTAX de venda, segundo o Banco Central, oscilou na semana anterior entre R$ 5,0727 (15/07) e R$ 5,1176 (17/07). A alta recente da moeda americana adiciona pressão sobre o ouro, que é cotado em dólar e tende a cair quando a moeda americana se fortalece.
O movimento dos Treasuries, por sua vez, reflete as expectativas do mercado sobre a política monetária do Federal Reserve. Quando os rendimentos sobem, o custo de oportunidade de manter ouro aumenta, já que ele não paga juros.
Perspectivas para o ouro
A análise do MUFG e da Capital Economics converge para um cenário de curto prazo desafiador para o ouro. Enquanto as taxas de juros permanecerem elevadas e o dólar forte, o metal precioso deve continuar em uma faixa restrita de negociação.
No entanto, o patamar de US$ 4 mil se mostrou um suporte relevante. Se houver uma escalada geopolítica significativa ou uma reversão nas expectativas de juros, o ouro pode encontrar novo fôlego.
Perguntas Frequentes
O ouro caiu ou subiu nesta segunda-feira?
O ouro caiu 0,07%, fechando a US$ 4.015,9 por onça-troy na Comex, em leve baixa.
Por que o ouro não caiu mais com a alta dos juros?
O metal mostrou resistência no patamar de US$ 4 mil, apoiado por riscos geopolíticos e pela demanda de bancos centrais.
Qual a previsão da Capital Economics para o ouro?
A consultoria projeta que a queda atual no preço do ouro continue, citando desmonte de demanda especulativa.
O que é a Comex?
É a divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), onde são negociados contratos futuros de ouro e outros metais.
Como o dólar influencia o preço do ouro?
O ouro é cotado em dólar, então uma alta da moeda americana tende a pressionar o metal para baixo.
- Com informações de Dow Jones Newswires